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História de amor russa, na Netflix, que vai te fazer se sentir dentro de um livro de Tostói

História de amor russa, na Netflix, que vai te fazer se sentir dentro de um livro de Tostói

Em “Cidade de Gelo”, dirigido por Michael Lockshin, a história acompanha o encontro entre dois jovens que tentam furar o bloqueio social imposto por origem e autoridade, cada um à sua maneira e com custos bem concretos. Matvey (Fedor Fedotov) começa o filme deslizando pelos canais congelados de São Petersburgo com seus patins herdados do pai, entregando encomendas de uma padaria. É um trabalho simples, mas que garante sustento e algum senso de direção. Quando ele é acusado injustamente e perde o emprego, tudo muda de lugar. Sem renda e sem apoio, Matvey precisa encontrar outra forma de sobreviver, e rápido.

A solução aparece na forma de uma gangue de batedores de carteira que atua justamente nos canais onde ele conhece cada curva. Liderado por Alexei (Yura Borisov), o grupo oferece dinheiro em troca de agilidade e discrição. Matvey aceita. Não por ambição, mas porque ficar parado significa afundar. A escolha abre uma porta, mas também o coloca sob regras novas, menos visíveis e bem mais perigosas.

O preço de pertencer

Dentro da gangue, Matvey aprende a agir em meio à multidão, identificar alvos e desaparecer antes que alguém perceba. Ele ganha dinheiro, mas também perde margem de erro. Alexei observa de perto e cobra resultado. Quem falha, sai. Quem se distrai, paga. O ambiente não tem espaço para ingenuidade.

Há um certo humor silencioso em como o filme mostra essas operações. Deslizes no gelo, pequenos truques, olhares rápidos. Nada grandioso, tudo muito prático. E é justamente isso que dá peso à situação de Matvey. Ele não está em busca de aventura, está tentando não passar fome. Cada decisão dele carrega essa urgência, o que torna suas escolhas compreensíveis, ainda que arriscadas.

Uma herdeira confinada

Do outro lado da cidade, Alice (Sonya Priss) vive em uma mansão onde tudo é cuidadosamente controlado pelo pai, um oficial influente que decide o que ela pode estudar, com quem pode falar e até como deve se comportar. Alice quer estudar ciência, algo que vai contra as expectativas impostas a ela. O desejo parece simples, mas exige acesso a um mundo que lhe é negado.

Ela tenta barganhar pequenas liberdades e observa oportunidades. Mas cada tentativa encontra resistência. O pai impõe regras, corta iniciativas e reforça um caminho que não inclui escolhas próprias. A casa, grande e elegante, funciona quase como uma extensão da autoridade dele. Alice tem conforto, mas não tem autonomia.

Quando os caminhos se cruzam

O encontro entre Matvey e Alice acontece nos canais congelados, longe da vigilância direta da mansão. Ele está em meio a um trabalho, ela observa aquele universo com curiosidade e uma certa ousadia. A conexão surge sem esforço, como se ambos reconhecessem no outro uma saída possível.

Matvey passa a mostrar a Alice um lado da cidade que ela nunca viu. Alice, por sua vez, oferece a ele algo que falta: acesso, proteção, um olhar diferente sobre o que ele faz. A relação cresce nesse equilíbrio instável. Eles se ajudam, mas também se expõem.

Entre desejo e vigilância

A partir daí, tudo fica mais apertado. Alexei percebe que Matvey está menos focado e aumenta a pressão dentro da gangue. O pai de Alice, desconfiado das mudanças na filha, reforça o controle. Cada movimento passa a ser observado com mais atenção.

Matvey precisa decidir até onde pode ir sem perder a confiança da gangue. Alice precisa medir o quanto está disposta a enfrentar o pai. Eles avançam juntos, mas o terreno fica cada vez mais estreito. O que antes parecia uma brecha começa a se fechar.

As escolhas dos personagens têm efeitos: portas que se abrem por pouco tempo, oportunidades que desaparecem, riscos que se acumulam. A cidade congelada não é apenas cenário, ela dita o ritmo, limita caminhos e cobra precisão.

“Cidade de Gelo” equilíbra entre romance, drama e aventura. Há espaço para encantamento, mas nunca sem custo. E é nesse detalhe que o filme se sustenta: ninguém ali tem liberdade de sobra, apenas pequenas chances que precisam ser aproveitadas antes que desapareçam.



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