Visita apresenta impacto da escola na cultura, educação e turismo da cidade (Beatriz Waehneldt/M&E)

JOINVILLE (SC) – A programação oficial do Encontro de Presidentes das Abavs Estaduais e da Diretoria da Abav Nacional, realizado entre os dias 1º e 5 de julho, incluiu nesta sexta-feira (3) um roteiro cultural guiado pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil. A visita, promovida pela Abav Nacional em parceria com a Secretaria de Turismo de Joinville e Região Convention & Visitors Bureau, com apoio institucional da Abav-SC, apresentou aos participantes a estrutura da instituição, seu modelo educacional, impacto social, empregabilidade dos alunos e a importância do equipamento para o turismo da cidade.

Os participantes do encontro participaram de um roteiro guiado pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, considerada um dos principais atrativos turísticos da cidade e referência na formação de bailarinos profissionais. A proposta foi apresentar aos participantes a relação entre cultura, educação e turismo por meio da história da única filial do Teatro Bolshoi fora da Rússia.

Antes da chegada à instituição, a Vice-presidente da Abav Nacional, Maria Conceição Junkes, contextualizou a importância da dança para Joinville, destacando que o município concentra iniciativas voltadas à dança e arte. Ela cita o Festival de Dança de Joinville, o Memorial da Dança e projetos educacionais desenvolvidos nas escolas públicas. Segundo ela, a cidade respira dança durante o mês de julho e reúne iniciativas que fortalecem essa identidade cultural.

Ao chegar à instituição, os participantes foram recebidos pela coordenadora do Núcleo de Comunicação da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, Albenize Ballen Bueno, que ressaltou a relevância da escola para o turismo local. “Joinville tem belezas naturais e turismo rural, mas tudo o que envolve a dança é um dos nichos mais importantes da cidade, que é reconhecida como Capital Nacional da Dança.”

Letícia, da área de Relações Institucionais da instituição, apresentou detalhes da criação da escola, da metodologia de ensino e da estrutura oferecida aos alunos. Ela explicou que a história da filial brasileira começou em 1996, quando o então diretor do Teatro Bolshoi, Alexander Bogatyrev, esteve em Joinville durante o Festival de Dança e apresentou ao então prefeito Luiz Henrique da Silveira o sonho de criar uma unidade internacional da escola.

Segundo Letícia, Bogatyrev faleceu em 1998 e não chegou a acompanhar a inauguração da unidade, aberta oficialmente em março de 2000. Sua esposa, a bailarina Galina Kravchenko, mudou-se para Joinville e atuou como professora da escola até 2018.

Conheça a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil

Durante o percurso, os participantes conheceram a estrutura que ocupa cerca de seis mil metros quadrados e reúne salas de balé, estúdios de música, biblioteca, núcleo de saúde, laboratórios cênicos, espaços culturais e ambientes destinados ao acompanhamento pedagógico dos estudantes. Todos os alunos do curso técnico recebem bolsas de estudo, alimentação, transporte, uniformes, figurinos, atendimento fisioterápico, assistência odontológica preventiva, acompanhamento nutricional, orientação pedagógica, assistência social e suporte médico de urgência.

A permanência no projeto depende não apenas do desempenho artístico, mas também do rendimento escolar. Todas as crianças precisam estar matriculadas na escola regular e as notas são acompanhadas constantemente. “Quando há dificuldades, existe acompanhamento pedagógico e psicológico. Se o aluno não concluir o ensino médio, também não recebe o certificado do Bolshoi reconhecido pelo MEC”, revela Albenize.

Atualmente, a Escola do Teatro Bolshoi no Brasil atende aproximadamente 260 estudantes provenientes de 25 estados brasileiros e do Distrito Federal. Parte dos alunos também chega de países vizinhos, como Paraguai, Peru e Uruguai. A visita apresentou ainda a logística necessária para manter o funcionamento da instituição. Os estudantes permanecem entre 12 e 13 horas por dia sob acompanhamento da escola, conciliando a formação artística com a educação regular.

Segundo Albezine, cerca de 25% dos alunos moram em casas sociais mantidas por famílias parceiras ou iniciativas públicas, já que muitos se mudam sozinhos para Joinville ainda crianças. Ela destacou um exemplo desenvolvido em parceria com a Prefeitura de João Pessoa, que mantém uma casa social destinada aos estudantes paraibanos aprovados no processo seletivo da instituição.

