Ex-funcionário da Aeroflot é condenado nos EUA por participar de esquema que enviou mais de US$ 900 mil em peças aeronáuticas à Rússia
Um ex-funcionário da Aeroflot foi condenado nos Estados Unidos por participar de um esquema para adquirir e enviar ilegalmente à Rússia mais de US$ 900 mil em peças e componentes aeronáuticos de origem norte-americana.
A condenação ocorreu na última sexta-feira (28), após um júri federal da Flórida considerar o réu culpado nas doze acusações apresentadas pelo governo dos Estados Unidos.
Entre os crimes estão conspiração para violar a Export Control Reform Act, exportação ilegal de itens controlados, contrabando, fornecimento de informações falsas de exportação e conspiração para lavagem de dinheiro. A sentença está marcada para 20 de novembro.
Destinos falsos
Segundo documentos judiciais e depoimentos apresentados no processo, o ex-funcionário da companhia aérea russa atuou com outro cidadão russo para adquirir componentes aeronáuticos de fornecedores norte-americanos depois que os Estados Unidos ampliaram as restrições de exportação para a Rússia, em resposta à invasão da Ucrânia em 2022.
Os envolvidos teriam informado aos fornecedores que as peças seriam destinadas a países como Emirados Árabes Unidos e China. De acordo com os promotores, os componentes eram posteriormente encaminhados à Rússia e à Aeroflot.
A investigação apontou que a estratégia tinha como objetivo ocultar o destino final das mercadorias e permitir que as compras fossem processadas por fornecedores norte-americanos apesar das restrições vigentes.
Mais de US$ 900 mil em componentes
O caso teve origem em uma acusação formal apresentada em abril de 2025. De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a operação envolveu mais de US$ 900 mil em peças aeronáuticas de origem norte-americana.
Além da utilização de países terceiros para dissimular o destino das mercadorias, os investigadores identificaram transações financeiras estruturadas para dificultar o rastreamento do fluxo de dinheiro relacionado às compras.
O processo, portanto, envolveu diferentes etapas da operação: aquisição dos componentes, declaração de destinos falsos, exportação dos produtos, movimentação das mercadorias por terceiros países e transações financeiras destinadas a ocultar a operação.
Restrições à Aeroflot
A Aeroflot está sujeita a medidas de controle de exportações dos Estados Unidos. O Departamento de Comércio norte-americano, por meio do Bureau of Industry and Security (BIS), havia emitido um embargo contra a companhia, impedindo-a de receber determinados produtos de origem norte-americana.
As restrições afetam o acesso da empresa russa a componentes e equipamentos produzidos nos Estados Unidos, particularmente relevantes para aeronaves que dependem de cadeias internacionais de fornecimento, manutenção e disponibilidade de peças.
Com as medidas em vigor, a aquisição direta de componentes norte-americanos para posterior utilização na Rússia passou a estar sujeita a restrições específicas.
Segundo Jason A. Reding Quiñones, procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida, o esquema utilizou empresas e destinos intermediários para tentar contornar os controles de exportação.
O procurador acrescentou que o governo continuará investigando operações que utilizem empresas norte-americanas, o sistema financeiro ou a infraestrutura comercial dos Estados Unidos para contornar medidas de segurança nacional.
