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Vencedor do Goncourt revela uso de IA para “brincar” com leitor

Vencedor do Goncourt revela uso de IA para “brincar” com leitor


Vencedor do prêmio literário Goncourt, o mais prestigioso da França, pelo romance “L’inconnue du quai de Javel”, Philippe Jaenada revelou na última terça-feira (4) ter usado inteligência artificial em mais de uma oportunidade no processo de escrita da obra premiada.


O livro de 528 páginas apresenta a investigação sobre o caso real de Louise Cansot, uma jovem bretã de 29 anos que se tornou modelo em Paris e cujo corpo foi encontrado em 1949 às margens do Sena.


O escritor volta ao assassinato, que nunca foi solucionado, reabrindo casos antigos e revirando a imprensa da época.




À maneira de seu ídolo literário, o inspetor Maigret (criado pelo autor Simenon), ele realiza sua própria investigação.


Ele também contou com a ajuda do inteligência artificial, ainda que tenha usado a tecnologia de maneira irônica. Em entrevista à rádio France Inter, Jaenada disse ter consultado a inteligência artificial três vezes para fazer pesquisas sobre o assassinato de Cansot.


O próprio autor expõe algumas dessas consultas em passagens do livro, fazendo graça das respostas fornecidas pelo modelo de linguagem ChatGPT, definidas por ele “absurdas”.


Mas ele também admitiu que, em uma das consultas, o modelo de linguagem acabou sendo útil.


“Houve uma vez em que ele realmente me ajudou na pesquisa”, diz o escritor. Avesso à tecnologia, ele sequer tem telefone celular.


Ainda no espírito zombeteiro, o autor contou ter inserido no livro uma frase escrita inteiramente pelo ChatGPT, com o objetivo de “brincar com o leitor”.


“Não podemos recuar diante da IA, fazer de conta que não existe”, defendeu Jaenada.


“É preciso usá-la, mas primeiro é preciso reconhecê-la e, sobretudo, é preciso domesticá-la, ou seja, não se deixar substituir. É preciso que ela nos seja útil”.


Por coincidência, esta edição do Goncourt foi afetada pela polêmica em torno do uso da IA na literatura.


Em setembro, o romance “C’était ça ou mourir”, do canadense Thélyson Orélien, foi acusado de ter sido escrito com uso amplo de IA.


Até então favorito, a obra acabou sendo retirada da lista de finalistas do concurso. Orélien negou as acusações.

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