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“Nunca mais volto aqui”, disse Ed Motta ao ser cobrado por taxa de rolha em restaurante

“Nunca mais volto aqui”, disse Ed Motta ao ser cobrado por taxa de rolha em restaurante

A cobrança de uma taxa de rolha foi o motivo que desencadeou uma confusão protagonizada pelo cantor Ed Motta no restaurante Grado, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, na madrugada do último dia 2 para o 3.


Ao ser cobrando, o cantor disse aos funcionários: “Nunca mais volto mais aqui”. O relato é do próprio artista, que admitiu a insatisfação em depoimento prestado na 15ª DP (Gávea) na manhã desta terça-feira.


Em depoimento, Ed Motta relatou que sentiu-se “chateado” e “desprestigiado” ao ser cobrado pela taxa de rolha, visto que essa cobrança nunca havia sido feita antes.


Ele, então, reclamou com o gerente, que lhe teria dito que a taxa foi cobrada em virtude de a mesa estar cheia, ou seja, não eram apenas o cantor e a esposa, caso em que a taxa não seria cobrada — à mesa, estavam o cantor e mais seis pessoas.


Logo depois de dizer que nunca mais voltaria à casa, “sob influência de emoção”, narrou, o cantor pegou uma cadeira e arremessou-a ao chão, “sem a intenção de acertar qualquer pessoa” — o assento, porém, resvalou numa mesa e acertou as costas de um garçom.


Em virtude de seu tamanho, continuou, Ed Motta esbarrou em uma mesa onde havia dois casais. O cantor afirmou que não notou que, por conta desse esbarrão, uma bolsa de umas das ocupantes da mesa caiu ao chão e, logo em seguida, retirou-se do estabelecimento junto com sua mulher.




Injúria por preconceito

O cantor e compositor é investigado ainda por injúria por preconceito após falas xenofóbicas direcionadas a um funcionário durante a discussão. O crime prevê pena de um a três anos de reclusão.


Em depoimento por cerca de duas horas, acompanhado dos advogados Pedro Ivo Velloso e Thatiana de Carvalho Costa, ele negou que tenha dirigido ofensas xenofóbicas a um barman do restaurante e classificou as acusações de ter chamado o funcionário de “paraíba” como “injustas” e “infundadas”.


Ele afirmou que é cliente da casa há nove anos e que “jamais” ofendeu ou utilizou “palavras pejorativas” para dirigir-se ao barman ou a qualquer funcionário.


O cantor diz que as acusações são “sem fundamento”, justificando ser ele mesmo “neto de baiano” e “bisneto de cearense”, possuindo “amplo respeito pelos nordestinos”.


No depoimento, o artista declarou-se negro e gordo e afirmou que, por essas condições, repudia “qualquer tipo de preconceito”.


Até o momento, além de Ed Motta, a polícia colheu o depoimento do sócio do restaurante, Nello Garaventa, do barman, da caixa e de um garçom. Falta ouvir dois dos amigo do cantor: o empresário Diogo Coutinho do Couto, proprietário dos restaurantes Escama e Quinta da Henriqueta, e o advogado Nicholas Guedes Coppi, apontado pela Polícia Civil como o responsável por lançar uma garrafa de vinho contra um cliente e de tê-lo agredido com socos.


“Camba de paraíba”

De acordo com o barman do Grado, que teria sido alvo preferencial de ofensas atribuídas a Ed Motta, o cantor começou a insultá-lo após uma conversa entre clientes e funcionários do restaurante.


“Olha, o babaca está rindo. Nunca vi esse babaca rindo. Está sempre de mal com a vida, esse paraíba”, teria dito o cantor. Em seguida, ainda conforme o relato, ele colocou uma taça de vinho sobre o balcão e afirmou: “Vou embora antes que eu faça alguma coisa com um desses paraíbas”. Ao deixar o local, teria acrescentado: “Cambada de paraíba” e, virando-se novamente para o funcionário: “Vai tomar no c* seu filho da put* paraíba”.


