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Lucro da Emirates cai 66% no primeiro semestre fiscal

Lucro da Emirates cai 66% no primeiro semestre fiscal

No semestre entre abril e setembro, a Emirates registrou lucro de US$ 1,1 bilhão, queda de 66%, com impacto do conflito no Golfo e alta dos combustíveis

A Emirates divulgou nesta quinta-feira (5), os resultados financeiros do primeiro semestre fiscal do período 2026/2027, encerrado em 30 de setembro, reportando lucro líquido de US$ 1,1 bilhão, queda de 66% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O desempenho foi afetado pelas restrições ao espaço aéreo no Oriente Médio, pela redução das operações na região e pela alta dos preços dos combustíveis, em meio ao conflito no Golfo.

A receita consolidada do grupo alcançou US$ 18 bilhões, recuo de 12% em relação aos US$ 20,6 bilhões registrados no primeiro semestre de 2025-26.

Influência dos conflitos locais

As restrições intermitentes e os fechamentos de espaços aéreos no Oriente Médio alteraram a programação de voos da Emirates durante os seis primeiros meses do exercício. Os avisos governamentais de viagem também influenciaram os deslocamentos de passageiros e a demanda por transporte aéreo.

Em 30 de setembro, a companhia havia restabelecido 91% de sua malha aérea anterior às interrupções. A rede de passageiros e cargas atendia 150 aeroportos em 78 países e territórios, com Dubai mantido como principal centro de conexões.

Para reduzir os impactos sobre os passageiros, a Emirates adotou medidas como cobertura de viagem sem restrições vinculadas a avisos governamentais, possibilidade de alteração gratuita de datas em passagens já emitidas e políticas ampliadas de reembolso.

Capacidade

A redução da programação de voos provocou uma contração nos principais indicadores operacionais da companhia. A capacidade total recuou 10%. Já a oferta de assentos diminuiu 17%, enquanto o tráfego de passageiros caiu 25%.

O fator médio de ocupação dos assentos ficou em 72%, ante 79,5% no primeiro semestre do exercício anterior. Entre abril e setembro deste ano, a Emirates transportou 21,8 milhões de passageiros, uma redução de 22% na comparação anual.

Apesar da retração operacional, a companhia manteve investimentos em frota e infraestrutura. No período, recebeu nove Airbus A350 e concluiu a modernização interna de doze aviões, sendo nove Airbus A380 e três Boeing 777.

Modernização da frota

O programa de retrofit da Emirates prevê investimentos superiores a US$ 7 bilhões para atualizar as cabines de suas aeronaves. O projeto contempla a ampliação da disponibilidade da classe Premium Economy e a instalação dos produtos de cabine mais recentes da empresa.

A companhia também avançou na instalação de conexão à internet via Starlink. Nos seis primeiros meses do exercício, 36 aeronaves receberam o sistema de internet de alta velocidade, elevando para 57 o total de aviões equipados até 30 de setembro.

Entre as mudanças introduzidas nas cabines estão um apoio de cabeça com formato U integrado aos assentos da classe Economy e divisórias de privacidade com acionamento eletrônico na Premium Economy.

Em maio, a Emirates iniciou as obras de um complexo de engenharia e manutenção, reparo e revisão (MRO) no aeroporto internacional de Dubai. O empreendimento tem investimento previsto de US$ 5,1 bilhões, com conclusão estimada para meados da década de 2030.

Divisão de cargas

A divisão de cargas da Emirates apresentou desempenho diferente do transporte de passageiros. A Emirates SkyCargo movimentou 1,2 milhão de toneladas no primeiro semestre, volume 1% inferior ao registrado um ano antes. Apesar da ligeira retração, a receita da unidade aumentou 52%.

O crescimento foi associado à redução da capacidade disponível de transporte aéreo de cargas em razão do conflito regional e às dificuldades enfrentadas pelo transporte marítimo, que estimularam a procura por alternativas no modal aéreo.

A divisão incorporou cinco novos Boeing 777 cargueiros (F) e colocou em operação sua primeira aeronave convertida de transporte de passageiros para cargueiro.

A rede de cargas também foi ampliada com a inclusão de Almaty, no Cazaquistão, e Zhengzhou, na China. A empresa passou a oferecer voos cargueiros dedicados para mais de quinze destinos já atendidos pela rede de passageiros e aumentou frequências em mercados estratégicos do Extremo Oriente.

Serviços de bordo e varejo

Outras empresas ligadas ao grupo foram afetadas pela redução do movimento de passageiros no aeroporto internacional de Dubai e pela menor atividade turística nos Emirados Árabes Unidos.

A Emirates Flight Catering, responsável pelos serviços de alimentação a bordo, registrou receita de US$ 74 milhões proveniente de clientes externos, redução de 51%. O volume de refeições fornecidas às companhias aéreas caiu 41%, para 4,5 milhões.

Serviços aeroportuários

A dnata, divisão de serviços aeroportuários, catering, varejo e viagens do Emirates Group, registrou receita de US$ 3 bilhões no primeiro semestre de 2026-27, redução de 7% em relação ao mesmo período do exercício anterior. O lucro líquido foi de US$ 84 milhões, recuo de 56%.

A divisão de operações aeroportuárias permaneceu como a principal fonte de receita da dnata, US$ 1,5 bilhão, redução de 3%. O volume de atendimentos em solo a aeronaves caiu 8%, para 414.012 operações, enquanto a movimentação de cargas diminuiu 6%, totalizando 1,49 milhão de toneladas.

O segmento de catering e varejo registrou receita US$ 1,1 bilhão, crescimento de 1%. O volume de refeições fornecidas caiu 10%, para 54 milhões, principalmente em razão da perda de contratos importantes no Reino Unido.

A divisão de viagens US$ 373 milhões, redução de 31%. O resultado foi influenciado pela saída das operações Travel Republic e Netflights do mercado britânico, que deixaram de aceitar novas reservas em novembro de 2025.





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