Segundo publicação, fusão entre United e American é discutida com o governo dos EUA, mas pode encontrar grandes barreiras
Uma eventual fusão entre United Airlines e American Airlines foi discutida no fim de fevereiro, em reunião entre Scott Kirby, CEO da United, e Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.
A informação foi publicada na noite de ontem (13), pela agência Reuters, citando fontes. A iniciativa levanta a possibilidade de uma das maiores consolidações da história recente da aviação comercial, com impacto potencial sobre concorrência, tarifas e estrutura do mercado.
A conversa ocorreu durante encontro na Casa Branca sobre o futuro do aeroporto internacional de Washington (IAD), capital norte-americana. O tema da fusão teria sido abordado ao final da agenda.
De acordo com a publicação, Kirby argumentou que a combinação das duas companhias criaria uma operadora mais robusta para competir em mercados internacionais, em linha com a preocupação da administração Trump com déficits comerciais globais.
Estrutura do mercado
O setor aéreo dos Estados Unidos já apresenta elevada concentração. Além de United e American, Delta Air Lines e Southwest Airlines completam o grupo das quatro maiores companhias, cada uma com cerca de 17% do tráfego doméstico, segundo dados do Departamento de Transporte dos EUA.
Uma fusão entre duas dessas empresas ampliaria significativamente o nível de concentração, reduzindo o número de grandes players e potencialmente alterando a dinâmica competitiva da aviação de passageiros no país.
Barreiras regulatórias
A probabilidade de aprovação regulatória é baixa, diante de preocupações concorrenciais, sobreposição de rotas e possíveis impactos em empregos.
Segundo Seth Bloom, advogado antitruste, à publicação, a operação dificilmente superaria o escrutínio regulatório. “A administração tem enfatizado questões que afetam diretamente o bolso do consumidor, e uma fusão desse porte ampliaria o poder de precificação das companhias aéreas”, disse.
Fontes próximas à Casa Branca indicam ceticismo quanto à proposta, especialmente em um cenário de pressão inflacionária e sensibilidade política em relação ao custo de vida antes das eleições legislativas.
De acordo com Sean Duffy, secretário de Transportes dos EUA, há espaço para consolidação no setor, mas ressaltou que qualquer operação seria analisada com rigor quanto aos impactos sobre os consumidores.
Situação financeira
A American Airlines enfrenta pressão para melhorar sua rentabilidade e reduzir a diferença em relação às concorrentes. A empresa tem cerca de US$ 25 bilhões (R$ 124,8 bilhões) em dívida de longo prazo, o que limita sua flexibilidade financeira em um ambiente de custos elevados de combustível.
Por outro lado, a United tem adotado postura mais assertiva diante da alta nos custos operacionais. Segundo Scott Kirby, choques prolongados nos preços de combustível podem favorecer empresas mais fortes, permitindo ganho de participação de mercado.
Tanto a United quanto a American Airlines não quiseram comentar o tema.