O barman informou ainda que não foi a primeira vez que foi insultado por Ed Motta. Em outras ocasiões, declarou, o cantor o teria xingado de “babaca” e “cara de bunda”. O funcionário disse quando que nunca revidou as ofensas e que acredita que o artista tenha, “nitidamente”, a intenção de prejudicar seu trabalho.


O registro de ocorrência foi feito na 15ª DP (Gávea) e enquadra o caso como injúria por preconceito, prevista no artigo 2º-A da Lei 7.716/89, além de injúria comum.


Em depoimento, o proprietário do restaurante afirmou que Ed Motta já havia se referido anteriormente ao mesmo funcionário como “paraíba filho da put*” em um áudio enviado no ano passado. O material foi entregue à polícia. O empresário também relatou que o barman já havia mencionado episódios anteriores de provocações “em tons homofóbicos” quando o cantor se reunia com amigos em uma mesa próxima ao bar do estabelecimento.


Ainda segundo o dono, após a confusão, o artista enviou novos áudios ao dono do restaurante. Em um deles, de acordo com o depoimento, o cantor afirma: “Aquele garçom que eu já havia reclamado hoje, eu desci o sarrafo porque um amigo meu fez uma pergunta para ele e ele não respondeu. Eu falei que ele era assim mesmo, ele é um babaca que não responde”.


Ed Motta disse ainda que, na mesma noite, enviou mensagens para o sócio do estabelecimento, dizendo que não gostou do atendimento naquela noite, em virtude da cobrança da taxa de rolha, sem dirigir-se a qualquer funcionário em específico.


Procurada pelo Globo, a defesa de Ed Motta informou que “em nenhum momento houve agressão por parte dele contra qualquer pessoa no episódio do restaurante no Rio de Janeiro”. O artista reconheceu que “deixou o local indignado em razão do atendimento que recebeu” e as imagens demonstram “de forma inequívoca” que ele “não teve qualquer participação nos eventos em apuração”, uma vez que “já havia saído do estabelecimento”, encerra a nota.


Entenda o caso

Ed Motta teria feito as ofensas contra nordestinos durante a confusão envolvendo ele próprio e amigos no estabelecimento em área nobre do Rio. O episódio terminou com agressões físicas, arremesso de objetos e um cliente ferido na cabeça após ser atingido por uma garrafa de vinho.


A discussão começou após o grupo questionar a cobrança de taxa de rolha, valor pago para consumir vinhos levados pelos próprios clientes. Ed Motta estava acompanhado de amigos e o grupo levou sete garrafas de vinho ao restaurante. Cinco foram consumidas. A conta ultrapassou R$ 7 mil.


De acordo com os responsáveis pelo Grado, o cantor normalmente não paga taxa de rolha quando frequenta o restaurante sozinho, como forma de cortesia, mas sabia que a cobrança é aplicada quando está acompanhado e mesmo assim reagiu de maneira agressiva.


Os donos do restaurante, Nello Garaventa e Lara Atamian, já haviam afirmado em nota que houve “condutas discriminatórias” durante a confusão.


“As agressões incluíram xingamentos, referências pejorativas à origem nordestina, além de insinuações sobre orientação sexual e vida privada”.


Segundo testemunhas e relatos encaminhados à polícia, Ed Motta também arremessou uma cadeira no salão antes de deixar o restaurante.


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Em conversa com O Globo, à época do ocorrido, o cantor reconheceu que se exaltou, mas negou ter jogado a cadeira contra funcionários.


— Aconteceu um problema, mas a história não está bem contada. Infelizmente, toda a confusão começou comigo. Fiquei irritado e me descontrolei. Eu estava bêbado e joguei uma cadeira no chão, mas não joguei uma cadeira em direção ao funcionário. Jamais. Não foi jogado nada em direção a ninguém. As câmeras de segurança podem provar isso — disse.


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Após a saída de Ed Motta, o esbarrão que o cantor deu na mesa vizinha motivou outra confusão envolvendo integrantes de seu grupo e clientes do restaurante. Em meio à briga, um advogado que estava na mesa do cantor desferiu socos e arremessou uma garrafa de vidro contra um cliente, que teve a cabeça atingida e precisou levar seis pontos.

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