Governo boliviano descarta privatização da Boliviana de Aviación e inicia negociações com a Embraer para renovar sua frota
O governo da Bolívia descartou, na última terça-feira (7), a privatização da BoA (Boliviana de Aviación) e anunciou um programa de renovação da frota da companhia aérea estatal, que inclui negociações com a Embraer para uma possível aquisição de aeronaves.
A iniciativa integra uma estratégia para ampliar a competitividade da empresa, reduzir atrasos operacionais e promover maior concorrência no mercado de transporte aéreo boliviano.
Segundo Mauricio Zamora, ministro de Obras Públicas da Bolívia, contatos já foram iniciados com o fabricante brasileiro para desenvolver um plano de modernização da frota da BoA.
“Já estou trabalhando em uma visão executiva. Estou em contato com a Embraer, no Brasil, porque meu plano é renovar a frota da companhia aérea“, declarou Mauricio Zamora, ministro de Obras Públicas, em entrevista à Radio Fides.
Segundo o ministro, o objetivo é substituir parte das aeronaves mais antigas por modelos mais modernos, aumentando a confiabilidade operacional da companhia e reduzindo o número de atrasos.
Frota fora de operação
De acordo com informações da ch-aviation citadas pelo governo, a BoA possui uma frota de aproximadamente vinte aeronaves, porém apenas metade está em operação atualmente. As demais permanecem indisponíveis devido a serviços de manutenção.
A frota da transportadora é composta por três Airbus A330-200, três Boeing 737-300, três 737-700, sete 737-800 e dois CRJ200.
A predominância de aeronaves mais antigas, especialmente os Boeing 737-300 e os CRJ200, tem sido apontada pelo governo como um dos fatores que afetam a regularidade das operações.
Privatização descartada
O ministro de Obras Públicas boliviano disse ainda que a estratégia do governo combina a modernização da empresa com uma política de maior abertura do mercado aéreo boliviano, mantendo, entretanto, o controle estatal sobre a companhia.
“Foram vinte anos de prejuízos causados pelo protecionismo. Minha missão é tornar a Boliviana competitiva novamente, com novas aeronaves e o menor número possível de atrasos, ao mesmo tempo em que promovemos céus abertos“, disse Mauricio Zamora.
O ministro também reforçou que “a companhia não será privatizada”.
Mudanças na gestão
Nos últimos doze meses, a BoA passou por três mudanças na presidência executiva. Paralelamente, o governo avaliou propostas para ampliar a frota com aeronaves de fuselagem larga adicionais e cargueiros, projetos que ainda não foram implementados.
A renovação da frota representa, neste momento, a principal iniciativa em discussão para fortalecer a operação da companhia estatal. Caso avancem, as negociações com a Embraer poderão marcar uma mudança na composição da frota da BoA e ampliar a presença da fabricante brasileira no mercado de aviação comercial da América do Sul.
