99,4% dos comissários de bordo da WestJet aprovaram autorização para greve; Paralisação poderá começar em 2 de agosto, caso não haja acordo
Os comissários de bordo da WestJet, de David Neeleman, o mesmo fundador da Azul Linhas Aéreas, autorizaram na última quarta-feira (15), uma possível greve após votação conduzida pelo sindicato que representa a categoria no Canadá.
Segundo o Canadian Union of Public Employees (CUPE) Local 8125, 99,4% dos participantes aprovaram a concessão de mandato para que a equipe de negociação possa deflagrar uma paralisação caso não haja acordo sobre um novo contrato coletivo de trabalho.
A autorização não implica uma interrupção imediata das atividades. De acordo com as regras do processo de negociação trabalhista no país, há um período obrigatório de 21 dias antes que uma greve possa ser iniciada. Assim, a paralisação poderá ocorrer, no mínimo, a partir de 2 de agosto, caso as negociações permaneçam sem acordo.
O sindicato representa aproximadamente 4.400 comissários de bordo da WestJet. A categoria negocia há meses um novo acordo coletivo com a companhia aérea. O contrato atualmente em vigor entrou em vigor em 2021, durante a pandemia de covid-19, e tornou-se passível de revisão no fim de 2025.
Entre os principais pontos defendidos pelos trabalhadores está a remuneração por todas as horas efetivamente trabalhadas, incluindo atividades realizadas antes, durante e após os voos, que atualmente não são integralmente contempladas pelo modelo de pagamento reivindicado pelo sindicato.
Principal ponto de disputa
Segundo a emissora pública canadense CBC, executivos da WestJet reconheceram que ajustes salariais serão necessários para manter a remuneração dos comissários acima da inflação.
Entretanto, ainda não há indicação de que a empresa aceitará a proposta sindical de adotar um novo modelo de remuneração que contemple atividades desempenhadas fora do tempo efetivo de voo, como procedimentos em solo, preparação das aeronaves e demais atribuições operacionais.
A companhia argumenta que essas atividades já são compensadas por meio de um sistema de “horas de crédito”, mecanismo que, segundo a empresa, oferece remuneração acima do padrão normalmente praticado no setor.
Possíveis impactos
A WestJet é a segunda maior companhia aérea do Canadá em volume de operações. Uma eventual paralisação dos aproximadamente 4.400 comissários de bordo poderá resultar no cancelamento de centenas de voos diariamente, com impactos sobre a malha aérea doméstica e internacional do país.
Em novembro, a empresa iniciará suas operações no Brasil, com voos sazonais de Calgary para São Paulo (GRU).
O impasse ocorre menos de um ano após uma mobilização semelhante envolvendo comissários de bordo da Air Canada, que também teve como foco questões relacionadas ao modelo de remuneração da categoria.
