Labace 2026 reunirá fabricantes, operadores e fornecedores em meio ao crescimento da frota brasileira e ao avanço da demanda
O Campo de Marte recebe novamente a Labace em um momento de expansão da frota brasileira e aumento da demanda por aeronaves, manutenção, peças, infraestrutura e serviços especializados, reunindo fabricantes, distribuidores, operadores, oficinas, empresas de comércio exterior e fornecedores de diferentes segmentos da aviação geral.
Promovida pela Associação Brasileira de Aviação Geral (ABAG), o evento terá três dias de exposição estática, encontros comerciais e apresentação de produtos e serviços voltados à aviação de negócios. O contexto econômico ajuda a explicar as expectativas em torno da edição de 2026. Segundo dados apresentados pela ABAG, a frota brasileira de aviação de negócios cresceu 5,1% nos últimos 12 meses.
“O mercado da aviação de negócios continua em expansão. Os dados mais recentes revelam que a maior alta foi no número de jatos, que aumentou 14,8% em relação a março de 2025”, disse Flávio Pires, CEO da ABAG.
O levantamento considera uma frota de 11.375 aeronaves de aviação de negócios. De acordo com a associação, aproximadamente seiscentos aviões e helicópteros ingressam anualmente no mercado brasileiro. O movimento não se limita à venda de aeronaves, pois, cada novo equipamento incorporado gera demanda recorrente por manutenção, componentes, aviônicos, seguros, treinamento, combustível, hangaragem, atendimento aeroportuário e serviços financeiros e aduaneiros.
O Brasil permanece como o segundo maior mercado mundial de aviação geral em número de aeronaves, atrás apenas dos Estados Unidos. A extensão territorial, a concentração da aviação comercial em um número limitado de cidades e a participação de setores como agronegócio, mineração e óleo e gás ajudam a sustentar a utilização de aviões e helicópteros como instrumentos de mobilidade e produtividade. A ABAG calcula que a aviação geral alcança cerca de cinco mil localidades entre aeroportos, aeródromos privados e helipontos.
O agronegócio deverá ter presença relevante na feira. Em maio, o país contabilizava 2.158 aeronaves agrícolas operacionais, crescimento de 4,2% em 12 meses, segundo dados organizados pela ABAG. A frota de turboélices empregada no transporte de passageiros e cargas, categoria particularmente utilizada por empresas que precisam acessar pistas curtas ou não pavimentadas, avançou 7,1%.
“A aviação do agronegócio é um dos pilares da produtividade e da competitividade desse setor. O crescimento contínuo da frota demonstra a importância estratégica desse segmento para o país, e a Labace é o ambiente para que produtores rurais, operadores e empresários do agro tenham acesso às mais recentes inovações em aeronaves, tecnologias, serviços e soluções para aumentar a eficiência de suas operações”, afirmou Pires.
A expectativa é que a Labace 2026 possa superar US$ 200 milhões em negócios. A projeção deverá ser interpretada como uma estimativa da ABAG, uma vez que parte dos contratos iniciados durante uma feira aeronáutica é negociada ou concluída posteriormente.
Amaro amplia presença no mercado
Entre os operadores brasileiros, a Amaro Aviation chegará à Labace em meio à ampliação de sua atuação no mercado de táxi-aéreo, gerenciamento e propriedade compartilhada. A empresa trabalha com diferentes modalidades de acesso à aviação de negócios, incluindo fretamento, pacotes de horas, compartilhamento e administração de aeronaves de terceiros. A operação combina jatos, turboélices e helicópteros, atendendo missões com perfis distintos. A frota própria atual inclui um Pilatus PC-12, capaz de operar em aeroportos restritos e um o PC-24, jato com cabine configurável e possibilidade de utilização em pistas curtas; além de uma ampla frota gerenciada, que inclui um Bell 429, helicóptero biturbina utilizado em transporte executivo e outras missões.
A participação da Amaro também deverá refletir uma mudança no perfil de parte da demanda brasileira. Em vez da compra integral de uma aeronave, clientes podem recorrer a compartilhamento, gerenciamento ou contratação por horas, alternativas que reduzem a necessidade de manter estrutura própria e permitem adequar o tipo de aeronave a cada missão.
Além da comercialização dessas modalidades, a empresa deverá apresentar sua estrutura de planejamento operacional, atendimento de passageiros, catering, manutenção e coordenação de voos. O crescimento dos modelos de acesso compartilhado será um dos temas observados durante a feira, sobretudo diante da entrada de novos usuários na aviação executiva e da necessidade de distribuir custos fixos de propriedade e operação.
