Cinthia Marques, da ONU Turismo; Lizete Ribeiro, do Tauá Resorts; Rômulo Polari Filho, do Cinep; Alba Coronado, do Acquai Park & Resorts e Marcio Clare, da Terra dos Dinos – Projeto na Paraíba reúne resorts, parques e incentivos para ampliar o turismo (Beatriz Waehneldt/M&E)

RIO DE JANEIRO – O Polo Turístico Cabo Branco entra no centro dos debates do Sindepat Summit 2026 como um dos principais projetos turísticos em desenvolvimento no país. Durante o painel “Destino em Construção: Case Cabo Branco-PB — O poder das atrações como vetor de desenvolvimento”, executivos e representantes do setor público apresentam números, cronogramas e desafios relacionados ao empreendimento localizado em João Pessoa.

Representando a Cinep, Rômulo Polari Filho afirma que os quatro parques já contratados no polo têm capacidade nominal superior a 3,4 milhões de turistas. “Somando mais 1 milhão que estarão hospedados nos hotéis, a gente vê que pode haver circulação de pessoas em um espaço pequeno do território”, declara.

O executivo informa que o polo já contabiliza R$ 3,3 bilhões em investimentos privados. O Estado da Paraíba, segundo ele, assume a responsabilidade pela infraestrutura necessária para viabilizar os empreendimentos. “São 15 mil leitos de hotel, quase 5 mil apartamentos já contratados. Vai mudar realmente a história do Nordeste”, afirma. Ele acrescenta que os investimentos estaduais em infraestrutura se aproximam de R$ 600 milhões. O objetivo é permitir que o empreendedor concentre esforços apenas na implantação do negócio.

O Polo Turístico Cabo Branco se torna o primeiro distrito turístico criado por lei no Brasil, em 2016. Ele explica que o modelo permite legislar especificamente sobre uma área delimitada do território. O executivo explica que o Estado cria mecanismos de incentivo tributário voltados exclusivamente aos empreendimentos instalados no polo. “Criamos um decreto de ICMS isentando 100% das aquisições de materiais para o ativo imobilizado durante a construção do empreendimento. Concreto, bloco, cama, televisão, ar-condicionado. Isso é totalmente isento para produtos comprados na Paraíba”, explica.

Outro ponto destacado por ele envolve o licenciamento ambiental, o próprio Estado conduz parte do processo para garantir maior segurança jurídica aos investidores. Ele também relembra que em março de 2026, foi criada a Política Pública Estadual de Distritos Turísticos, legislação que consolida a experiência adquirida ao longo dos últimos anos no desenvolvimento do Polo Cabo Branco. Segundo ele, o estado registra aumento de 17% no volume de passageiros em 2025, maior taxa do Nordeste. “Antes da pandemia, a gente tinha faturamento de R$ 1,4 bilhão. Fechamos 2025 com R$ 3,6 bilhões”, informa.

Polo Turístico Cabo Branco aposta em parques e resorts para ampliar permanência no destino

Entre os empreendimentos em implantação no polo está o novo resort do Tauá Resorts. Lizete Ribeiro informa que o projeto entra na fase final de obras após dois anos e sete meses de construção. “Nós estamos vivendo junto o hard open. Soft open não existe”, celebra. O empreendimento terá 1.100 apartamentos. A executiva relata que a decisão de investir na Paraíba surge após conversas iniciadas com representantes do governo estadual durante a busca do grupo por áreas no Nordeste.

Lizete conta que o projeto avança em ritmo acelerado. Ela informa que o resort realiza uma operação teste em junho, antes da abertura oficial em julho. “No dia 2 de junho vamos fazer um soft opening só para amigos. De 18 a 21 recebemos novamente para testar o empreendimento. Primeiro de julho oficialmente aberto”, anuncia.

O grupo já emprega mais de 500 pessoas na operação do resort e, segundo ela, a unidade obtém nota 93 na avaliação interna do Great Place to Work. “É uma conjunção da cultura Tauá com a cultura paraibana”, reflete. Lizete atribui o avanço do projeto ao apoio do governo estadual e à articulação entre iniciativa pública e privada. “O que nos gerou hoje na situação que está o Polo Turístico Cabo Branco foi ver a paixão nos olhos do governador e essa vontade de fazer aquele distrito turístico acontecer”, relata.

