Uma opção para quem vai passar o feriadão do Dia do Trabalhador em casa é conferir a sexta temporada de “Impuros”, que estreia nesta sexta-feira (1°) no Disney+. A série, uma das mais longevas do audiovisual brasileiro no streaming, traz de volta um elenco consolidado em personagens.
Criada por Alexandre Fraga – que morreu em abril deste ano – e ambientada no Rio de Janeiro, a produção é centrada na ascensão do tráfico internacional de drogas e suas consequências. Ao longo das temporadas, o policial federal Victor Morello (Rui Ricardo Diaz) vive um intenso jogo de “gato e rato” com o traficante Evandro do Dendê (Raphael Logam), colocando em risco as vidas de ambos e tudo ao redor deles.
Em entrevista à Folha de Pernambuco, Rui Ricardo Diaz comentou o sucesso do seriado, que já iniciou as gravações da sua sétima temporada. “É uma série que se conecta muito com o público e isso é algo que nós, atores, roteiristas e diretores, discutimos muito internamente. Não existe uma fórmula para as coisas funcionarem, mas a gente consegue pensar um pouco sobre os motivos disso”, apontou.
“Claro que [a série] tem essa coisa forte da ação, mas não é só isso. É sobre a dificuldades desses personagens lidarem com quem eles são, o que automaticamente impossibilita as relações com os outros. A cada ano, eles vão se aprofundando mais nos conflitos familiares. Acho que isso cria uma conexão muito forte com o espectador, porque são personagens muito humanos. Não existe o maniqueísmo de bandido e herói”, completa Rui.
A quinta temporada de “Impuros” terminou com um atentado à família de Evandro. Nos novos episódios, o traficante arquiteta um plano de vingança que pode colocar em risco o seu próprio império. Do outro lado da lei, Morello une forças à filha, ao marido dela e a um grupo de ex-policiais milicianos, com o objetivo de derrubar o tráfico das comunidades.
“Nesta sexta temporada, segue a caçada ao Evandro, que é o foco máximo do Morello. Ele é uma figura à margem, que se refugia no trabalho e vira um workaholic da polícia. Isso vai ficando cada vez mais evidente nos novos episódios. Como ele tem uma ética particular, vai criando mil situações que vão dificultando a vida dele ainda mais dentro do serviço público”, adianta.
Para Rui, viver desde 2018 todas as nuances que o protagonista apresenta é um verdadeiro presente. “É um privilégio poder reencontrar todos os anos com um papel como esse, com tantos dilemas e sempre com novos acontecimentos incríveis do ponto de vista de dramaturgia. É muito interessante, porque o personagem vai amadurecendo, ganhando camadas, ao mesmo tempo em que eu também envelheço, descubro coisas em mim e vou emprestando isso ao trabalho. O tempo colabora muito para a construção do Morello”, defende.
Além de Rui Ricardo Diaz e Raphael Logam, também retornam ao elenco de “Impuros” nomes como Lorena Comparato, Sérgio Malheiros, Leandro Firmino, Karize Brum, João Vitor Silva, Bruno Gissoni e MC Carol. Uma novidade deste ano é o ator Bruno Gagliasso, que passa a interpretar o traficante Playboy. O novo líder da facção criminosa Comando se torna o mais novo rival de Evandro.
Confira entrevista com Rui Ricardo Diaz:
Você sente que o audiovisual brasileiro anda aquecido?
De fato, esse é um momento muito aquecido do nosso audiovisual e a gente tem mesmo que celebrar. Temos visto as nossas produções chegarem aos grandes festivais do mundo, dois anos seguidos no Oscar. Além de “Impuros”, estreei agora dois filmes, “Rio de Sangue” e “Cinco Tipos de Medo”, que foram rodados fora do eixo Rio-São Paulo. Quando falamos de mais espaço, temos que pensar do ponto de vista da quantidade de produções, mas também delas acontecerem em vários cantos do Brasil. É importante que a gente tenha um investimento dos streamings todos também no nosso país. Que seja cada vez maior, para que a gente possa efetivamente gerar mais trabalho para todos os artistas envolvidos nas produções audiovisuais.
Todos os seus últimos trabalhos são papéis que carregam muita tensão e violência. O que acha disso?
A gente está diante de um instante muito violento no mundo e o audiovisual, como ferramenta artística e política, precisa olhar para isso e colocar na tela. Esses três últimos personagens que fiz têm que lidar com a violência, mas cada um é pego por ela de uma maneira. São personagens muito distintos, com características diferentes e que têm em comum o fato de terem que lidar com a imprevisibilidade da vida, o que às vezes culmina na violência.
Recentemente, você filmou “Amalia y El Diablo”, uma coprodução da Espanha, Argentina, Uruguai e Brasil, e participou de “Anaconda”. Como foi estar em sets formados por pessoas de diferentes nacionalidades?
Foi um presente [filmar no Uruguai]. Eu queria muito fazer esse intercâmbio cultural. A gente tem essa dificuldade aqui, um pouco em função da língua, mas acho que é uma barreira a ser quebrada, porque é tudo tão próximo. Já “Anaconda”, que estreou no final de 2025, foi também uma experiência sensacional. Um filme com Jack Black, Paul Rudd, Thandie Newton, Steve Zahn, Daniela Melchior e Selton Mello. Então, eram dois brasileiros no set, falando em português e inglês. É um pouco da nossa língua indo para o mundo.
