Gabrielle Nunes de Andrade, coordenadora de ESG da Embratur (Divulgação/Embratur)

A Embratur lançou nesta sexta-feira (03) a segunda edição do seu Relatório de Sustentabilidade, que passa a ser publicado anualmente e reúne as principais ações desenvolvidas pela Agência ao longo de 2025. Elaborado com base nos padrões da Global Reporting Initiative (GRI) e alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), o documento busca ampliar a transparência da gestão e consolidar a sustentabilidade como um dos pilares da promoção internacional do Brasil.

Entre os destaques da nova edição estão a atualização da matriz de materialidade a partir da consulta a cerca de 150 representantes do setor, a compensação de 100% das emissões de gases de efeito estufa da Embratur em 2025, o fortalecimento de iniciativas voltadas ao turismo regenerativo, a valorização dos biomas brasileiros e o incentivo à participação de pequenos empreendedores e comunidades tradicionais na estratégia de promoção internacional.

Em entrevista exclusiva ao Mercado & Eventos, realizada na última semana, a coordenadora de ESG da Embratur, Gabrielle Nunes de Andrade, explica como o relatório contribui para aumentar a competitividade do Brasil no mercado internacional, detalha os avanços da agenda ESG da Agência e comenta os próximos passos para reduzir os impactos ambientais da instituição.

M&E – O que motivou a Embratur a publicar o Relatório de Sustentabilidade e qual é o principal objetivo do documento?

Gabrielle Nunes de Andrade – A publicação segue uma prática consolidada de mercado. Esta é a segunda edição do relatório e, a partir de agora, ele passa a ser anual, sempre seguindo os padrões internacionais da GRI e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. O objetivo é dar transparência às ações da Embratur e demonstrar como a agenda ESG está integrada à estratégia da Agência, em um cenário em que temas como mudanças climáticas, biodiversidade e responsabilidade social ganham cada vez mais relevância para o turismo internacional.

M&E – Como esse relatório contribui para a promoção internacional do Brasil?

Gabrielle – A relação é direta. Hoje, reputação e sustentabilidade são fatores de competitividade para os destinos turísticos. O relatório evidencia que preservar os biomas, valorizar as comunidades locais e desenvolver o turismo de forma responsável fortalece a imagem do Brasil no exterior. Isso amplia oportunidades de parcerias estratégicas e reforça o posicionamento do país em um mercado global cada vez mais atento às práticas sustentáveis.

M&E – De que forma a sustentabilidade passou a fazer parte da estratégia de promoção internacional da Embratur?

Gabrielle – A sustentabilidade está incorporada ao Plano Brasis, que estabelece o ecoturismo, o turismo regenerativo e a responsabilidade social como pilares da promoção internacional. Esses conceitos estão presentes nas campanhas, feiras, capacitações e demais ações realizadas pela Agência. A proposta é mostrar que crescimento econômico e preservação ambiental podem caminhar juntos, fortalecendo os destinos e gerando desenvolvimento de longo prazo.

M&E – O que mudou na elaboração deste segundo relatório em relação à edição anterior?

Gabrielle – Um dos principais avanços foi a atualização da matriz de materialidade, construída a partir da escuta de aproximadamente 150 stakeholders, entre colaboradores, representantes do governo, organizações da sociedade civil e integrantes do trade turístico. Esse processo permitiu identificar prioridades e fortalecer temas como governança, ação climática, regeneração e inovação na estratégia da Agência.

M&E – Como o turismo regenerativo e a valorização dos biomas passaram a integrar a promoção do Brasil no exterior?

Gabrielle – A Embratur passou a destacar que conservação ambiental e desenvolvimento econômico são complementares. A Amazônia ganhou espaço em campanhas internacionais, press trips e ações de relações públicas. O Pantanal também foi promovido em experiências imersivas, como na galeria Visit Brasil, em Nova York. Além disso, firmamos parcerias com iniciativas de conservação, como Onçafari, Instituto Arara Azul e Biofábrica de Corais, incorporando experiências regenerativas ao portfólio Feel Brasil.

M&E – Qual é a importância dos pequenos negócios e das comunidades locais nessa estratégia?

Gabrielle – São esses atores que dão identidade ao turismo brasileiro. Por isso, buscamos ampliar sua participação nos benefícios gerados pelo turismo internacional. O Sebrae é um parceiro importante nesse processo, especialmente por meio da plataforma Desbrava, voltada à capacitação e geração de negócios. Outro exemplo é o portfólio Feel Brasil, no qual mais de 90% das experiências são operadas por micro e pequenas empresas.

M&E – Quais foram os principais avanços da Embratur na gestão dos impactos ambientais internos?

Gabrielle – Pelo segundo ano consecutivo elaboramos nosso inventário de emissões de gases de efeito estufa. Com base nesse levantamento, compensamos 100% das emissões de 2025 por meio da aquisição de créditos de carbono de um projeto de preservação na Amazônia. Também reduzimos quase 20% do consumo de energia elétrica, diminuímos em 45% o uso de combustíveis fósseis com a eletrificação parcial da frota oficial, economizamos água e avançamos na gestão de resíduos. O próximo passo será implementar, em 2026, um plano de descarbonização para reduzir as emissões antes da compensação.

M&E – Como o relatório demonstra o compromisso da Embratur com diversidade e direitos humanos?

Gabrielle – Esses princípios estão presentes tanto nas políticas internas quanto nos editais, programas e ações de promoção internacional. A Agência desenvolve iniciativas como o Rotas Negras e projetos voltados ao afroturismo, além de incentivar produtos destinados a públicos como pessoas idosas, pessoas com deficiência e a comunidade LGBTQIA+. Também mantemos políticas de prevenção ao assédio e ao racismo, investimos na capacitação das equipes em ética e direitos humanos, ampliamos a participação de mulheres em cargos de liderança e seguimos critérios de responsabilidade social em todos os processos de contratação.