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O filme da Netflix que transforma um símbolo da infância em fonte de paranoia

O filme da Netflix que transforma um símbolo da infância em fonte de paranoia

Não é de hoje que a infância e seus símbolos ganham a tela para que venha à superfície uma compreensão muito particular do horror, e “Finders Keepers” flerta, sim, com clássicos do gênero, a exemplo do ótimo “Brinquedo Assassino” (1988), de Tom Holland, e sua vastíssima descendência, mas tem DNA próprio. Alexander Yellen prioriza uma abordagem visual que lima excessos, concentrando-se nos ambientes frios e tecnológicos que firmam óbvio contraste com os lances mais incisivos. Yellen elabora um suspense com ritmo, feito de sequências de tensão que mantêm o público ligado, mesmo que os clichês nunca deem trégua — e sejam mais danosos na conclusão. O roteiro de Jeffrey Schenck e Peter Sullivan vale-se da sátira e da metalinguagem para também escarnecer desses narrativas, e o espectador entra na brincadeira.

Terror, humor

O terror é conhecido por fazer das esquisitices nossas de cada dia filmes cheios de revelações nada óbvias quanto ao modo tão pouco cortês de que a vida lança mão para afogar-nos no oceano de iniquidade que nós mesmos criamos. O que não se fala — ao menos não com a devida assiduidade que o tema pede — é a respeito da comicidade dessas histórias, proposital ou não, bem explorada por Schenck, Sullivan e Yellen. Há um nonsense convicto na trama de uma garota que acha uma boneca escondida no assoalho de sua nova casa (que diabos ela estaria fazendo ali?), e desdobrando esse argumento, chega-se ao que de fato importa. Alyson Simon, uma jornalista renomada, muda-se com Claire, a filha de dez anos, para o distrito mais bucólico de uma nova cidade. Lilith, a tal boneca, dorme tranquila debaixo do chão e dá um jeito de se fazer notar pela menina e, claro, elas tornam-se companheiras dos devaneios tão característicos da infância. Alison não vê nada de mais e até pensa que Lilith pode ajudar na readaptação de Claire. Ledo engano.

O diabo não tem culpa

Claire fica cada vez mais agressiva, violenta e encantada pela boneca, a confidente perfeita, mas por óbvio o buraco é bem mais fundo. Aliás, as muñecas quitapenas, uma tradição da cultura da Guatemala, são usadas como uma terapia para as neuroses de petizes e marmanjos, sem nenhuma relação direta com o tinhoso. Como sói acontecer, lances pontuais fazem a diferença e a química entre Kylie Rogers e Jaime Pressly, nessa ordem, sustentam o filme e garantem a diversão. Sim, essa é a palavra certa para definir “Finders Keepers”.



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