Líder reúne venda, operação e manutenção

A Líder Aviação apresentará um dos portfólios mais abrangentes da edição, reunindo venda de aeronaves, manutenção, fretamento, gerenciamento, atendimento aeroportuário e operação de helicópteros para a indústria de óleo e gás.
Como representante exclusiva da Honda Aircraft Company no Brasil, a empresa exibirá o HondaJet Elite II, que oferece alcance anunciado de 1.547 milhas náuticas, e velocidade máxima de cruzeiro de 422 nós. A versão também incorporou autothrottle, spoilers de solo e maior capacidade de combustível. Mais recentemente, o modelo recebeu certificação da Federal Aviation Administration para a instalação do Emergency Autoland, sistema capaz de assumir o controle e pousar a aeronave em caso de incapacitação do piloto.
A área de manutenção da Líder levará à Labace projetos de modernização realizados em aeronaves de negócios, como a instalação do sistema Gogo Galileo HDX, que utiliza a constelação de satélites de baixa órbita da Eutelsat OneWeb. Segundo a empresa, uma das instalações foi concluída em doze dias úteis, prazo cerca de 40% inferior à média estimada para esse tipo de intervenção. Outro projeto em destaque é a suíte Garmin G5000, empregada na modernização do cockpit de diferentes modelos e gerações de jatos.
Por fim, outra frente será a parceria com a Beta Technologies, fabricante norte-americana que desenvolve as aeronaves elétricas Alia em versões de pouso e decolagem convencionais e verticais. A Beta também trabalha na implantação de carregadores compatíveis com aeronaves e veículos terrestres. O Charge Cube, por exemplo, oferece potência de até 350 kW e pode recarregar um Alia em aproximadamente cinquenta minutos, segundo o fabricante. A presença da tecnologia na Labace não significa o início imediato de operações comerciais regulares no Brasil. A certificação das aeronaves, a definição de regras operacionais, a formação de pilotos e técnicos e a instalação de infraestrutura ainda constituem etapas necessárias para a introdução dos modelos elétricos no país.
JP Martins destaca a linha Piper

Com atuação iniciada em 1965, a J. P. Martins Aviação seguirá promovendo a família Piper, fornecimento de peças e serviços de manutenção. A empresa mantém unidades em Jaboticabal, Goiânia e Londrina, com estrutura voltada principalmente ao atendimento de pilotos-proprietários e operadores da aviação geral.
O atual portfólio da Piper abrange aeronaves de treinamento, o único monomotor a pistão pressurizado, o M350, assim como a família M-Class a turbina. Entre os produtos mais recentes está o M700 Fury, equipado com motor Pratt & Whitney Canada PT6A-52 de 700 shp e aviônicos Garmin. O modelo alcança velocidade máxima de cruzeiro de 301 nós e possui alcance divulgado de 1.852 milhas náuticas. Entre os recursos padrão está o sistema Garmin Autoland, projetado para conduzir automaticamente a aeronave a um aeroporto e realizar o pouso em uma emergência.
Além da venda de aeronaves novas e usadas, a JP Martins atua na revisão de motores Continental e Lycoming e de componentes de marcas como Kelly, Lamar e Unison. Seu centro de manutenção possui certificação da Agência Nacional de Aviação Civil para trabalhos em células, motores e acessórios.
A presença da empresa deverá representar um segmento numeroso, mas por vezes menos visível nas feiras de aviação de negócios: proprietários de monomotores e bimotores a pistão, escolas, operadores rurais e empresas que utilizam aeronaves próprias em deslocamentos regionais. Embora os jatos concentrem parte relevante do valor financeiro das negociações, aviões de menor porte formam a base da frota brasileira e sustentam uma extensa cadeia de oficinas, distribuidores e fornecedores.
Daher promove seus turboélices para missões distintas

A Daher Aircraft Brasil exibirá o TBM 960 e o Kodiak 100 [leia mais na página XY], dois monomotores turboélices destinados a perfis operacionais diferentes. O TBM 960 é voltado sobretudo ao piloto-proprietário e combina o motor Pratt & Whitney Canada PT6E-66XT com hélice Hartzell de cinco pás e controle eletrônico integrado do motor e da hélice. Em uma configuração de cruzeiro mantém 308 nós com consumo informado de 57 galões por hora. O modelo também oferece o sistema HomeSafe, versão do Garmin Autoland utilizada pela Daher.
