Visita da Abav destaca impacto do Musicarium no fluxo turístico da cidade (Beatriz Waehneldt/M&E)

JOINVILLE (SC) – Durante a programação do Encontro de Presidentes das Abavs Estaduais e da Diretoria da Abav Nacional, agentes, dirigentes e representantes do turismo conheceram o Musicarium neste sábado (4). A visita apresentou o modelo de formação musical da instituição, os resultados obtidos desde 2017 e o projeto da futura Academia e Concert Hall, empreendimento previsto para ampliar a capacidade de atendimento, atrair visitantes e consolidar a cidade como destino de turismo cultural.

A visita permitiu que representantes de agências de viagens, dirigentes estaduais e lideranças do setor conhecessem de perto um projeto que une formação musical, impacto social e desenvolvimento do turismo cultural. A instituição recebeu o grupo para apresentar sua estrutura, a metodologia de ensino e, principalmente, os planos para a construção da futura Academia Concertante e Concert Hall, empreendimento que deverá ampliar a capacidade de atendimento e transformar o espaço em um novo atrativo para visitantes nacionais e internacionais.

O empreendimento será formado por dois edifícios interligados: a Academia de Música, projetada para atender cerca de 500 alunos, e o Concert Hall, com capacidade para aproximadamente 700 espectadores. O complexo ocupará uma área de 4.870,90 metros quadrados na Rua Ottokar Doerffel, no bairro Cidade das Águas, em um terreno doado pelo Grupo HPB – Hansen Pedra Branca. A proposta é criar um ambiente voltado à formação musical, à realização de concertos e à integração da comunidade por meio de atividades gratuitas.

O projeto Musicarium começou em 2017

Ao receber a comitiva, o diretor-presidente do Musicarium, maestro Sérgio Ogawa, relembra que o projeto começa em 2017 com um objetivo específico: formar músicos profissionais de orquestra a partir de crianças e adolescentes, muitos deles oriundos da rede pública de ensino e sem condições de custear instrumentos ou aulas particulares. “Começamos do zero, em 2017, acreditando que era possível formar músicos profissionais de orquestra a partir de crianças da rede pública. Hoje alguns alunos já estudam na Europa e outros fazem intercâmbio internacional”, relata.

Durante a apresentação, Ogawa explica que o Musicarium funciona atualmente em um espaço cedido por uma escola internacional. O teatro utilizado para ensaios recebeu adaptações acústicas para atender às necessidades da orquestra, enquanto salas de aula são compartilhadas com a instituição de ensino. Mesmo com limitações de espaço, o projeto reúne atualmente cerca de 180 alunos e mantém um corpo docente especializado na formação orquestral.

A proposta vai além do ensino de um instrumento: todos os estudantes também recebem formação em piano, idiomas e disciplinas complementares que os preparam para atuar profissionalmente em orquestras brasileiras e internacionais. Segundo o maestro, esse modelo de formação busca preencher uma lacuna existente no país. “No Brasil existem poucos centros dedicados especificamente à formação de músicos profissionais de orquestra. Nosso objetivo sempre foi criar uma academia orquestral voltada para esse desenvolvimento.”

O crescimento do projeto levou à criação de diferentes formações musicais, como a Orquestra Kids, a Orquestra Jovem e a atual orquestra de alta performance, que já realizou apresentações em diversos estados brasileiros e também no exterior. A turnê europeia realizada em 2024 foi um dos marcos apresentados aos participantes da Abav. Mais de 30 jovens músicos passaram por cidades da Suíça, Alemanha e Holanda, realizaram concertos, participaram de intercâmbios e visitaram instituições de ensino musical. “Foi um divisor de águas para esses jovens. Muitos nunca tinham saído da região onde vivem e passaram a conhecer universidades, conservatórios e salas de concerto de referência.”

