RIO DE JANEIRO – Os parques naturais brasileiros ganharam destaque no Sindepat Summit hoje, 14. O painel “Parques naturais – Novo momento, promoção internacional e investimentos”, reuniu Alexandre Nakagawa, da Embratur, Pedro Cleto, da Parquetur e da Abrasparques, Leandro Ribas, da Soul Vila Velha, e Renata Mendes, diretora-presidente do Instituto Semeia, responsável pela moderação. O painel discutiu como o Brasil pretende ampliar a visitação em parques nacionais, fortalecer a comercialização no exterior e transformar o turismo de natureza em vetor de geração de renda, empregos e desenvolvimento regional.
Na abertura, Renata Mendes destaca que o Instituto Semeia trabalha desde 2011 para promover os parques naturais brasileiros como motivo de orgulho nacional. Ela afirma que o setor vive um momento de expansão e de maior relevância dentro do turismo brasileiro. “É super importante a gente estar falando desse assunto aqui como negócio, do que a gente tem que estar dando certo, mas do que a gente precisa fazer e pode fazer em conjunto”, afirma.
Segundo ela, a visitação em parques nacionais segue em crescimento e voltou a bater recorde em 2025, alcançando 13,6 milhões de visitas. A projeção do Instituto Semeia é atingir 20 milhões de visitas anuais até 2030, gerando R$ 20 bilhões para a economia brasileira. “Essa é a meta que a gente está conversando com os presidenciáveis para colocar nos programas de governo”, informa.
Renata também anuncia o lançamento de cinco novos roteiros integrados de parques naturais voltados à promoção internacional. O projeto foi desenvolvido em parceria entre o Instituto Semeia e a Embratur após mais de um ano de curadoria técnica. Os roteiros passam a integrar uma plataforma que reúne sete itinerários distribuídos pelas cinco regiões do Brasil, abrangendo 11 estados, 15 parques nacionais e 36 unidades de conservação. Entre os roteiros apresentados estão Amazônia Central, Rota das Emoções, Parques do Cerrado, Montanhas Capixabas, Entre Mar e Montanhas, Canyons do Sul e Caminhos do Peabiru.

Alexandre Nakagawa afirma que a Embratur mudou sua forma de atuação nos últimos anos e passou a trabalhar com metas ligadas à entrada de turistas internacionais e aumento de divisas para o país. Segundo ele, o chamado Plano Brasis reformulou a estratégia de promoção internacional do Brasil ao reconhecer as diferenças regionais do país. “O Brasil não é um só. Não é só samba, não é só carnaval. Ele é carimbó, ele é tacacá, é Brasil do Norte, Brasil do Sul, Centro-Oeste, Nordeste”, aponta. A proposta do plano é descentralizar a promoção do turismo e aproximar a estratégia nacional da realidade dos estados e municípios.
O executivo argumenta que a Embratur passou a atuar como uma “bússola” para orientar os destinos brasileiros sobre mercados prioritários, estratégias de promoção e comercialização internacional. O crescimento do turismo internacional no Brasil, que atingiu mais de 9 milhões de turistas estrangeiros em 2025, ocorre a partir de planejamento e metodologia.
Parques naturais brasileiros, para ele precisam ser tratados como produtos turísticos comercializáveis no exterior. O turismo de natureza deve ir além da promoção institucional e entrar efetivamente nas prateleiras das operadoras internacionais. Ele cita exemplos de destinos que já começam a ganhar força no mercado internacional, como Chapada dos Veadeiros, Lençóis Maranhenses e os parques ligados à Rota das Emoções.
Nakagawa revela que operadores italianos participarão de uma viagem pela Rota das Emoções e que grandes operadores chineses visitarão o Parque Nacional da Tijuca, Parque Nacional do Iguaçu e Lençóis Maranhenses. A estratégia envolve promoção internacional, campanhas cooperadas e aproximação entre operadoras, destinos e receptivos turísticos. “O desafio está aqui dentro também”, afirma ao comentar que muitos operadores brasileiros ainda comercializam poucos destinos de natureza além dos tradicionais.
A necessidade de fortalecer a governança turística regional para ampliar a competitividade internacional dos destinos brasileiros também é destacada. Ele cita o exemplo de Foz do Iguaçu, onde Convention Bureau, secretaria de turismo, aeroporto e atrativos atuam de forma integrada. “Quando você está no internacional, não existe vácuo. Se você bobear, o México pega esse turista”, compara.
Turismo de natureza mira expansão internacional e novos visitantes

