Estudo aponta ainda impacto nas operações aéreas e previsão de forte crescimento da demanda por serviços de MRO até 2040
A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) divulgou nesta quarta-feira (24), em parceria com a consultoria Emerton, um estudo que identifica gargalos na manutenção, reparo e revisão geral (MRO) dos motores de nova geração utilizados em aeronaves de corredor único.
O levantamento analisa os motores LEAP, da CFM International, e Geared Turbofan (GTF), da Pratt & Whitney, e conclui que problemas de durabilidade, escassez de peças de reposição e limitações na capacidade de manutenção estão afetando operações de companhias aéreas em escala global.
Segundo o relatório, os desafios atuais têm reduzido o tempo de operação dos motores instalados nas aeronaves, aumentado a necessidade de visitas às oficinas de manutenção e ampliado a complexidade do planejamento operacional das empresas aéreas.
Aeronaves ficaram em solo por falta de motores, peças e capacidade de manutenção
O estudo mostra que o número de aeronaves equipadas com motores Pratt & Whitney GTF paradas atingiu o pico em março de 2025, quando 648 aviões estavam fora de operação. O volume representava 28% da frota mundial equipada com esse modelo de motor.
As aeronaves aguardavam disponibilidade de oficinas especializadas, motores sobressalentes ou componentes para manutenção. Como consequência, diversas companhias aéreas precisaram adaptar seus planejamentos de frota, mantendo aeronaves mais antigas em serviço, prorrogando contratos de leasing, contratando aeronaves adicionais e ajustando sua oferta de capacidade.
Demanda por serviços de MRO
A IATA destaca que o desafio tende a se intensificar com a expansão das frotas de aeronaves de corredor único equipadas com motores de última geração.
Em 2024, foram entregues aproximadamente 2.000 motores para esse segmento, sendo oitocentas unidades do GTF e 1.200 do LEAP. Entre 2030 e 2040, a previsão é de estabilidade nas entregas anuais em cerca de 3.700 motores, divididos entre 1.200 GTF e 2.500 LEAP.
O crescimento da frota deverá provocar uma expansão significativa na demanda por manutenção. O número anual de visitas a oficinas especializadas para motores LEAP deverá passar de cerca de seiscentos a oitocentos em 2025 para mais de 5.000 em 2040. No caso dos motores GTF, a projeção é de crescimento de aproximadamente 1.000 para mais de 2.000 visitas anuais no mesmo período.
De acordo com a entidade, a expansão da capacidade industrial promovida pelos fabricantes será importante, mas insuficiente para resolver os problemas estruturais da cadeia de suprimentos.
Medidas propostas
O estudo identifica uma série de iniciativas consideradas prioritárias para reduzir os impactos operacionais e fortalecer a resiliência do setor nos próximos anos.
Entre as recomendações está o aumento da disponibilidade de peças por meio da aceleração do desenvolvimento e da certificação de soluções de reparo, da ampliação da produção licenciada de componentes críticos e do maior aproveitamento de peças usadas em condições operacionais provenientes da desmontagem de motores.
A IATA também defende a remoção de barreiras à participação de empresas independentes de MRO, ampliando o acesso a componentes, informações técnicas e ferramentas necessárias para o desenvolvimento de capacidade adicional no mercado.
Outro ponto destacado é a inclusão de cláusulas contratuais que garantam acesso de longo prazo a peças de reposição com preços previsíveis durante processos de aquisição de aeronaves e motores, beneficiando companhias aéreas, arrendadores e prestadores de serviços de manutenção.
Além disso, o relatório recomenda que fabricantes de motores, aeronaves e componentes adotem princípios mais transparentes e competitivos no mercado de pós-venda, permitindo maior liberdade de escolha aos operadores e utilização de peças e reparos alternativos aprovados por autoridades reguladoras.
Segundo a IATA, a solução dos desafios atuais dependerá de ações coordenadas entre companhias aéreas, fabricantes de aeronaves, fabricantes de motores, empresas de manutenção e arrendadores.
