O valor médio dos estacionamentos de shopping centers aumentou anualmente desde 2022. Enquanto isso, o fluxo de carros nesses estabelecimentos caiu. O movimento acompanha a dificuldade enfrentada pelos administradores para retomar o número de visitantes registrado no período pré-pandemia.
Dados exclusivos levantados pela empresa de mobilidade Veloe, da holding Elopar, apontam que o ticket médio em shopping centers saltou de R$ 13,34 em 2022 para R$ 18,21 em 2025, um crescimento de 36,5%. Por outro lado, a frequência relativa recuou quase 21% no mesmo período.
Aumento de preços em estacionamentos de shopping centers
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| Ano | Ticket médio (R$) | Variação em relação ao ano anterior (%) |
| 2022 | 13,34 | – |
| 2023 | 14,96 | 12% |
| 2024 | 16,35 | 9% |
| 2025 | 18,21 | +11% |
O cálculo de frequência relativa considera a quantidade de passagens em shoppings dividida pelo número de clientes da Veloe. Em 2022, ele foi de 1,148 e, em 2025, de 0,908. Quando o número é inferior a 1, significa que nem todos os clientes da empresa que fornece tags de pagamento automático foram ao shopping de carro no ano.
“De fato, a frequência com a qual nossos clientes costumavam usar o estacionamento vem caindo. É bem incipiente, mas existe uma redução na frequência dos usuários de shopping”, aponta o head de operações, dados e tecnologia na Veloe, Alexandre Fontes. A empresa está presente em 500 dos cerca de 660 shoppings do Brasil.
Para ele, algumas hipóteses podem explicar a redução no número de carros que acessam o estacionamento dos shopping centers, como a ampliação da concorrência do estacionamento com o uso de aplicativos de transporte. O próprio aumento de preço pode levar consumidores a buscarem alternativas aos estacionamentos.
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Fontes pondera, no entanto, que essas teses não explicam um cenário mais amplo: não apenas os estacionamentos, mas o fluxo geral de visitantes em shopping centers tem encontrado dificuldade de recuperar números anteriores à pandemia.
Redução da frequência relativa
| Ano | Frequência relativa | Variação em relação ao ano anterior (%) |
| 2022 | 1,1477 | – |
| 2023 | 1,0785 | – 6,03% |
| 2024 | 0,9465 | – 12,24% |
| 2025 | 0,9081 | – 4,06% |
*Frequência relativa considera a quantidade de passagens em shoppings dividida pelo número de clientes da Veloe
Dados da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) mostram que a média de visitas mensais em 2025 foi de 471 milhões, contra 502 milhões em 2019. O número de 2025 representa, inclusive, uma queda em relação a 2024 depois de anos de recuperação gradual.
Alguns especialistas atribuem a dificuldade de os shoppings retomarem o fluxo anterior ao aumento das alternativas de lazer em casa e a ampliação do comércio digital.
Rodrigo Abdud, head de real estate do Pátria, rebate a visão de que o avanço do e-commerce reduziria estruturalmente a relevância dos shopping centers. Na avaliação do executivo, o varejo físico passou a exercer papel complementar dentro da logística digital.
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Ele explica ainda que os estacionamentos encontraram alternativas para recompor uma pressão nas receitas nos últimos anos. Para Abdud, os operadores têm encontrado alternativas para aumentar a monetização, como ampliação de áreas de valet e oferta de serviços agregados que elevam o ticket médio.
Outro movimento observado pelo setor envolve o uso de áreas de estacionamento como apoio operacional para varejistas. “Se eventualmente diminuir fluxo no estacionamento, eu posso sublocar áreas para servirem como depósito adicional para as lojas”, explicou.
De acordo com os dados da Veloe, não houve uma mudança expressiva no perfil do visitante nos últimos anos. O tempo médio de permanência se manteve estável durante todo o período, com uma oscilação em torno de 117 minutos em 2022 para 115 em 2025. Quando vai ao shopping, o consumidor continua dedicando praticamente o mesmo tempo à experiência.
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Hoje, quase 90% da receita da Veloe vem do uso de tags em rodovias, enquanto 10% está concentrado em estacionamentos — praticamente tudo de shopping centers.
