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“Forró do Abidoral” volta à Rádio Folha com música ao vivo, humor e poesia popular

“Forró do Abidoral” volta à Rádio Folha com música ao vivo, humor e poesia popular

O sábado vai voltar a ter sotaque de interior nas ondas da Rádio Folha 96,7 FM. Depois de uma temporada fora da grade, o programa “Forró do Abidoral” retorna à emissora, neste sábado (9), ocupando as manhãs, das 10h ao meio-dia, com uma mistura que vai de sanfona a causos, passando por humor, poesia, entrevistas e transmissão ao vivo direto das ruas.


No comando, Sérvulo Ferreira, criador do irreverente Véio Abidoral, personagem que virou referência quando o assunto é comunicação popular com identidade nordestina. A nova fase promete ampliar a conexão com o público, saindo do estúdio e ocupando mercados públicos, áreas turísticas e espaços culturais.


“Nosso programa não é só forró. A gente fala da matriz cultural do forró, que conversa com outros estilos, com o humor, com a poesia e com o cotidiano do povo”, explica Sérvulo.


O primeiro programa da nova fase já vem com casa cheia. Entre os nomes confirmados, estão Rogério Rangel, Kelly Rosa, Roberto Cruz, Andrezza Formiga, Derico Alves, Teresa Accioly, Rinaldo do Acordeon e Binho Sassarico.




Rádio, rua e resenha

Diferente da antiga temporada, exibida de segunda a sexta, na faixa de fim de tarde, o novo formato é semanal (sempre aos sábados) e nasce com espírito itinerante. A proposta é transformar o programa em uma experiência híbrida: rádio, internet e rua ao mesmo tempo.


Além das transmissões pelo dial, a equipe pretende realizar edições externas, com artistas tocando ao vivo em mercados públicos e pontos turísticos, conectando esses ambientes diretamente ao estúdio da rádio.


E não vai faltar música ao vivo. Essa será uma das marcas fixas do programa. “Todo sábado vai ter artista tocando, seja no estúdio ou nas externas”, contou o comunicador.


O programa também inclui quadros de humor, notícias comentadas de forma lúdica, espaço para poesia, divulgação cultural e entrevistas com artistas. Tudo embalado pelo estilo debochado e afetuoso que virou assinatura do personagem.


A ideia é que o programa funcione quase como uma grande “sala de reboco radiofônica”: artistas entrando, música acontecendo ao vivo e conversas atravessadas por cultura popular, memória e improviso.


Criador

Antes de virar o Véio Abidoral, Sérvulo Ferreira era um adolescente fascinado por rádio. Filho de dona Zefinha, do Agreste, e de seu Bonifácio, da Zona da Mata, cresceu cercado por emboladores, cantadores e pela tradição oral nordestina.


Ainda criança, gravava programas usando fitas cassete escondidas em casa e imitava vozes em radionovelas improvisadas. A brincadeira acabou chamando atenção de amigos, que o incentivaram a levar o talento adiante.


A estreia profissional veio cedo: aos 16 anos, numa rádio comunitária em Serra dos Corais, no Cabo de Santo Agostinho.


Depois disso, passou por emissoras do Cabo, Escada, Taquaritinga do Norte, Toritama, até chegar à Rádio Folha. No caminho, fortaleceu a ligação com o forró tradicional e construiu um estilo próprio de comunicação. “Eu não busquei o rádio. O rádio foi que me buscou”, resumiu.


Criatura

O personagem Véio Abidoral surgiu oficialmente em 1999, mas, segundo Sérvulo, ele parece existir muito antes disso.


A inspiração veio de um tio boiadeiro que morava com a família e andava vestido de forma excêntrica — capa de chuva no sol, bota, chapéu de couro e guarda-chuva sempre à mão.


Somado a isso, vieram referências do humor nordestino e de personagens clássicos, como o Coronel Ludugero, criado pelo radialista Luiz Queiroga.


Dessa mistura, nasceu Abidoral: um velho espirituoso, defensor da cultura popular, apaixonado pela vida no sítio e sempre pronto para comentar política, comida, música e questões sociais com ironia e humor.


Mais do que um personagem cômico, Véio Abidoral virou porta-voz de uma defesa ferrenha da cultura nordestina dentro dos meios de comunicação, algo que Sérvulo considera cada vez mais raro no rádio e na tevê.


Para ele, o retorno à Rádio Folha representa justamente isso: abrir espaço para que a música nordestina e os artistas populares sejam ouvidos sem precisar se encaixar em modismos. “O artista precisa ter um lugar para falar e ser ouvido”, afirmou.

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