“Com carinho, amor e muita fé, vou tocando minha vida de gado… Eu sou vaqueiro, e vivo apaixonado por forró, vaquejada e mulher!”. É no verso de um dos maiores clássicos nordestinos, de autoria de Edinir Maia, e imortalizado pela banda Mastruz com Leite, que João Gomes mostra que está, de fato, em casa.
Atual embaixador dos chocolates Sonho de Valsa, JG participou da ação “Carro do Sonho”, no Bairro do Recife, e a Folha de Pernambuco acompanhou com exclusividade os bastidores.
O filho de Serrita, Sertão de Pernambuco, soltou a voz e fez declarações de amor reais com três casais, a bordo de uma kombi personalizada por Helder Vasconcelos, batizada de Zuzuada, embalado por um trio de forró pé de serra. “A nossa paixão nos move e nos ajuda a cuidar e a nos cuidar também. Então, acho que, para mim, é muito fácil falar de amor assim”, adianta JG.
São João
Com uma agenda intensa, ainda mais movimentada nesta época do ano, ele mantém o brilho nos olhos de quem segue levando o Nordeste para além de qualquer fronteira.
À frente da Vila São João Gomes, projeto com cidade cenográfica itinerante que recria a atmosfera das festas juninas, o cantor anuncia: “Isso eu quero fazer em outros lugares também, como vai ter aqui no Recife, vai ter também em Portugal no final deste mês”, completa. Será em 29 de maio, na cidade do Porto.
“A gente vai divulgar o forró de uma forma diferente, mas a gente é só um canal de divulgação, porque, como eu, existem outros artistas que também levantam a nossa bandeira, fazendo as pessoas acreditarem na nossa música”, diz.
Para além do seu repertório, ele conta com quadrilha, bacamarteiros, artesanato, dança e outros símbolos tradicionais.
“Dominguinho 2”
À nossa equipe, o ganhador do Grammy Latino 2025 com o Melhor Álbum em Língua Portuguesa, por “Dominguinho”, também destacou que a sequência do projeto musical, lançada no começo de maio, nasce de um momento diferente, ainda mais aberto para experimentar e revisitar a própria identidade.
“Eu não posso ouvir esses novos discos que fico com vontade de mudar uma coisa ali, outra aqui, mas eu posso dizer que a gente tenta retribuir um pouco do carinho que a galera tem por mim, pelo Jota Pê e pelo Mestrinho”, diz, reforçando o laço afetivo junto aos parceiros musicais, tal como uma família.
“Foi um casamento perfeito, porque tanto eu precisava dos meninos, como eu sei e sinto que eles também precisavam de mim. A gente precisa um do outro da mesma maneira”, resume.
Origens
Mesmo com a rotina que o coloca entre os principais nomes da música brasileira, JG segue tratando Serrita, no Sertão pernambucano, como parte central da própria identidade. É da cidade marcada pela tradição da vaquejada que o cantor carrega referências afetivas, culturais e musicais.
Entre elas, a Festa de Pega de Boi. “Eu continuei fazendo”, conta, antes de admitir a emoção ao rever imagens recentes do evento. “Quando a gente vê a beleza que é o seu próprio lugar, não tem como”, diz.
Hoje, morando no Recife, ele fala de Serrita quase como quem tenta proteger uma memória. O vínculo com a terra natal aparece carregado de saudade e sensibilidade.
“Eu praticamente fujo da minha cidade. Prefiro deixar como mito na minha lembrança do que realmente voltar, porque quando a gente volta o coração se despedaça de saudade”.
