Pablo Morbis, Presidente do Conselho do Sindepat – Em entrevista exclusiva ao M&E, o presidente do Sindepat comenta sobre desafios regulatórios e projeta expansão do setor (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – O setor de parques e atrações turísticas no Brasil vive um ciclo de expansão após os impactos da pandemia. A avaliação é do presidente da Sindepat, Pablo Morbis, que apresenta durante o Sindepat Summit 2026 os dados da quarta edição do Panorama Setorial da entidade. Segundo ele, o levantamento mostra aumento de investimentos, crescimento no número de projetos e avanço da atividade em todas as regiões do país.

De acordo com Morbis, o mercado contabiliza atualmente cerca de 77 novos atrativos turísticos entre projetos anunciados, obras em andamento e operações previstas para os próximos anos. Os investimentos abrangem diferentes segmentos do setor, como parques temáticos, parques aquáticos e rodas-gigantes, além de ampliações e renovações de atrações já existentes. “É um momento muito especial do setor”, relata.

Parques e atrações turísticas ampliam investimentos no Brasil

O presidente do Sindepat associa esse movimento ao período posterior à pandemia de Covid-19 e aos efeitos do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse), criado pelo governo federal para apoiar empresas afetadas pelas restrições sanitárias. Segundo ele, o setor alcança o ápice do volume de investimentos entre 2023 e 2024, com cerca de R$ 14 bilhões aplicados em novos empreendimentos e expansões. “Nós vemos um apetite muito grande dos investidores do setor, grandes projetos acontecendo”, pontua.

O dirigente destaca ainda que os projetos se espalham por todas as regiões do Brasil e contemplam diferentes modelos de negócios dentro do segmento de parques e atrações turísticas. “Acabamos de lançar aqui no evento números que incluem parques temáticos, parques aquáticos, rodas-gigantes”, informa. O setor, para ele, demonstra capacidade de recuperação após os impactos da pandemia. “Estamos bastante otimistas com o futuro, temos alguns desafios regulatórios importantes, mas, de uma forma geral, nosso mercado é bastante resiliente”, completa.

Durante a entrevista, o presidente do Sindepat também comenta o crescimento do turismo internacional no país. Ele considera que o Brasil já ocupa uma posição mais competitiva no cenário global: “os números que a Embratur divulgou são impressionantes. A gente bateu no ano passado 9,3 milhões de turistas estrangeiros”, relembra e completa dizendo que “o Bruno Reis acabou de anunciar ontem aqui no Sindepat que a expectativa é que passemos de 10 milhões.” Apesar do crescimento, ele reconhece que o fluxo internacional ainda é concentrado em visitantes da América do Sul. Ao mesmo tempo, aponta aumento da participação de turistas norte-americanos.

Porém, mesmo com o avanço do turismo internacional, Morbis afirma que o setor acompanha com preocupação as discussões relacionadas à reforma tributária. “Apesar dela (a reforma tributária) tratar o turismo num regime excepcional com uma alíquota reduzida de 40%, estudos internos nossos indicam que teremos aumento de carga tributária”, alerta. O presidente do Sindepat informa que a entidade acompanha a regulamentação da reforma e busca diálogo com o Congresso Nacional e com a Receita Federal para reduzir impactos sobre as empresas do setor.

O debate sobre a escala 6X1 entra no radar de parques e atrações

Outro tema citado por Morbis é a discussão sobre a redução da jornada de trabalho 6X1 no Brasil. Para ele, o debate precisa considerar as particularidades do turismo, especialmente por se tratar de um setor intensivo em mão de obra e com operação concentrada em fins de semana e períodos de férias. “A redução de jornada é uma tendência mundial, mas precisa de uma discussão técnica”, argumenta.

Segundo o dirigente, o turismo funciona em horários e períodos diferentes de outros segmentos da economia, o que exige regras específicas. “O nosso setor sempre brinca que está trabalhando quando o Brasil está de férias ou no fim de semana.” O presidente do Sindepat relata que a entidade busca participar das discussões sobre a proposta em tramitação no Congresso Nacional e defende um regime de excepcionalidade para o turismo.

Morbis também afirma que mudanças na jornada de trabalho podem impactar diretamente o nível de formalização do setor e aumentar os desafios relacionados à contratação de profissionais. “O turismo representa 8% do PIB nacional, é um dos setores que mais gera emprego e mais faz inclusão social, precisamos garantir a competitividade e manter o nível de empregos formais”, assinala.

A escassez de mão de obra qualificada aparece como outro desafio apontado pelo dirigente. Segundo ele, o problema não atinge apenas o turismo, mas diferentes setores da economia. No caso específico dos parques e atrações turísticas, Morbis explica que muitas empresas atuam como porta de entrada para jovens no mercado de trabalho, absorvendo profissionais sem experiência prévia e oferecendo capacitação interna. “Nós formamos a nossa mão de obra, não buscamos equipe altamente capacitada, é o perfil do nosso mercado”, observa.

Ao comentar as perspectivas para os próximos anos, o presidente do Sindepat afirma que espera continuidade do crescimento do setor, ampliação do número de associados e fortalecimento das parcerias entre empresas do segmento. “Estamos realizando a sétima edição, a maior de todos os tempos, com mais de 500 inscritos”, se alegra. Atualmente, o Sindepat reúne 84 atrativos turísticos e 42 fornecedores. Segundo Morbis, quando a entidade é fundada, em 2003, o número de associados era de apenas 12 empresas.

Para o dirigente, o crescimento do setor depende da entrada de novos empreendedores e da criação de projetos complementares, capazes de ampliar o potencial turístico de uma região. “O que a gente quer é esse mercado crescendo, com novos players, novas ideias e novos projetos, melhorando a experiência da visitação”, afirma.

Ao encerrar a entrevista, Morbis cita uma frase do primeiro presidente do Sindepat, Marcelo Goetzel, para defender a cooperação entre parques e atrações turísticas. “O nosso mercado não tem concorrente, nós somos parceiros do mesmo negócio. Se você tem um parque e coloca outro parque ao lado, você torna os dois um produto muito mais atrativo do que cada um isolado”, conclui.