Leandro Ribas, da Soul Vila Velha, apresenta o cenário do Parque Estadual de Vila Velha, no Paraná, cuja visitação internacional ainda representa menos de 2% do total recebido pelo parque. O executivo informa que a maior parte do público estrangeiro vem da Argentina e do Paraguai, além de profissionais da Holanda e dos Estados Unidos que visitam a região por motivos corporativos. “Majoritariamente o público local visita o parque”, observa.
A promoção internacional dos parques menos conhecidos pode ajudar visitantes estrangeiros a chegarem aos destinos já familiarizados com as experiências disponíveis. Ribas também aponta a necessidade de preparar os parques para receber turistas internacionais, incluindo sinalização bilíngue, capacitação de equipes e experiências em outros idiomas. “O estrangeiro realmente curte o parque, o estrangeiro curte a natureza”, comenta. Entre os produtos destacados por Ribas está o astroturismo desenvolvido no parque, incluindo atividades em inglês para escolas bilíngues.

A Parquetur opera atualmente parques como Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, Parque Nacional do Itatiaia, Parque Estadual do Ibitipoca, Parque Caminhos do Mar e, futuramente, o Parque Nacional da Chapada dos Guimarães. Pedro Cleto avalia que os parques brasileiros ainda precisam avançar na construção de produtos turísticos integrados, envolvendo hotéis, restaurantes, receptivos e operadores locais: “produtizar e desenvolver.”
O principal desafio para Cleto é ampliar a cultura de visitação de parques entre os próprios brasileiros. “A gente precisa fazer isso como sociedade e descobrir os parques naturais no Brasil”, diz. Segundo ele, apenas cerca de 9% a 10% da população brasileira visita parques anualmente, enquanto nos Estados Unidos o volume de visitação ultrapassa 300 milhões de pessoas. “O nosso principal concorrente é a praia, o brasileiro ainda não descobriu o parque”, afirma. Ele acredita que os parques oferecem elementos semelhantes ao que o brasileiro busca em viagens de lazer, como integração social, cachoeiras, natureza e convivência em grupo.

Renata Mendes destaca que o Brasil possui atualmente 76 parques nacionais, 288 parques estaduais e cerca de 600 parques naturais municipais. Ela cita uma pesquisa da Quaest/Morada Comum que aponta que 45% dos brasileiros consideram a natureza o maior motivo de orgulho nacional. Mesmo assim, a executiva reconhece que ainda falta transformar os parques em referência clara de lazer, turismo e convivência para a população. “Como é que a gente cria essa associação?”, questiona.
A executiva também revela que organizações ambientais, concessionárias e entidades do setor lançarão amanhã um manifesto em defesa do turismo de natureza, direcionado a presidenciáveis e governadores. A iniciativa reúne entidades como WWF, Instituto Semeia, Sindepat, concessionárias e operadores turísticos, com o objetivo de manter o turismo de natureza como prioridade nas políticas públicas dos próximos anos. “Não dá para o Brasil ter o seu maior ativo desconsiderado.”
Outro ponto apresentado durante o painel envolve os impactos econômicos das unidades de conservação, Renata cita um estudo recente que aponta que cada R$ 1 investido em turismo em unidades de conservação gera R$ 16 para o PIB brasileiro. Ela também informa que os parques brasileiros geram mais de 200 mil empregos e têm impacto relevante especialmente em regiões fora dos grandes centros urbanos. “É realmente um caminho de transformação”, declara.
No encerramento, os participantes convergem na avaliação de que o turismo de natureza brasileiro ainda está em fase de estruturação, mas vive uma janela estratégica de crescimento internacional. Nakagawa defende que o Brasil aproveite o momento de maior visibilidade global para fortalecer a promoção dos parques naturais: “Estamos na moda no mundo.” Ele acrescenta que a promoção dos parques precisa incorporar elementos de cultura e identidade nacional.
