Quem já estiver com saudades de Eduardo Moscovis após o fim da novela “Três Graças” vai poder rever o ator muito em breve, desta vez, no palco. Neste final de semana, ele traz ao Recife o elogiado monólogo “O Motociclista no Globo da Morte”, com sessões no Teatro Luiz Mendonça, dando início a uma circulação pelo Brasil.
A peça teatral estreou em setembro do ano passado, no Rio de Janeiro, e já passou por Niterói, São Paulo e Curitiba desde então. Com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella, a obra rendeu a Moscovis o Prêmio Shell de Teatro de Melhor Ator, no mês de março.
O troféu conquistado reconhece o tamanho do desafio encarado pelo artista carioca em cena. Sem ninguém com quem contracenar ou um cenário à sua volta, Eduardo Moscovis dispõe apenas dos recursos de iluminação e sonoplastia para ajudá-lo a contar uma história que explora os limites da violência cotidiana.
Sentando em uma cadeira, o ator conversa diretamente com o público. Ele encarna Antonio, um homem comum e pacato, que traz seu depoimento sobre um ato de violência presenciado quando almoçava em um bar e que acaba mudando sua vida.
“Leonardo Netto foi muito feliz na forma como construiu essa dramaturgia, porque ela é contada muito facilmente. Se aproxima demais do dia a dia da gente. Então, o público se identifica na hora, se questiona, e se coloca no lugar do personagem”, apontou Moscovis, em entrevista à Folha de Pernambuco.
Partiu de Rodrigo Portella – diretor com sucessos como “Tom na Fazenda”, com Armando Babaioff, e “Ficções”, solo de Vera Holtz, no currículo – a proposta de uma encenação minimalista. Para Eduardo Moscovis, abraçar esse formato tem sido um exercício instigante.
“De alguma maneira, acho que isso potencializou o espetáculo e é uma uma provocação artística para mim: como contar essa história sentado o tempo todo? Tem sido muito legal, porque concentra mesmo a ação e a atenção, tanto minha na cena, como do público em mim”, analisa o ator.
Enquanto relata ao público o que aconteceu no bar com riqueza de detalhes, Antonio também faz algumas considerações sobre como ele enxerga as diferentes formas de violência na sociedade. Sem categorizar os personagens como mocinhos e vilões, o texto demonstra como até mesmo o cidadão mais pacífico pode ser capaz de uma atitude extremamente agressiva.
Ao receber o Prêmio Shell, Eduardo Moscovis usou sua voz contra a misoginia, transfobia, homofobia e o movimento “red pill”, fazendo um apelo para que a sociedade crie uma nova geração de “meninos respeitosos”. O discurso vai ao encontro da reflexão que a peça propõe sobre a masculinidade contemporânea, expondo a banalização de comportamentos opressores.
Durante a temporada da montagem em São Paulo, o ator precisou encarar semanalmente a ponte aérea para dar conta também das gravações de “Três Graças” no Rio de Janeiro. A agenda dividida é algo que Moscovis vivenciou diversas vezes desde o início da carreira artística, nos anos 1990. “É inegável que, com o passar das semanas, vem o cansaço. Mas passo por isso feliz da vida”, aponta.
SERVIÇO
Espetáculo “O Motociclista no Globo da Morte”
Com Eduardo Moscovis
Quando: sábado (23), às 18h e 20h; e domingo (24), às 17h e 19h
Onde: Teatro Luiz Mendonça – Parque Dona Lindu, Avenida Boa Viagem, Recife
Ingressos a partir de R$ 75, no site ou na bilheteria do teatro
Informações: (81) 99209-4007