Representando o Acquaí Park & Resorts, Alba Coronado afirma que o grupo escolhe a Paraíba após analisar o potencial turístico do estado e o planejamento apresentado pelo governo. “Antes de entrar no polo, ninguém acreditava que o projeto ia sair. A gente acreditou nas pessoas que estavam fazendo acontecer”, comenta.

O grupo inicia a construção do parque em 2024 e projeta inauguração parcial em agosto deste ano, com investimento total previsto é de R$ 700 milhões. O complexo, segundo Alba, será dividido em fases e ocupará área de aproximadamente 240 mil metros quadrados. O empreendimento deve contar com parque aquático, resort, áreas temáticas e atrações inspiradas na cultura paraibana e prevê capacidade para 11,5 mil visitantes em operação rotativa e meta de alcançar 1 milhão de visitantes em cinco anos.

Durante a apresentação, Alba compara o desempenho turístico brasileiro com mercados internacionais. A executiva cita a Espanha, que recebe 96 milhões de turistas internacionais por ano, enquanto o Brasil encerra 2025 com 9,3 milhões de visitantes estrangeiros. “O percurso é enorme e o Brasil tem muito a oferecer”, incentiva e relembra do caso de PortAventura, na Espanha, como exemplo de desenvolvimento turístico associado a parques temáticos. “Eles passaram de receber 1 milhão de visitantes para 5 milhões.”

Outro empreendimento confirmado no polo é a Terra dos Dinos. Márcio Clare relata que o sucesso da operação em Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, motiva a expansão para a Paraíba. “Transformamos Miguel Pereira em destino.” Segundo ele, a decisão de investir em João Pessoa ocorre após reuniões com representantes do governo estadual e análise do potencial regional. “Se entregassem metade do que estavam falando, já era suficiente para a gente ir para João Pessoa”, brinca.

Márcio destaca que o parque pretende atuar também na área educacional, com foco em atividades voltadas para escolas e educação ambiental. “Temos preocupação de não apenas um parque lúdico”, relata.

Durante o painel, os participantes discutem gargalos enfrentados pelo setor. Lizete Ribeiro aponta o custo do capital como um dos principais desafios para empreendimentos turísticos no Brasil e menciona ainda a importância do Banco do Nordeste na viabilização financeira de projetos turísticos na região.

Alba Coronado também cita dificuldades relacionadas à burocracia e à mão de obra. Segundo ela, o crescimento simultâneo de vários empreendimentos dificulta a contratação de trabalhadores qualificados para a construção civil.

Rômulo Polari Filho afirma que um dos maiores desafios do governo estadual é mudar a percepção do mercado sobre a Paraíba. Ele lembra que João Pessoa historicamente aparecia em segundo plano no turismo regional, mas afirma que esse cenário começa a mudar com o crescimento econômico e turístico do estado. “Hoje, todo mundo pergunta o que está acontecendo na Paraíba”, comenta.

Ao falar sobre o futuro do Polo Cabo Branco, Alba Coronado afirma que o diferencial do destino estará ligado à identidade regional e destaca que os projetos em desenvolvimento incorporam referências culturais da Paraíba, como cordel, sertão, arte regional e elementos ligados ao Nordeste. Márcio Clare acrescenta que o objetivo é ampliar o tempo de permanência do visitante no destino, integrando hotéis, parques e experiências turísticas. Lizete Ribeiro também projeta reconhecimento internacional para o complexo nos próximos anos.

Rômulo Polari Filho encerra a discussão dizendo que o Polo Cabo Branco representa uma transformação econômica baseada no turismo. “Vai ser a virada de chave econômica do estado através do turismo”, conclui. O executivo afirma ainda que o governo pretende priorizar a instalação de novos equipamentos turísticos voltados ao turismo familiar, incluindo parques e atrações temáticas, reforçando a estratégia de transformar o polo em um complexo integrado de entretenimento e hospedagem.