Brasil e China puxaram crescimento do mercado doméstico de passageiros em julho de 2026 (IA/M&E)

A demanda global por transporte aéreo cresceu apenas 0,2% em julho de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado, mas os números escondem desempenhos bastante diferentes entre as regiões. Enquanto companhias da América do Norte e do Oriente Médio registraram queda, as empresas aéreas da América Latina tiveram alta de 7,1% na demanda. O cenário também mostra recuperação gradual do tráfego pelos grandes hubs do Golfo e uma forte expansão da ligação entre Europa e Ásia.

Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (31) pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), que acompanha mensalmente o comportamento do mercado global de passageiros. A capacidade das companhias aéreas, medida em assentos-quilômetro disponíveis, aumentou 0,3% no período. A taxa de ocupação global ficou em 85,2%, uma redução de 0,1 ponto percentual em relação a julho de 2025.

Para Marie Owens Thomsen, vice-presidente sênior de Sustentabilidade e economista-chefe da IATA, o resultado de julho precisa ser observado considerando as diferenças regionais.

“O pico da temporada de viagens de verão no Hemisfério Norte é uma história predominantemente positiva para o transporte aéreo”, afirmou.

Segundo ela, o crescimento global foi obtido mesmo com a queda registrada por companhias da América do Norte e do Oriente Médio.

América Latina cresce 7,1% na demanda por voos

Entre os principais mercados internacionais, a América Latina apresentou um dos resultados mais fortes de julho. A demanda das companhias aéreas da região aumentou 7,1% em relação ao mesmo mês de 2025.

A capacidade também avançou, com alta de 7,2%. A taxa média de ocupação chegou a 85,7%, uma queda marginal de 0,1 ponto percentual.

O resultado coloca a região em posição de destaque no cenário internacional. A expansão da oferta acompanhou praticamente o mesmo ritmo do crescimento da demanda, mantendo a ocupação próxima do patamar registrado no ano anterior.

No mercado doméstico, Brasil e China também aparecem entre os países que apresentaram forte crescimento em julho. O RPK doméstico global, indicador que mede a demanda por passageiros, subiu 0,6% no mês.

Estados Unidos, Austrália e Índia, por outro lado, registraram retração.

Brasil aparece entre os mercados domésticos de maior crescimento

A IATA não apresentou, no comunicado, a taxa individual de crescimento do mercado brasileiro, mas destacou o país entre os mercados domésticos que tiveram forte desempenho no mês.

O dado ganha relevância diante do comportamento regional. Com a demanda das companhias latino-americanas crescendo 7,1%, o Brasil contribui para um cenário de expansão do transporte aéreo na região.

O desempenho também ocorre em um momento em que as empresas aéreas ampliam a capacidade disponível. Em setembro, segundo a IATA, a oferta global de assentos deve crescer quase 3%.

A entidade avalia que o movimento indica confiança das companhias na demanda para os próximos meses, apesar de um cenário marcado por custos elevados de combustível, incerteza econômica e tensões geopolíticas.

Demanda internacional recua 0,1%

O mercado internacional apresentou um resultado mais fraco que o doméstico. A demanda global caiu 0,1% em julho na comparação anual, enquanto a capacidade cresceu 0,3%.

Quando as companhias aéreas do Oriente Médio são retiradas da conta, porém, o cenário muda. A demanda internacional passa a registrar crescimento de 1,5%.

A diferença está diretamente ligada ao forte recuo das empresas da região.

As companhias aéreas do Oriente Médio tiveram queda de 9,5% na demanda em julho. A capacidade caiu 5,8% e a taxa de ocupação ficou em 80,9%, 3,3 pontos percentuais abaixo do registrado um ano antes.

Apesar do resultado negativo, o ritmo de retração vem diminuindo. Segundo a IATA, o tráfego continua em trajetória de recuperação depois das quedas de dois dígitos observadas no começo de 2026.

“O tráfego através dos hubs do Golfo continua sua trajetória de recuperação”, afirmou Marie Owens Thomsen.

Europa cresce e tráfego com Ásia dispara

As companhias aéreas europeias tiveram alta de 3,1% na demanda internacional em julho. A capacidade aumentou 3,2%, enquanto a taxa de ocupação chegou a 87,1%.

O principal destaque regional está no tráfego entre Europa e Ásia. O corredor registrou crescimento de 12,1%, a maior expansão entre os principais mercados internacionais analisados pela IATA.

O resultado ocorre apesar do cenário menos favorável para algumas outras rotas de longa distância.

Na América do Norte, a demanda caiu 2,3% em relação a julho de 2025. A capacidade teve retração no mesmo ritmo, também de 2,3%, e a taxa de ocupação permaneceu em 88,2%.

O principal corredor transatlântico também registrou queda. O tráfego entre os dois lados do Atlântico recuou 2,2%, com reduções consideradas relevantes nas ligações envolvendo Reino Unido, França e Espanha.

Ásia-Pacífico registra queda de 0,7%

As companhias aéreas da região Ásia-Pacífico tiveram queda de 0,7% na demanda em julho. A capacidade caiu 1,7%, enquanto a taxa de ocupação chegou a 84,5%, alta de 0,9 ponto percentual.

O resultado mostra uma redução da oferta superior à queda da demanda. Mesmo com menos assentos disponíveis, as empresas conseguiram elevar a ocupação das aeronaves.

Na África, o movimento foi diferente. A demanda cresceu 6,4%, enquanto a capacidade aumentou 9%. A taxa de ocupação, porém, caiu 1,8 ponto percentual, para 74,1%.

Custos e geopolítica continuam no radar das aéreas

Apesar do crescimento registrado em diferentes mercados, o setor continua operando sob pressão de fatores externos.

O preço dos combustíveis, a incerteza sobre a economia mundial e as tensões geopolíticas seguem entre os principais pontos de atenção para as companhias aéreas.

Ainda assim, a previsão de aumento da capacidade para setembro indica que as empresas continuam apostando na demanda.

“Embora os altos custos de combustível, a incerteza econômica e as tensões geopolíticas continuem, as transportadoras estão expressando confiança na demanda para a última parte do ano”, disse Thomsen.

O aumento de quase 3% na oferta de assentos previsto para setembro reforça essa leitura.

Os números de julho mostram, portanto, um mercado global praticamente estável quando observado apenas pelo crescimento de 0,2%. Mas a divisão regional revela um cenário mais movimentado. A América Latina avança 7,1%, a África cresce 6,4%, a Europa registra alta de 3,1% e o corredor Europa-Ásia sobe 12,1%.