A Airbus divulgou nesta terça-feira (28), os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, reportando lucro líquido de 586 milhões de euros (R$ 3,43 bilhões), uma queda de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior.
A receita consolidada do fabricante recuou 7% em relação ao primeiro trimestre de 2025, refletindo principalmente o menor volume de entregas de aeronaves comerciais e a desvalorização do dólar frente ao euro.
No período, a fabricante entregou 114 aviões comerciais, ante 136 no primeiro trimestre do ano anterior. Apesar da retração operacional, a companhia manteve sua projeção para o ano e segue com meta de aproximadamente 870 entregas em 2026.
Entregas menores
A divisão de aeronaves comerciais concentrou o principal impacto negativo no trimestre. As receitas do segmento recuaram 11%.
Das 114 aeronaves entregues, 81 foram da família A320, além de dezenove A220, três A330 e onze A350. A empresa atribuiu parte da pressão operacional à escassez de motores da Pratt & Whitney, que continua afetando o ritmo de produção dos jatos narrowbody.
O fabricante manteve a expectativa de atingir uma taxa de produção entre setenta e 75 aeronaves mensais da família A320 até o fim de 2027, estabilizando posteriormente em 75 unidades por mês. Para o A220, a meta segue em treze aeronaves mensais em 2028. Já o A350 deve alcançar taxa doze em 2028, enquanto o A330 permanece com meta de taxa de cinco em 2029.
Carteira de pedidos
Mesmo com menor volume de entregas, a entrada de pedidos avançou de forma significativa. A Airbus registrou 408 pedidos brutos de aeronaves comerciais no trimestre e 398 pedidos líquidos após cancelamentos, quase o dobro dos 204 pedidos líquidos registrados no primeiro trimestre de 2025.
A carteira de pedidos totalizou 9.037 aeronaves comerciais ao fim de março.
Defesa e espaço
A divisão de defesa e espaço apresentou o melhor desempenho operacional entre os segmentos da companhia. A receita avançou 7%, impulsionado principalmente pelo aumento de volumes na unidade Air Power.
A entrada de pedidos do segmento também avançou de forma expressiva, passando de 2,6 bilhões para 5 bilhões de euros no trimestre. Segundo a empresa, o foco permanece na ampliação da capacidade produtiva para atender à demanda global em defesa.
Helicópteros
Na divisão de helicópteros, as entregas subiram de 51 para 56 unidades, enquanto a receita permaneceu estável. A unidade registrou 79 pedidos líquidos no trimestre e encerrou março com backlog de 1.060 helicópteros.
Meta de 2026 sem alteração
Apesar do início de ano mais pressionado, a Airbus manteve sua projeção financeira para 2026, com a previsão da entrega de aproximadamente 870 entregas de aeronaves comerciais.
O fabricante disse que essa projeção considera o cenário atual de tarifas comerciais e parte da premissa de ausência de novas disrupções relevantes no comércio global, na cadeia de suprimentos, no tráfego aéreo e nas operações internas.
