O Governo de Pernambuco apresentou, nesta terça (5), os resultados do primeiro Censo Cultural do estado e lançou o site do Observatório de Indicadores Culturais e Inovação em Dados (ObIC).
As ações inauguram um ciclo de produção e difusão de informações estruturadas, com o objetivo de qualificar o planejamento, acompanhamento e avaliação das políticas públicas voltadas à cultura.
Realizado pela Secretaria de Cultura (Secult-PE), o Censo oferece um diagnóstico amplo sobre o campo cultural pernambucano, reunindo dados sobre agentes, equipamentos, territórios e dinâmicas de produção.
Já o Observatório concentra essas informações em uma plataforma digital, com painéis interativos, relatórios analíticos e bases de dados que permitem leitura detalhada do setor.
Para a secretária de Cultura, Cacau de Paula, a iniciativa representa uma mudança de paradigma. “É um projeto inédito no nosso estado”, afirmou.
Segundo ela, a sistematização dos dados possibilita mensurar impactos e aprimorar decisões. “Com isso, a gente consegue ter políticas públicas mais assertivas, entender o nosso setor, pensar o nosso setor antes de lançar cada edital.”
Mapeamento e governança
O Censo Cultural foi concebido como uma ferramenta estratégica para identificar quem produz cultura em Pernambuco, onde essas atividades se concentram e quais suas características.
A secretária executiva de Cultura, Yasmin Neves, destacou o papel do mapeamento. “Quando a gente traz o Censo Cultural, é muito nesse lugar: identificar quem está fazendo a Cultura, onde estão fazendo a Cultura e como estão fazendo a Cultura”.
A partir desses dados, a gestão pública passa a contar com subsídios técnicos para reduzir desigualdades territoriais e direcionar investimentos de forma mais equilibrada.
“Quando a gente olha pro Censo Cultural e transforma isso em relatórios, a gente entende onde estamos acertando e onde a gente precisa acertar”. Os dados do Censo Cultural de Pernambuco estão disponíveis em aqui.
Plataforma e acesso público
O Observatório de Indicadores Culturais e Inovação em Dados foi desenvolvido como uma ferramenta permanente de acompanhamento do setor. O site (obic.secult.pe.gov.br) reúne painéis com visualizações dinâmicas, além de estudos, pesquisas e conteúdos analíticos que facilitam a interpretação dos dados.
A proposta é ampliar a transparência e democratizar o acesso às informações, permitindo que gestores, pesquisadores e a sociedade acompanhem a evolução dos indicadores culturais.
Números
O 1º Censo Cultural de Pernambuco alcançou 159 municípios e contabilizou 4.014 agentes culturais, além de mapear 147 equipamentos, como museus, galerias, teatros e cinemas. Os dados indicam descentralização da atividade cultural: o Sertão lidera com 1.284 agentes (32%), seguido pelo Agreste (1.010; 25,2%), Região Metropolitana do Recife (987; 24,6%) e Zona da Mata (733; 18,3%).
No perfil dos participantes, 66,8% se identificam como pessoas negras (pretas e pardas), 27,4%, como brancas e 3,2%, como indígenas. Homens cisgênero representam 52,9%, enquanto mulheres cisgênero somam 39,3%. Pessoas LGBTQIA+ correspondem a 21%, e 3,9% se declararam pessoa com deficiência.
Entre as áreas de atuação, destacam-se Música (21,8%), Cultura Popular (18,8%), Artesanato (18,7%), Audiovisual (7,6%) e Literatura (6,9%). Já entre os equipamentos culturais, predominam museus (38,8%) e galerias de arte (28,6%).