O Kodiak 100, por sua vez, foi desenvolvido para transportar passageiros e cargas em pistas curtas ou não preparadas. A cabine pode ser reconfigurada para transporte executivo, carga, lançamento de paraquedistas, evacuação aeromédica e missões governamentais. A família também inclui o Kodiak 900, versão alongada e mais rápida, mas a aeronave indicada para a exposição de 2026 é o Kodiak 100.
“Para a Daher Aircraft Brasil, a Labace é nosso principal evento do setor aeronáutico, no qual nossas equipes podem interagir com uma ampla gama de clientes atuais, potenciais compradores e a indústria aeronáutica brasileira em geral”, informou a empresa.
Novos helicópteros em exposição

A Gualter Helicópteros levará um mock-up em tamanho real do Leonardo AW09, monomotor leve que permanece em processo de certificação. A aeronave foi projetada para transportar um piloto e até oito passageiros e possui cabine de piso plano, rotor principal de cinco pás e configuração adaptável a transporte executivo, serviços aeromédicos, segurança pública e missões utilitárias. Segundo a empresa, os primeiros voos de demonstração para clientes brasileiros foram realizados na Itália. “Na Labace, o público poderá conhecer de perto a aeronave e obter informações sobre posições à venda no Brasil e o cronograma de entregas.”
A Leonardo registrava cerca de 130 acordos preliminares de venda do AW09 no início de 2025. Como o programa ainda atravessa a etapa de certificação, prazos de entrega permanecem sujeitos ao avanço dos ensaios e às aprovações das autoridades aeronáuticas.
A Helibras, subsidiária brasileira da Airbus Helicopters, terá como principal aeronave na exposição estática o ACH145 e também apresentará maquetes do ACH160 e do ACJ TwoTwenty.
O ACH145 é a versão corporativa do H145, helicóptero biturbina empregado em transporte executivo, serviços públicos e operações aeromédicas. O ACH160 deriva do H160 e ocupa uma categoria superior de peso e capacidade, com cabine destinada ao transporte corporativo e particular.
Já o ACJ TwoTwenty é a versão executiva do Airbus A220. O modelo possui alcance de até 5.650 milhas náuticas, suficiente para voos com mais de doze horas de duração, e uma cabine consideravelmente maior que a encontrada em jatos de negócios de cabine larga e capacidade de voos de longo alcance.
“A nossa principal expectativa para a edição de 2026 é aproximar de nossos clientes nosso portfólio completo de produtos e nossa sólida presença industrial”, informou a Helibras. “Vemos este evento como uma plataforma estratégica para interagir com nossos stakeholders, homenagear nossos operadores locais e reforçar o sucesso comercial de nossa linha corporativa.”
Aeronaves usadas e compartilhadas

A Solojet participará com estande próprio e terá um Hawker 400XP na exposição estática. O bimotor representa uma categoria de jatos leves amplamente presente no mercado de aeronaves usadas, no qual preço de aquisição, disponibilidade de peças, programas de motores e custos de atualização têm peso central na decisão de compra.
Além da intermediação de compra e venda, a companhia apresentará o Solojet Shares, programa de compartilhamento, e serviços de gerenciamento, fretamento, manutenção, reforma de interiores e pintura. “Nosso objetivo é mostrar que a Solojet oferece uma solução completa para quem busca eficiência, segurança e conveniência em todas as etapas da operação de uma aeronave”, disse André Bernstein, CEO da Solojet.
A empresa mantém hangares de manutenção em Jundiaí, no interior de São Paulo, e Luís Eduardo Magalhães, na Bahia. Também representa no país fornecedores de modificações como Raisbeck Engineering, Blackhawk Modifications e Tamarack Aerospace, cujos produtos incluem alterações aerodinâmicas, atualizações de motores e sistemas destinados a melhorar desempenho ou eficiência.
A MTX Aviation e a Premium TEC também participarão de forma integrada. As empresas pretendem reunir no mesmo estande compra e venda de aeronaves, manutenção, fornecimento de peças, atualização de aviônicos, pintura e reforma de interiores. “A proposta do estande conjunto é facilitar o contato direto com nossas equipes e permitir que o visitante encontre, em um mesmo espaço, suporte para diferentes etapas da vida operacional e comercial de uma aeronave — desde sua aquisição até a manutenção, modernização, personalização e fornecimento de componentes”, disse Leandro Cordeiro, CEO da MTX Aviation e da Premium TEC.
Manutenção acompanha crescimento da frota
O avanço do número de jatos e turboélices amplia o mercado potencial das oficinas e dos fabricantes de componentes. Ao contrário de uma venda de aeronave, que ocorre de forma pontual, inspeções programadas, revisões de motores, cumprimento de boletins de serviço e substituição de peças acompanham toda a vida operacional do equipamento.
