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Rodovia das Cataratas enfrenta críticas após anos de obras

Rodovia das Cataratas enfrenta críticas após anos de obras

A situação da Rodovia das Cataratas, que se arrasta há quase quatro anos, já ultrapassou o campo da engenharia e entrou definitivamente na esfera pública, com críticas recorrentes de moradores, empresários e profissionais da imprensa local. O que deveria ser uma intervenção estruturante para o principal acesso turístico de Foz do Iguaçu passou a simbolizar entraves operacionais, riscos à mobilidade e perda de eficiência logística.

A insatisfação com a Rodovia das Cataratas resultou em uma série de manifestações de lideranças, entre elas jornalistas que acompanham de perto os desdobramentos das obras. O próprio DIÁRIO DO TURISMO, quando esteve em Foz do Iguaçu em 2024, questionou autoridades sobre as obras da Perimetral Leste de Foz, que liga o aeroporto à cidade. (confira MATÉRIA). Agora, um novo posicionamento é da jornalista Silvana Canal, de Foz do Iguaçu, que enviou ao DT o artigo a seguir, no qual questiona a demora e os efeitos dessas intervenções sobre o cotidiano da cidade e sua economia.

Descaso com a funcionalidade e o custo humano das obras em Foz do Iguaçu

Silvana Canal

Foz do Iguaçu parece ter chegado a um ponto crítico onde a responsabilidade é diluída: todos são culpados e, ao mesmo tempo, ninguém consegue assumir a conta. O que vemos hoje é o resultado de obras executadas a custos altíssimos, tanto financeiros quanto humanos. O último feriado prolongado (21 de abril), que deveria ser um momento de celebração e faturamento para o setor, foi, na verdade, uma catástrofe logística, expondo as veias abertas de uma cidade que cresce à revelia de quem nela vive e trabalha.

O acesso ao Marco das Três Fronteiras é exemplo desse “desconforto planejado”. Sem largura suficiente, sem calçadas para pedestres e carente de estacionamentos, o local transformou o descanso do visitante em um teste de paciência. Mas o cenário piora quando olhamos para a Rodovia das Cataratas.

Ocupando o posto de único acesso ao nosso maior patrimônio, as obras na Rodovia das Cataratas arrastam-se há quase quatro anos. O resultado? Uma intervenção com pouca funcionalidade, perigoso e ignorando o trabalhador e o turista. O que era para ser um corredor turístico tornou-se um amontoado de viadutos desnecessários que isolam os lados da pista.

“Atualmente, pedestres — sejam idosos, jovens ou grávidas — precisam pular muretas para atravessar a rodovia de um lado a outro, arriscando a vida entre carros em alta velocidade. Não se pensou sequer nos pontos de ônibus, obrigando o transporte coletivo a parar na pista, colocando todos em risco”, observa-se no cotidiano da rodovia.

Foto da Perimetral Leste, tirada há 8 meses (Crédito: Paranpa.pr.gov.br)

A Perimetral Leste segue a mesma trilha de mau acabamento.

Acessos perigosos e mal planejados têm sido palco de acidentes constantes, provando que a pressa ou o desconhecimento da realidade local por empresas que vêm de fora custam caro. Até mesmo o viaduto de entrada da cidade, onde muitos posaram para fotos, hoje é visto como um “paredão” que, em vez de dar as boas-vindas com a monumentalidade que Foz merece, parece proibir o visitante de entrar.

A política das inaugurações intermináveis

Em um ano eleitoral, são feitas inaugurações a cada trecho terminado. São celebrações de projetos que, na prática, destroem a estética urbana e a mobilidade.

Precisamos questionar a nossa própria servidão diante desses investimentos. Foz do Iguaçu não pode mais aceitar passivamente obras que desfiguram sua beleza natural em troca de um progresso de concreto mal planejado. Antes de dizer “sim” a novos projetos, a sociedade precisa exigir saber o quê, por quem e a que custo real essas intervenções serão feitas. Caso contrário, seremos eternos reféns de um amontoado de concreto que nos envergonhará pelas próximas gerações.

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