Boeing projeta que frota comercial da China ultrapassará 9.800 aviões até 2045. Previsão aponta 9.240 entregas, incluindo 7.200 jatos de corredor único
A frota comercial da China vai mais que dobrar nos próximos vinte anos, chegando a mais de 9.800 aviões.
A projeção é da Boeing, divulgada nesta terça-feira (3), em Pequim, em seu China Commercial Market Outlook (CMO) 2026.
O fabricante estima a entrega de 9.240 aeronaves novas no período, impulsionada por um crescimento de 5% ao ano no tráfego aéreo de passageiros.
O relatório aponta como vetores o avanço da classe média, a ampliação de destinos com isenção de visto e os investimentos contínuos em infraestrutura aeroportuária no país.
Segundo a Boeing, o país possui atualmente cerca de 4.500 jatos comerciais em operação, a segunda maior frota por país do mundo após rápido crescimento nas últimas duas décadas.
Projeção de entregas
Do total projetado, 42% das aeronaves serão destinadas à substituição de modelos mais antigos e 58% ao crescimento da frota.
De acordo com a análise do fabricante, o mercado doméstico chinês deve se tornar o maior do mundo até 2045, com o transporte aéreo absorvendo parte relevante dos deslocamentos a lazer e a negócios dentro do território.
Aviões de corredor único e aviação regional
O segmento de corredor único responderá por 78% das entregas previstas. A estimativa é de mais de 7.200 jatos de fuselagem estreita para atender à malha doméstica e às rotas regionais na Ásia-Pacífico.
Com a entrada de aeronaves de corredor único mais eficientes e de maior alcance, as companhias aéreas chinesas devem ampliar a conectividade na Ásia-Pacífico e na Ásia Central, reforçando a aviação regional.
Widebodies e mercado cargueiro
O tráfego de passageiros em rotas de longo curso entre a China e Europa, Américas do Norte e do Sul, África e Oriente Médio deve crescer acima da média regional. Para atender a essa demanda, a projeção indica a necessidade de mais de 1.400 widebodies.
No segmento de carga aérea, a Boeing projeta demanda por 560 cargueiros novos de fábrica e convertidos até 2045. O volume é associado à base manufatureira do país, ao desenvolvimento industrial de alta tecnologia e ao maior mercado de e-commerce do mundo, fatores que impulsionam o transporte aéreo de mercadorias e a renovação da frota cargueira com tecnologia de última geração.
Serviços
Além da aquisição de aeronaves, o estudo estima que as empresas aéreas chinesas investirão US$ 875 bilhões em vinte anos em serviços digitais, manutenção de aeronaves e treinamento de pessoal.
A expansão da frota exigirá 425.000 novos profissionais no setor aéreo chinês, entre pilotos, técnicos de manutenção e comissários de bordo. A demanda deve impulsionar programas de treinamento baseado em competências e avaliação (CBTA) e a abertura de novos centros de formação.