A seleção nacional percorre diversas cidades brasileiras em busca de crianças com perfil físico adequado para a formação clássica. Milhares de candidatos disputam cerca de 40 vagas oferecidas anualmente para a primeira série do curso técnico, divididas igualmente entre meninas e meninos. Segundo a equipe, não é necessário possuir experiência prévia em dança. “A técnica eles aprendem aqui. O que avaliamos é o biotipo, a coordenação motora e as características físicas compatíveis com a metodologia do balé.”

A estrutura de apoio à saúde também foi apresentada aos visitantes e reúne fisioterapeutas, nutricionista, preparador físico e acompanhamento psicológico para prevenir lesões e acompanhar o desenvolvimento dos estudantes ao longo dos oito anos de formação. O preparador físico Marlon, ex-aluno da instituição, explicou que todo o treinamento é adaptado à idade e à fase de desenvolvimento dos bailarinos. A escola acompanha eventuais casos de transtornos alimentares, afastando temporariamente alunos quando necessário para garantir o tratamento adequado.

O Bolshoi tem alta taxa a empregabilidade dos alunos formados

De acordo com a equipe do Bolshoi, a escola já diplomou mais de 500 bailarinos desde sua criação e cerca de 73% deles atuam profissionalmente na dança em companhias distribuídas por 29 países e cinco continentes. “Muito além de formar bailarinos, estamos formando cidadãos. Eles aprendem disciplina, foco, determinação e trabalho em equipe, competências que levam para qualquer profissão”, diz Albenize.

Entre os exemplos apresentados por Albenize está o de Jovani Furlan, apontado pela equipe como o primeiro brasileiro a integrar o elenco do New York City Ballet. Também foram citados Amanda Gomes e Wagner Carvalho, que atualmente atuam na Ópera de Kazan, na Rússia, além de outros ex-alunos que seguiram carreira em companhias da Alemanha, Estados Unidos e diversos países da Europa. “São histórias que começaram aqui e mostram o impacto desse trabalho.”

Os visitantes também conheceram a Companhia Jovem da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, criada em 2008 para proporcionar a transição entre a formação técnica e o mercado profissional. Segundo a instituição, os bailarinos passam a atuar em apresentações pelo Brasil enquanto participam de audições para companhias nacionais e internacionais.

A manutenção das atividades ocorre por meio de recursos provenientes da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do apoio do Governo de Santa Catarina, da cessão do espaço pela Prefeitura de Joinville e da participação de empresas e pessoas físicas que integram o programa Amigos do Bolshoi. Durante a apresentação, Albenize reforçou a importância dos incentivos fiscais para garantir a continuidade do projeto. Cada estudante representa um investimento anual entre R$ 45 mil e R$ 50 mil, enquanto o custo operacional da escola gira em torno de R$ 15 milhões por ano.

A escola também apresentou aos visitantes seu papel como atrativo turístico

A instituição recebe diariamente estudantes, bailarinos e turistas em visitas monitoradas, nas quais são apresentados a história do Bolshoi no Brasil, os espaços da escola e o funcionamento do projeto. Ao longo do percurso, os visitantes conheceram salas de balé, estúdios de piano, espaços destinados às disciplinas teóricas, biblioteca, setor de alimentação, laboratórios cênicos e o núcleo de saúde.

A equipe lembrou ainda o projeto “Passeio Virtual por Joinville, a Cidade da Dança”, plataforma em tecnologia 3D que reúne pontos turísticos do município associados a apresentações de balé. A iniciativa busca ampliar a divulgação da história da cidade e incentivar o turismo cultural por meio da experiência digital.

O uniforme utilizado pelos estudantes durante a cerimônia de ingresso e de formatura também foi apresentado. Segundo Albenize, o traje simboliza o início e o encerramento do ciclo de oito anos de formação profissional. “Na primeira série eles entram usando esse uniforme com um lenço no pescoço. Quando concluem o curso, voltam a vesti-lo para retirar o lenço, momento que simboliza a passagem de aluno para profissional.”

Albezine também apresentou a história de um casal de apoiadores da instituição que decidiu incluir a escola em seu testamento. Durante uma visita de bailarinos à residência da família, a esposa, diagnosticada com Alzheimer, reconheceu a música e a apresentação. Segundo Albenize, o episódio reforçou o papel da arte na vida das pessoas. “Foi um momento que mostrou como a música e a dança podem despertar memórias e emoções.”

Durante toda a visita, representantes da instituição reforçaram que a presença do Bolshoi contribui para consolidar Joinville como destino voltado ao turismo cultural, educacional e de eventos, especialmente durante o Festival de Dança, quando milhares de visitantes chegam ao município.

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