Alta de passagens aéreas foi de 17,8% em um ano, mesmo com queda no querosene de aviação (Divulgação)

O custo das viagens aéreas no Brasil voltou a pressionar o bolso do consumidor em março de 2026. De acordo com dados divulgados pela Agência Nacional de Aviação Civil, o preço médio das passagens chegou a R$ 707,16, já corrigido pela inflação medida pelo IPCA. O valor representa alta de 17,8% em relação ao mesmo período do ano passado.

O levantamento considera apenas a tarifa aérea base, sem incluir cobranças adicionais, como despacho de bagagem ou marcação de assento. Também ficam de fora eventuais promoções oferecidas pelas companhias, o que ajuda a dimensionar o comportamento estrutural dos preços no setor.

Outro indicador relevante, o custo médio por quilômetro voado, alcançou R$ 0,5549, avanço de 19,4% na comparação anual. Apesar disso, um dos principais insumos da aviação apresentou movimento oposto no período: o querosene de aviação foi comercializado a R$ 3,60 por litro em março, queda de 13,7% frente ao mesmo mês de 2025.

Segundo a agência reguladora, a oscilação segue dentro do padrão histórico da aviação, mesmo em meio a pressões externas que afetam o mercado global. A Anac destaca ainda que, em termos reais, a tarifa média mantém trajetória de queda desde 2023, apesar de variações pontuais ao longo dos meses.

Esse cenário, no entanto, pode sofrer mudanças relevantes nos próximos resultados. No início de abril, a Petrobras anunciou um reajuste superior a 50% no preço do querosene de aviação, atribuído à defasagem acumulada e ao avanço das cotações internacionais do petróleo, influenciadas por tensões geopolíticas.

Diante da elevação do combustível, principal componente de custo das companhias aéreas, projeções da equipe econômica do governo federal apontam para uma possível alta de até 20% nas passagens nos próximos meses. Como tentativa de conter os impactos, foram anunciadas medidas como o adiamento de tarifas e a abertura de linhas de crédito para o setor.

Os dados mais recentes ainda não refletem esse reajuste. Em março, a distribuição dos preços mostra que 45,4% dos bilhetes foram vendidos por menos de R$ 500, enquanto apenas 8,2% superaram R$ 1.500, indicando que, apesar da média elevada, ainda há oferta relevante em faixas mais acessíveis.