Siderley Santos, presidente da Abracorp durante o primeiro painel

SÃO PAULO – O turismo corporativo segue como um dos principais motores da cadeia de viagens no Brasil e deve alcançar R$ 163 bilhões em movimentação econômica em 2026. A projeção foi apresentada nesta quarta-feira (10) por Siderley Santos, presidente da Abracorp, durante o painel sobre o crescimento das viagens de incentivo no Seminário LIDE Turismo, realizado na Casa LIDE, em São Paulo.

Representando o segmento de viagens corporativas, Santos destacou a importância da atividade para o desempenho de companhias aéreas, hotéis, locadoras de veículos e demais empresas ligadas ao setor de turismo. Segundo ele, apesar dos desafios enfrentados pela cadeia produtiva, os indicadores seguem apontando crescimento consistente.

“Hoje são investidos R$ 30,4 bilhões em viagens corporativas no Brasil. Em 2025, esse mercado deve chegar a R$ 147 bilhões e, em 2026, alcançar R$ 163 bilhões. É um crescimento contínuo e que mostra a força do setor”, afirmou.

Durante sua apresentação, o executivo revelou que o Brasil já figura entre os dez maiores mercados globais de viagens corporativas, em um segmento que movimenta cerca de US$ 1,57 trilhão por ano em todo o mundo. Ele também destacou a relevância do viajante corporativo para a sustentabilidade financeira da cadeia turística.

Segundo dados apresentados pela Abracorp, sete em cada dez passageiros transportados pelas companhias aéreas viajam a negócios, enquanto seis em cada dez diárias de hotel têm origem no mercado corporativo. No setor de locação de veículos, metade das reservas é realizada por empresas.

“Quando falamos de turismo corporativo, falamos de uma atividade que sustenta boa parte da receita da aviação e da hotelaria. É um mercado que gera emprego, renda, arrecadação e movimenta toda a cadeia”, ressaltou.

Santos também mostrou os números consolidados das 23 agências associadas à Abracorp. Em 2024, as empresas emitiram cerca de 5 milhões de bilhetes aéreos e registraram mais de 10 milhões de diárias de hotel. O faturamento total do grupo alcançou R$ 13 bilhões, com expectativa de superar R$ 15 bilhões em 2026.

Além dos números, o presidente da entidade destacou uma transformação no perfil das viagens corporativas. Segundo ele, o foco das empresas deixou de estar exclusivamente em custos, logística e eficiência operacional para incorporar aspectos ligados à experiência dos participantes, ao engajamento de equipes e ao fortalecimento da cultura organizacional.

“O retorno sobre a experiência passou a ser tão importante quanto o retorno financeiro. As empresas estão olhando para pertencimento, conexão, propósito e impacto positivo”, afirmou.

Ao comentar os desafios enfrentados pelo setor, Santos criticou a elevada judicialização da aviação, os impactos da reforma tributária e a falta de conhecimento sobre o funcionamento da cadeia de turismo dentro do próprio poder público.

O executivo também apoiou a proposta apresentada anteriormente pelo ex-ministro do Turismo Vinicius Lummertz para a criação de uma agenda integrada do setor. Segundo ele, a iniciativa pode ajudar a organizar demandas comuns e fortalecer o diálogo com o governo federal.

“Precisamos estruturar um projeto para o país. O turismo gera emprego, renda e arrecadação. O que falta é transformar essa força em uma estratégia coordenada de desenvolvimento”, concluiu.