A StandardAero apresentará sua estrutura de manutenção de motores e aeronaves. A empresa mantém uma unidade em Belo Horizonte e trabalha com as famílias Honeywell TFE731 e HTF7000, unidades auxiliares de potência GTCP36, motores Pratt & Whitney Canada PW300, PW500, JT15D e PT6 e Rolls-Royce Tay.
“Esperamos nos conectar com operadores na Labace 2026 para discutir como podemos apoiar suas aeronaves com nossas soluções abrangentes de manutenção de motores e células”, disse Ron Gillette, vice-presidente sênior de Vendas Globais, Marketing e Atendimento ao Cliente da StandardAero Business Aviation.
O portfólio inclui manutenção programada e não programada, revisão geral, reparos de componentes, suporte de campo, engenharia, aviônicos, pintura e reforma de interiores. A presença de uma instalação no Brasil reduz a necessidade de enviar determinados motores ou componentes ao exterior, embora a capacidade disponível dependa do modelo, do tipo de serviço e das certificações aplicáveis.
Importação ganha espaço entre os expositores
O crescimento da frota também deverá ampliar a participação das empresas especializadas em comércio exterior. A compra de uma aeronave no exterior envolve estruturação tributária e cambial, logística, contratação de seguros, inspeções, registros, desembaraço aduaneiro e coordenação com autoridades aeronáuticas.
A WM Trading fará sua quinta participação consecutiva e levará um rebocador elétrico TowFlexx, equipamento destinado à movimentação de aeronaves em hangares e pátios. “Tivemos resultados muito positivos nas últimas edições, por isso a expectativa para este ano também é alta”, afirmou Livia Verjovsky, diretora comercial da WM Trading.
Segundo a executiva, a empresa acompanha os clientes desde a estruturação da operação até a chegada da aeronave ao Brasil. A companhia também destaca a utilização de regimes tributários estaduais que, quando aplicáveis à operação e ao importador, podem reduzir a alíquota de ICMS.
A Timbro chegará à Labace informando ter participado de mais de quatrocentas operações de importação de aeronaves executivas nos últimos cinco anos. “A aviação executiva exige alto nível de especialização, previsibilidade e coordenação entre diferentes frentes”, disse Pedro Ferreira, head de Aviação da Timbro. “Nossa expectativa para a feira é ampliar oportunidades de negócios, fortalecer parcerias estratégicas e apresentar ao mercado a abrangência das soluções que a Timbro oferece para a aviação executiva.”
A Superia também apresentará serviços de importação por conta e ordem ou por encomenda. A empresa atua na análise tributária e financeira, gestão aduaneira, logística e acompanhamento dos procedimentos relacionados à nacionalização e ao registro da aeronave. A presença simultânea de diferentes tradings deverá tornar tributação, câmbio e planejamento aduaneiro temas recorrentes nos três dias da Labace. São aspectos que podem alterar significativamente o custo final de aquisição, sobretudo em operações envolvendo aeronaves de maior valor, motores sobressalentes e peças importadas.
Combustível, infraestrutura e novos participantes
No fornecimento de combustível, a Air bp marcará seu centenário global e 21 anos de atividades no Brasil. A empresa informa operar em mais de quarenta localidades brasileiras em fornecimento de querosene e gasolina de aviação. Já a Vibra, que assumiu as operações da BR Distribuidora, destacará sua presença em mais de noventa aeroportos do país. Entre as estreantes estará a SP Air, que fará sua primeira participação em uma feira do setor. A empresa pretende expor helicópteros, equipamentos e serviços relacionados às suas operações. “Será nossa primeira experiência não só na Labace, mas com eventos em si, e apostamos na Labace pela diversificação de público e serviços, além de ter relevância internacional”, informou a SP Air. “Nosso estande terá equipamentos, profissionais e helicópteros ao alcance dos visitantes e convidados, com o intuito de divulgar a empresa e compartilhar conhecimento e experiência de nossas operações.”
Mais do que antecipar lançamentos individuais, a Labace 2026 deverá mostrar como o crescimento da frota modifica toda a cadeia da aviação de negócios. Jatos e turboélices continuarão entre os produtos de maior visibilidade, mas manutenção, importação, conectividade, compartilhamento, infraestrutura e modernização deverão ocupar espaço crescente nas negociações.
Por Marcel Cardoso, do Rio de Janeiro e Edmundo Ubiratan
Publicado em 03/08/2026, às 12h00
