Mesmo diante de um cenário de custos mais elevados, especialmente com combustível, a Latam Brasil seguirá ampliando seus investimentos no país. A mensagem foi reforçada pelo CEO da companhia, Jerome Cadier, durante a apresentação dos resultados do segundo trimestre de 2026, realizada na noite desta terça-feira (04).
Segundo o executivo, a estratégia da empresa está baseada em quatro pilares: clientes, malha aérea, frota e pessoas. “Apesar do ambiente mais complexo e desafiador de combustível, continuamos investindo no Brasil”, afirmou Cadier ao abrir sua apresentação.
Na frente de experiência do cliente, a companhia segue renovando cabines, expandindo a instalação de Wi-Fi em voos internacionais, desenvolvendo uma nova classe Premium Comfort entre a econômica e a executiva nas rotas internacionais, além de investir em salas VIP, canais digitais, inteligência artificial e no programa Latam Pass.
De acordo com o executivo, os investimentos já refletem nos indicadores de satisfação. A empresa elevou seu Net Promoter Score (NPS) em 33 pontos desde a pandemia e hoje figura como a companhia aérea com menor índice de reclamações por passageiro nas plataformas oficiais de atendimento ao consumidor no Brasil.
Na divisão de cargas, Cadier destacou que a Latam reduziu em 30% o prazo de entrega das operações de e-commerce neste ano e alcançou NPS de 67 pontos, alta de 50 pontos nos últimos três anos.
Os investimentos também continuam concentrados na expansão da malha aérea. Nos últimos meses, a empresa inaugurou voos para Bruxelas, Amsterdã, Punta Cana, Ushuaia e Cidade do Cabo, chegando a 31 destinos internacionais conectados diretamente ao Brasil. Segundo Cadier, a LATAM mantém a liderança no mercado internacional e também no doméstico em participação de mercado nos últimos quatro anos.
Na frota, o grupo receberá mais de 40 aeronaves ao longo de 2026, encerrando o ano com cerca de 410 aviões. Apenas no primeiro semestre, foram incorporadas 13 aeronaves, sendo nove destinadas à operação brasileira.
“É mais eficiência operacional, menor consumo de combustível e menos emissões”, resumiu o executivo.
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Outro destaque apresentado foi a ampliação do quadro de funcionários. Somente nos seis primeiros meses do ano, a Latam Brasil contratou 3 mil profissionais, incluindo 240 pilotos, 600 tripulantes e colaboradores para áreas de manutenção, aeroportos e administração.
Cadier também ressaltou os avanços da Escola Latam de Mecânicos, criada para formar profissionais especializados. Atualmente, cerca de 200 alunos participam do programa, outros 180 ingressarão até o fim do ano e aproximadamente 90% dos formandos já foram contratados pela companhia. Além disso, 40% dos estudantes são mulheres, percentual considerado expressivo para uma profissão historicamente masculina.
Brasil precisa pensar além do crescimento anual
Após apresentar os investimentos da companhia, Cadier fez um apelo para que o Brasil adote uma estratégia de longo prazo para o desenvolvimento da aviação comercial. Embora reconheça o crescimento do setor e o recorde de passageiros registrado em 2025, o executivo afirmou que o país ainda está distante de seu verdadeiro potencial.
“O Brasil não pode ficar satisfeito em crescer 5% ou 10% por ano. O mercado brasileiro pode dobrar de tamanho em dez anos”, ressaltou.
Segundo ele, o país registra atualmente cerca de 0,5 viagem aérea por habitante ao ano, metade da média chilena e menos de um quinto dos índices observados na Europa e nos Estados Unidos. Para acelerar esse crescimento, Cadier defendeu um ambiente regulatório mais previsível e uma redução dos custos estruturais da aviação.
“O Brasil precisa de um plano de longo prazo. Quem sabe aproveitar o período eleitoral para discutir um projeto para a próxima década, e não apenas um plano anual”, defendeu Jerome.
Entre os principais desafios, o CEO citou a reforma tributária, que, segundo ele, poderá elevar a carga tributária incidente sobre as passagens aéreas.
“A gente não está pedindo redução de impostos. Estamos pedindo a manutenção da carga atual, que era a premissa da reforma tributária e que, no caso da aviação, não está sendo seguida”, afirmou.
Cadier também mencionou o aumento de outros custos, como tributação sobre leasing de aeronaves, combustível, tarifas aeroportuárias, navegação aérea e encargos trabalhistas, além de defender maior eficiência operacional em toda a cadeia do setor.
Outro ponto criticado foi o elevado número de ações judiciais envolvendo companhias aéreas no Brasil, tecla que é sempre tocada pelo CEO. “Noventa e cinco por cento dos processos contra companhias aéreas no mundo estão no Brasil, embora o país represente menos de 3% dos passageiros transportados. Há claramente algo errado nesse ambiente”, reforçou.
Por fim, o executivo voltou a defender estabilidade regulatória, criticando a retomada de debates já superados internacionalmente, como a possibilidade de cobrança separada da bagagem despachada.
“A gente não pode continuar discutindo temas que o mundo resolveu há mais de uma década. Precisamos de previsibilidade para investir”, complementou Cadier.
Na avaliação do CEO, apenas com um ambiente regulatório estável, custos mais competitivos e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor será possível ampliar significativamente o acesso da população ao transporte aéreo e dobrar o tamanho do mercado brasileiro na próxima década.
