O transporte aéreo brasileiro começou 2026 em expansão, mantendo o embalo de um ano anterior já marcado por recordes. Dados do Ministério de Portos e Aeroportos (MPor), com base no relatório de demanda e oferta da Anac, indicam que mais de 33,5 milhões de passageiros embarcaram em voos domésticos e internacionais no primeiro trimestre, um crescimento de 7,7% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço reforça a retomada consistente da aviação no país e acompanha sinais de melhora da atividade econômica. Ainda assim, o cenário internacional impõe incertezas que podem influenciar o desempenho ao longo do ano, principalmente por conta da pressão sobre os custos operacionais.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, os números são positivos, mas devem ser analisados com cautela. “Sabemos que há uma crise conjuntural e global afetando o preço do querosene de aviação (QAv) e isso pode impactar a movimentação de passageiros aéreos ao longo do ano. Mas este crescimento mostra a importância de adotar as medidas que estamos propondo para minimizar a influência da guerra sobre o valor da tarifa”, avalia o ministro.
Setor aéreo reage à alta do combustível com apoio federal
A alta do querosene de aviação, diretamente impactada por tensões geopolíticas, é hoje um dos principais fatores de pressão sobre as companhias aéreas. Em resposta, o governo federal anunciou um conjunto de medidas emergenciais para conter o repasse de custos ao consumidor.
Entre elas, está a redução a zero das alíquotas de PIS/Cofins sobre o combustível, o que deve gerar uma diminuição de aproximadamente R$ 0,07 por litro. Outra iniciativa permite que as empresas aéreas adiem, até dezembro, o pagamento das tarifas de navegação aérea referentes ao período entre abril e junho de 2026 ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
“Estamos estudando outras medidas para que os passageiros brasileiros não sejam tão prejudicados. Os impactos provavelmente serão sentidos, mas o Governo Federal está atuando para reduzir”, disse Tomé Franca.
Além das ações imediatas, o governo prepara instrumentos financeiros para dar fôlego ao setor. Está prevista a oferta de uma linha de financiamento por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac), voltada à compra de combustível, com limite de até R$ 2,5 bilhões por empresa e risco assumido pelas companhias. A operação será conduzida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Também está em estudo uma linha adicional de crédito para capital de giro no valor de R$ 1 bilhão. As condições e critérios de acesso ainda serão definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com risco compartilhado pela União.
Movimento aéreo cresce com destaque para o internacional
No detalhamento por mercado, o crescimento do setor aéreo no trimestre foi puxado pelas rotas internacionais, que avançaram 13% e somaram mais de 8,3 milhões de passageiros. Já o mercado doméstico registrou alta de 6%, com mais de 25,2 milhões de viajantes.
O desempenho também se reflete no recorte mensal. Em março, foram transportados 10,6 milhões de passageiros, recorde para o período, sendo 8 milhões em voos nacionais e 2,6 milhões em internacionais.
Na comparação com março de 2025, o avanço foi mais moderado, mas ainda positivo: alta de 1,3% no mercado doméstico e de 8,9% no internacional, resultando em crescimento total de 3,1% no mês.
