Fabiano Camargo, presidente do Conselho da Braztoa (Arquivo/M&E)

Na última quinta-feira (20), a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) emitiu um comunicado sobre a prática de venda de pacotes com bloqueios aéreos para períodos superiores a 330 dias de antecedência. A prática é considerada inviável pelas companhias aéreas em razão de uma limitação dos sistemas de reservas.

O alerta foi desencadeado após a identificação de bloqueios para viagens no fim de 2027 e em 2028 atribuídos a uma grande operadora, sem correspondência com as companhias aéreas mencionadas nos localizadores. As respectivas companhias aéreas fizeram contato com a operadora para solicitar que seus nomes não fossem vinculados aos bloqueios. Posteriormente, os registros foram retirados do ar.

Diante do alerta, oMERCADO & EVENTOSprocurou a Braztoa para entender quais critérios as agências de viagens devem observar antes de escolher uma operadora como parceira comercial.

Parceria de confiança

Como escolher uma operadora parceira? Braztoa aponta sinais de alerta para agências
A agência precisa entender não apenas o que está sendo oferecido, mas como a operadora está estruturada (Magnnific/prostooleh)

Uma parceria comercial segura começa pela regularidade da empresa, mas exige também atenção à capacidade de sustentar a operação. “Cadastur é o primeiro passo. Se não tem Cadastur, você não pode operar no turismo. Isso é condição básica”, afirma Fabiano Camargo, presidente do Conselho de Administração da Braztoa.

Entre os associados da entidade, o processo de admissão inclui análise da documentação, da situação financeira e dos dirigentes, além de consultas a processos judiciais e ao Serasa. Para as agências, a avaliação deve avançar também sobre as condições comerciais oferecidas.

Preços muito abaixo do mercado, prazos extensos de pagamento e vendas para períodos distantes podem exigir maior atenção, sobretudo quando não está claro como o produto será sustentado até a data da viagem.

“Não adianta você exigir 15% ou 16% de comissão de um operador e querer que ele bata o preço de uma OTA. Uma hora a conta não fecha; é impossível”, afirma.

O mesmo raciocínio se aplica ao parcelamento. Segundo Camargo, prazos longos ampliam a exposição da operação a fatores como variação cambial e custos de cartão.

A estrutura da empresa também deve entrar na análise. Camargo cita o caso de uma operadora que comercializa no Brasil, mas mantém sede e dirigentes no exterior e conta apenas com um representante no país. “Que garantia ele tem no Brasil perante esses outros vendedores, perante essa empresa?”, questiona.

Na avaliação do executivo, a agência precisa entender não apenas o que está sendo oferecido, mas como a operadora está estruturada para cumprir o compromisso assumido. A análise, portanto, não deve se limitar ao preço ou à comissão da venda.

Venda futura: tendência x risco do negócio

Braztoa
A venda antecipada acende um alerta sobre a viabilidade da operação Magnific/tonodiaz)

Vender uma viagem com mais de 330 dias de antecedência não é, por si só, uma prática inviável. Isso ocorre, por exemplo, no setor de cruzeiros, em que o produto pode ser comercializado com data e cabine definidas a partir de uma operação já estabelecida com a companhia marítima. A questão, portanto, está na existência de uma operação capaz de sustentar a venda.

Para Fabiano, a comercialização de viagens para períodos muito distantes não deve se transformar em tendência. Na avaliação dele, o modelo pode ser usado como mecanismo de antecipação de caixa, mas aumenta o risco da operação porque o dinheiro é recebido muito antes de a empresa precisar efetivamente cumprir o compromisso.

“Eu não vejo isso como uma tendência. Vejo isso às vezes como uma busca de solução de caixa. Se ele faz uma venda futura, ele só vai despender esse dinheiro muito lá na frente, então ele gera caixa antes. Mas o risco de negócio para o operador não se sustenta pensando numa venda para daqui a 24 meses, portanto, como modelo de negócio, é insustentável. Não dá para ser feito dessa forma”, afirma.

Associados Braztoa

Como escolher uma operadora parceira? Braztoa aponta sinais de alerta para agências

Criada em 1989, a Braztoa reúne empresas que atuam na operação, no agenciamento e na representação de serviços turísticos. A entidade é uma associação privada sem fins lucrativos e atua na organização do mercado e na representação de seus associados.

O quadro reúne empresas com operações no turismo doméstico e internacional, em diferentes segmentos e destinos, incluindo atividades emissivas e receptivas. Atualmente, o site da Braztoa informa ter mais de 50 empresas associadas, são elas:

Operadoras de turismo

  • Abreutur
  • Agaxtur
  • Ambiental
  • Ancoradouro
  • Azul Viagens
  • Bancorbrás
  • Befly
  • Best Buy Travel
  • BRT Operadora
  • Butterfly Tour
  • BWT Operadora
  • Central Tour
  • Century Travel
  • CI
  • CNT – Central de Negócios Turísticos
  • Confiança Turismo
  • Costa Cruzeiros
  • CT Operadora
  • CVC Viagens
  • Discover Cruises
  • Diversa Turismo
  • DoMundo Viagens
  • E-HTL
  • Esferatur
  • Europlus
  • Flot
  • Forma Turismo
  • FRT Operadora
  • HotelDO
  • Incomum
  • Interep
  • Interpoint
  • Lusanova Tours
  • Matueté
  • MSC Cruzeiros
  • Norwegian Cruise Line (NCL)
  • New Age Tour Operator
  • New It
  • Orinter Tour & Travel
  • Polvani Tours
  • Pure Brasil
  • Queensberry
  • R11 Travel
  • Raidho
  • RCA
  • Sakura Turismo
  • Schultz Operadora
  • Snow Operadora
  • Squad Viagens
  • Stella Barros
  • Submarino Viagens
  • TBO Holidays Brasil
  • Transmundi
  • Trend Viagens
  • TT Operadora
  • Velle
  • Via Capi
  • Viajow Tour Operator & DMC
  • Visual Turismo
  • Voetur

Associados parceiros

  • Air Canada
  • AirlinesPros Brasil
  • Aruba Tourism Authority
  • Atlantica Hotels International Brasil
  • Aviareps
  • Balneário Camboriú Convention Bureau
  • Banco Daycoval
  • Belotur – Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte S/A
  • Brand USA
  • Buenos Aires – Visit Buenos Aires
  • Catalunha – Agència Catalana de Turisme
  • Colômbia – ProColombia
  • Coris Brasil
  • Costa Rica – Instituto Costarricense de Turismo
  • Dubai – Department of Economy and Tourism
  • EFEX Finance
  • Emirates
  • Espanha – Centro Oficial de Turismo Espanhol
  • GKS Inteligência Territorial
  • Gramado – Secretaria de Turismo
  • Grupo Cataratas
  • GTA Assist
  • Imaginadora
  • Interamerican Network
  • Intermac Assistance
  • Instituto Semeia
  • Israel – Ministério de Turismo de Israel
  • Itaipu Parquetec
  • Iterpec
  • Kissimmee – Experience Kissimmee
  • LAB Turismo Consultoria
  • Maranhão – Secretaria de Estado de Turismo
  • MikeTec Tecnologia
  • Pará – Secretaria de Turismo do Estado do Pará
  • Peru – PromPeru
  • Travelex Bank
  • Universal Assistance
  • Viaje Paraná
  • Viracopos – Aeroportos Brasil Viracopos – ABV