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Mudança de cenário do “Bom Dia Brasil”, da Globo, não altera velha linha editorial

Mudança de cenário do “Bom Dia Brasil”, da Globo, não altera velha linha editorial

A reformulação do telejornal “Bom Dia Brasil”, da Globo, segue a máxima tradicional das renovações no jornalismo da emissora: Mudar alguma coisa para não mudar coisa alguma.


O telejornal ganhou mais luzes, cenário novo, interatividade e tecnologia. A apresentação agora ficou mais centrada na frenética apresentadora Ana Paula Araújo, que dá a impressão de sofrer pessoalmente cada notícia negativa que profere. Uma dramaticidade faz parte do show de pseudojornalismo que caracteriza a linha editorial da emissora.


Não se pode negar que a Globo tem uma enorme estrutura de reportagem e correspondência. E também é louvável que a emissora, tanto no jornalismo quanto no entretenimento, encampe pautas identitárias, defendendo a igualdade de gênero e condenando o racismo, a misoginia e a violência em geral.


Por outro lado, a emissora sempre busca exaltar, de forma vergonhosa, o chamado interesse humano. A impressão é que os repórteres são orientados a forçar as situações de drama pessoal ao limite para espremer as vítimas ocasionais até que brotem lágrimas.




Seja a tragédia que for, não são as autoridades ou os responsáveis que são questionados. São as vítimas que ficam no centro de interesse, para usufruir de seu sofrimento.


Já nas matérias de economia, política ou geopolítica, a linha editorial é explicitamente voltada para os interesses comerciais do grupo empresarial. A orientação parece ser de nunca expor os supostos aliados. Em geral, são os que atuam na proteção do capitalismo financeiro.


Nesses momentos costuma aparecer um comentarista para praticar o que Caco Barcellos definiu como jornalismo declaratório. Ou seja: opiniões não necessariamente baseadas em uma análise honesta dos fatos, mas sempre buscando chegar a conclusões pré-definidas pela chefia – se bem que é bem possível que alguns sejam tão confiáveis para os patrões que possam até ser deixados mais livres.


E mesmo em casos em que se torna impossível não apontar o dedo para supostos aliados, é encontrada uma maneira de envolver também os desafetos.


O caso Master, que não deve cair em esquecimento, é um bom exemplo. O famigerado PowerPoint da jornalista Andréia Sadi, que colocou o Presidente da República como uma das conexões do banqueiro trambiqueiro, teve duas consequências.


A primeira foi o pedido de desculpas mais desenxabido da história da imprensa brasileira, em que a apresentadora do “Estúdio i” assume que errou, mas não diz qual foi o erro nem qual seria a versão correta.


A segunda consequência foi a promoção da funcionária do Grupo Globo a comentarista política do novo “Bom Dia Brasil”. A impressão é que foi uma forma de reconhecer e premiar os serviços prestados à empresa, que arranhou de forma indelével a imagem de Sadi, mas apenas da porta da emissora para fora.

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