Além das apresentações, os estudantes participaram de atividades com conservatórios europeus, assistiram a aulas técnicas e estabeleceram contatos que seguem gerando novas oportunidades de cooperação internacional. A próxima etapa inclui turnês previstas para Estados Unidos e Japão, já em fase de preparação.

Concert Hall Musicarium será um aparato turístico

O futuro Concert Hall foi concebido também para funcionar como um equipamento turístico permanente. O projeto prevê uma sala de concertos com padrão internacional, áreas de estudo, museus, espaços expositivos, estúdios de gravação, ambientes para eventos corporativos e uma praça preparada para transmissões públicas de apresentações musicais. A intenção é criar um espaço que receba não apenas concertos do Musicarium, mas também orquestras brasileiras e internacionais.

O projeto acústico está sendo desenvolvido pela empresa japonesa Nagata Acoustics, responsável por salas de concerto em diferentes países. A empresa acumula projetos em algumas das principais salas de concerto do mundo, como a Philharmonie de Paris, a Elbphilharmonie, em Hamburgo, e o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles. O Musicarium mantém contato com a empresa desde 2018 para o desenvolvimento técnico da futura sede.

A arquitetura é assinada pela Metroquadrado Arquitetura. Segundo ele, a estrutura deverá ampliar significativamente a capacidade da instituição. Hoje o Musicarium atende aproximadamente 180 estudantes. Com a nova sede, a expectativa é ultrapassar 600 alunos e formar também uma orquestra filarmônica profissional em Joinville. Além da expansão educacional, o empreendimento deverá gerar impacto econômico para a cidade. O maestro afirma que a previsão é criar mais de 300 empregos diretos ligados às atividades musicais, administrativas, técnicas e culturais, consolidando um novo segmento da economia criativa no município.

A proposta também dialoga diretamente com o turismo de eventos. Durante a apresentação, Ogawa menciona que o complexo permitirá a realização de concertos exclusivos para empresas, encontros corporativos, ações de relacionamento com clientes e grandes festivais. Agências de viagens presentes na visita também foram convidadas a desenvolver produtos ligados ao equipamento cultural. “Empresas poderão realizar eventos, oferecer concertos para clientes e integrar essa experiência aos seus produtos”, afirma.

Mesmo antes da nova sede, o Musicarium já realiza concertos gratuitos e festivais que atraem público de diferentes regiões do país. Muitos visitantes que chegam a Joinville durante o Festival de Dança aproveitam a estadia para assistir às apresentações da instituição. Esse movimento reforça uma tendência observada pelo setor turístico: a ampliação da permanência dos visitantes por meio da oferta de atrações culturais além dos grandes eventos tradicionais da cidade.

Musicarium busca devolver a autoestima para os jovens

A gerente de Recursos Financeiros e Captação do Musicarium, Karla Flores, também apresenta aos integrantes da Abav a estrutura utilizada atualmente pela instituição. Ela explica que seis salas são destinadas exclusivamente ao projeto e que, no período noturno, outras dependências da escola são utilizadas para atender os alunos.

Segundo Karla, o espaço atual limita o crescimento da instituição, motivo pelo qual a construção do novo complexo tornou-se prioridade. Ela também detalha a preparação oferecida aos estudantes antes das viagens internacionais. Além do aperfeiçoamento musical, os jovens recebem aulas de idiomas, orientações sobre viagens internacionais, comportamento em aeroportos, hotéis e apresentações em diferentes países. “Não basta preparar tecnicamente. Também trabalhamos o aspecto emocional para que eles se sintam capazes de ocupar esses espaços.”

Ela relata que muitos estudantes conviviam com baixa autoestima antes das experiências internacionais e que o contato com novos públicos fortaleceu a confiança dos participantes. Os resultados apareceram durante os concertos realizados na Europa, quando o grupo recebeu reconhecimento tanto do público brasileiro residente no exterior quanto de espectadores locais.

*O Mercado & Eventos viaja com cobertura GTA e mala Camaleon.

Fotos por: Beatriz Waehneldt/M&E