O CEO daUnited Airlines, Scott Kirby, afirmou neste domingo (7), durante a Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo, no Rio de Janeiro, que o investimento conjunto da United e da American Airlines na Azul tem como principal objetivo ampliar a capacidade de competição frente à parceria formada entreDelta Air Linese Latam Airlines na América Latina.
O posicionamento ocorre no contexto do processo de recuperação judicial da Azul nos Estados Unidos. Como parte da operação, United e American decidiram investir US$ 100 milhões cada na companhia brasileira. A United já era acionista da empresa e recebeu aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para realizar o aporte. Já o investimento da American está sob análise da Superintendência-Geral do órgão.
Durante entrevista coletiva, Kirby rejeitou a avaliação de que a aproximação entre duas concorrentes históricas do mercado norte-americano possa gerar problemas concorrenciais. Segundo ele, o principal fator competitivo na região é a aliança entre Delta e Latam.
“Nós gostamos muito da Azul e da parceria que temos com a Azul. Acho que eles são uma companhia aérea muito bem administrada, focada no cliente. Nós realmente valorizamos a empresa e a parceria, e temos uma relação de longo prazo. Mas o grande gorila na sala aqui é a Delta e a Latam”, afirmou.
O investimento das duas empresas na Azul gerou questionamentos de concorrentes. Entre eles está a Abra Group, parceira comercial da American Airlines por meio de suas controladas. A holding argumenta que o aporte poderá conceder à American poderes semelhantes aos de um acionista controlador, especialmente pela criação de um comitê estratégico com representantes da American e da United.
A Abra solicitou participação como terceira interessada no processo que avalia o investimento da American na Azul, mas o pedido foi negado pela Superintendência-Geral do Cade. Segundo informações divulgadas durante o processo, a empresa busca reverter a decisão por meio de recurso.
Estratégia competitiva da United na América Latina
Kirby afirmou que United e American permanecem concorrentes em diversos mercados, mas podem atuar de forma complementar em iniciativas específicas. Segundo ele, a baixa sobreposição das operações das duas companhias na América Latina favorece esse tipo de alinhamento.
“Então, fazer coisas que ajudem cada uma de nós, separadamente, a competir melhor com Delta e Latam é bom para os clientes, bom para nós e bom para os clientes”, disse o executivo.
Questionado sobre a presença de sua principal concorrente como parceira da Azul, Kirby respondeu que não vê conflito na situação. “Não. Podemos ser concorrentes em alguns lugares e parceiros em outros”, afirmou.
Consolidação regional segue no radar

Ao comentar o cenário do transporte aéreo latino-americano, o presidente da United declarou que vê espaço para uma consolidação maior do setor na região. Atualmente, a companhia mantém uma joint venture com a Copa Airlines e possui acordos de parceria com Azul e Avianca.
“Gostaríamos de ver — não tanto por nós, mas pelo bem dessas companhias aéreas — uma consolidação na América Latina. Portanto, estamos dispostos a facilitar isso, se pudermos”, afirmou.
Apesar da avaliação, Kirby disse que a empresa não negocia novas alianças no momento. O executivo também afirmou estar satisfeito com o atual modelo de relacionamento com a Azul, após o encerramento do acordo de exclusividade entre as duas companhias em fevereiro de 2023.
