Um dos álbuns mais influentes da música brasileira ganha uma nova interpretação em 2026. Lançado pela Biscoito Fino nesta sexta (29), “Afro-Sambas 60 anos” revisita o repertório criado por Baden Powell e Vinicius de Moraes em 1966, reafirmando a força e a atualidade de uma obra que atravessou gerações.
A proposta do disco parte da essência que marcou o registro original: a combinação entre canto e violão. A partir desse núcleo, Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker constroem uma leitura contemporânea das oito faixas que compõem “Os Afro-Sambas”, ampliando o repertório com quatro canções asso
Encontro de intérpretes
Com uma trajetória dedicada à canção brasileira, Marcos Sacramento assume os vocais do projeto, enquanto Zé Paulo Becker responde pelos arranjos, direção musical e pelo violão que conduz a narrativa sonora do álbum.
Entre as participações especiais, destaca-se a presença de Ney Matogrosso em “Canto de Ossanha”, que ganhou videoclipe. O encontro entre os dois intérpretes reúne artistas de forte personalidade artística e amplia o alcance simbólico da homenagem a Baden e Vinicius.
O álbum também conta com a participação de Roberta Sá em “Canto de Yemanjá” e de Fabiana Cozza em “Tristeza e Solidão”. As duas cantoras acrescentam novas nuances a composições marcadas pela conexão com as tradições afro-brasileiras e pelo diálogo com o samba.
Novas vozes para um repertório histórico
Representando uma geração mais recente da música brasileira, Juliane Gamboa participa de “Bocochê”, enquanto Ilessi empresta sua voz a “Canto de Xangô”.
As interpretações contribuem para aproximar o repertório histórico de novos públicos, estabelecendo pontes entre diferentes momentos da canção brasileira.
A dimensão instrumental do projeto também ganha reforço de nomes importantes. O violonista Yamandu Costa participa de “Tempo de Amor”, dividindo a faixa com Becker.
Já o Trio Madeira Brasil marca presença em “Consolação”, aprofundando o diálogo entre o álbum e a tradição da música instrumental brasileira.
Outra participação de destaque é a do trompetista Silvério Pontes, que se junta ao Samba do Sacramento em “Labareda”, faixa que amplia a sonoridade do disco e incorpora um caráter mais coletivo e festivo.
Percussão e ancestralidade
Os percussionistas Netinho Albuquerque e Leonardo Dias aparecem em diferentes momentos do álbum, acrescentando texturas rítmicas que reforçam a ligação do repertório com matrizes afro-brasileiras.
Sem perder o protagonismo da voz e do violão, o trabalho incorpora novas camadas sonoras que dialogam com o caráter ritualístico e popular presente na obra original.
Com direção artística de Phil Baptiste e produção musical de Diego do Valle, “Afro-Sambas 60 anos” reafirma a relevância de um repertório que permanece como referência fundamental para a música brasileira, seis décadas após sua criação.
