Seja acorrentado a uma roda em chamas, transformado em aranha ou tendo o fgado devorado por uma guia, a mitologia grega est repleta de histrias de deuses infligindo horrores terrveis aos mortais que os enfureceram. Contudo, um de seus castigos mais famosos no lembrado por sua crueldade extrema, mas por sua perturbadora familiaridade que se tornou tema de livros e de uma multipremiada animao, indicada ao Oscar em 1974. Afinal, quem foi Sisifo e por qual motivo ele mereceu um castigo to absurdo? |

Criado pelo Gemini.
Ssifo foi o primeiro rei de fira, hoje conhecido como Corinto. Embora um governante astuto que tornou sua cidade prspera, ele tambm era um tirano ardiloso que seduziu sua sobrinha e matou visitantes para exibir seu poder.
Essa violao da sagrada tradio da hospitalidade enfureceu profundamente os deuses. Mas Ssifo talvez ainda tivesse escapado do castigo se no fosse por sua confiana imprudente.
O problema comeou quando Zeus raptou a ninfa Egina, levando-a consigo na forma de uma guia gigantesca. O pai de Egina, o deus-rio Asopo, seguiu seus rastros at fira, onde encontrou Ssifo.
Em troca do deus criar uma fonte dentro da cidade, o rei contou a Asopo para onde Zeus havia levado a jovem. Quando Zeus descobriu, ficou to furioso que ordenou a Tnatos, ou a Morte, que acorrentasse Ssifo no submundo para que ele no causasse mais problemas.
Mas Ssifo fez jus sua reputao de ardiloso. Quando estava prestes a ser aprisionado, o rei pediu a Tnatos que lhe mostrasse como as correntes funcionavam, e rapidamente o acorrentou, antes de escapar de volta ao mundo dos vivos.
Com Tnatos preso, ningum podia morrer, e o mundo mergulhou no caos. As coisas s voltaram ao normal quando Ares, o deus da guerra, irritado pelas batalhas no serem mais divertidas, libertou Tnatos de suas correntes.
Ssifo sabia que seu julgamento estava prximo. Mas ele tinha um truque na manga. Antes de morrer, pediu sua esposa Mrope que jogasse seu corpo na praa pblica, de onde acabou sendo levado pelas ondas at as margens do rio Estige.
De volta ao mundo dos mortos, Ssifo aproximou-se de Persfone, rainha do Submundo, e queixou-se de que sua esposa o havia desrespeitado ao no lhe dar um enterro digno.
Persfone concedeu-lhe permisso para retornar ao mundo dos vivos e punir Mrope, com a condio de que ele voltasse quando terminasse. claro que Ssifo se recusou a cumprir sua promessa, tendo escapado da morte duas vezes enganando os deuses.
No haveria uma terceira vez, pois o mensageiro Hermes arrastou Ssifo de volta para o Hades. O rei pensara que era mais esperto que os deuses, mas Zeus daria a ltima risada.
O castigo de Ssifo era uma tarefa simples: rolar uma enorme pedra at o topo de uma colina. Mas, assim que se aproximava do topo, a pedra rolava de volta para baixo, forando-o a recomear… e recomear, e recomear, por toda a eternidade.
Historiadores sugerem que a histria de Ssifo pode ter origem em antigos mitos sobre o nascer e o pr do sol, ou outros ciclos naturais. Mas a imagem vvida de algum condenado a repetir indefinidamente uma tarefa ftil ressoa como uma alegoria sobre a condio humana.
Em seu clssico ensaio “O Mito de Ssifo“, o filsofo existencialista Albert Camus comparou o castigo busca ftil da humanidade por significado e verdade em um universo sem sentido e indiferente.
Em vez de se desesperar, Albert imaginou Ssifo enfrentando seu destino com desafio enquanto descia a colina para comear a rolar a pedra novamente.
Albert identificou Ssifo como o “heri do absurdo” e forneceu o material criativo para uma animao de tirar o flego, criada por Marcell Jankovics em 1974.
O filme, observa a legenda que acompanha a animao no YouTube, apresentado em um nico plano-sequncia, consistindo em um desenho dinmico de Ssifo, a pedra e a encosta da montanha.
A pequena obra-prima de Marcel foi, merecidamente, indicada ao Oscar de Melhor Curta-Metragem de Animao na 48 edio do prmio.
A verdade que o “O Mito de Ssifo” guarda uma relao muito prxima com a natureza humana: mesmo que as lutas dirias de nossas vidas s vezes paream igualmente repetitivas, entediantes e absurdas, ainda assim lhes damos significado e valor ao abra-las como nossas.
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