Juliana Silveira, Louvre Hotels (M&E)

SÃO PAULO — Em meio à movimentação da WTM Latin America 2026, a Louvre Hotels Group apresentou um pacote de novidades que ajuda a entender o momento da rede no Brasil: expansão em destinos turísticos, entrada mais forte no segmento de luxo e um olhar atento para sustentabilidade e investidores. Hoje, a operação soma 16 hotéis no país, com outros oito projetos em andamento.

A estratégia combina presença em capitais com avanço em destinos de lazer. Entre os projetos em desenvolvimento estão empreendimentos em Campos do Jordão, Jericoacoara e na Costa da Bahia, regiões que têm ganhado força tanto no turismo nacional quanto internacional.

“Estamos com 16 hotéis em operação no Brasil, distribuídos em cidades como Brasília, Vitória, Rio e São Paulo, e com novos projetos em andamento que ampliam nossa presença em destinos importantes”, afirma Juliana Silveira, representante da rede no país.

Novos hotéis e reposicionamento de bandeiras

Entre as novidades mais recentes está a chegada de novos empreendimentos e a atualização de bandeiras em hotéis já existentes. Um dos destaques é o Golden Tulip Guarujá, que passou a operar com a marca da rede após mudança recente. O movimento reforça a presença no litoral paulista, um dos mercados mais consolidados do turismo doméstico.

Outro projeto citado é o Golden Tulip Canela, na Serra Gaúcha, região que mantém demanda constante ao longo do ano. Já no interior da Bahia, o Soft Inn Alagoinhas amplia a atuação no segmento econômico, próximo a Salvador.

Além disso, a Louvre também prepara sua entrada mais estruturada no luxo, com o projeto do Royal Tulip em Marangatu, desenvolvido em parceria com a Terra Hotéis. A proposta é oferecer uma experiência mais sofisticada, alinhada ao crescimento desse segmento no Brasil.

ESG e certificação internacional entram no radar

Outro ponto central da estratégia é a agenda de sustentabilidade. A rede afirma que todos os hotéis no Brasil já contam com certificação internacional de práticas sustentáveis, um movimento que acompanha a pressão crescente por padrões mais responsáveis no setor.

“Todos os nossos hotéis já possuem certificação internacional de sustentabilidade. É um trabalho que vem sendo construído há algum tempo e que continua evoluindo”, explica Juliana.

A iniciativa acompanha uma tendência clara do turismo global, em que viajantes e empresas passam a exigir mais transparência e compromisso ambiental das redes hoteleiras.

Plataforma quer aproximar investidores

Durante a feira, a Louvre também apresentou uma nova plataforma global voltada ao relacionamento com investidores, chamada Booster. A ideia é facilitar o acesso a informações e atrair novos parceiros para a expansão da rede.

O movimento sinaliza que o crescimento no Brasil não deve depender apenas da operação direta, mas também de novos modelos de parceria e investimento.

Foco segue no viajante corporativo

Apesar da diversificação de destinos e produtos, o perfil principal do hóspede ainda é bem definido. A Louvre mantém o foco no viajante corporativo, especialmente nas grandes cidades.

A rede trabalha com diferentes bandeiras para atender perfis variados. Entre elas estão Royal Tulip, voltada ao luxo; Golden Tulip, no segmento upscale; Tulip Inn, de padrão intermediário; e Soft Inn, na categoria econômica.

“Cada marca atende a um perfil específico, mas grande parte dos nossos hotéis ainda é voltada ao público de negócios, que também busca aproveitar o destino quando tem tempo livre”, diz Juliana.

Mercado brasileiro segue dominante

Os números mostram que o Brasil continua sendo o principal motor da operação local. Segundo a executiva, mais de 95% dos hóspedes são brasileiros, refletindo a força do turismo doméstico no país. Esse cenário ajuda a explicar a estratégia da rede, que combina expansão geográfica com diversificação de produtos, mas sem perder de vista o comportamento do viajante nacional.

Relação com agentes e operadoras

Outro ponto destacado é o trabalho próximo com agentes de viagens e operadoras, especialmente nos grandes centros. A rede mantém equipes comerciais em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, além de ações presenciais em outras regiões.

“Temos uma equipe corporativa focada nesse relacionamento, com treinamentos e visitas frequentes para apresentar nossos produtos e fortalecer a parceria com o mercado”, afirma.

Entre o corporativo e o lazer

Mesmo com o foco no público de negócios, a Louvre começa a explorar com mais força o potencial do turismo de lazer. A escolha de destinos como Jericoacoara e Campos do Jordão indica um movimento claro nessa direção. A estratégia tenta equilibrar dois mundos: manter a base consolidada do viajante corporativo enquanto amplia presença em destinos que atraem turistas em busca de experiências.

Esse caminho também acompanha uma mudança no comportamento do próprio viajante, que mistura trabalho e lazer com mais frequência.