O processo de dar luz pode ser um choque e uma experincia nova para as pessoas modernas, mas as comunidades antigas sabiam o que estavam fazendo. Uma me recente j havia ajudado sua prpria me, suas irms e suas amigas a passar por isso, sob a superviso de mulheres mais velhas que sabiam mais do que elas. claro que os homens eram excludos, e por isso que as mulheres se tornaram especialistas em partos e, por extenso, em outros procedimentos mdicos. Dar luz era um evento em equipe, e todos faziam sua parte. |

Criado pelo Gemini.
Como no dispunham da medicina moderna, sua abordagem gravidez envolvia restries alimentares, amuletos mgicos de proteo e dependncia total do apoio de parentes femininas e curandeiras durante o parto.
Na Pr-histria e Paleoltico o parto era um evento profundamente comunitrio. Registros fsseis e a antropologia sugerem que, como nossa postura ereta tornava o parto humano notoriamente apertado e difcil, as mulheres quase certamente dependiam de parteiras e de mulheres mais velhas e experientes da tribo para auxiliar no posicionamento e apoio.
No Egito Antigo, para confirmar uma gravidez, as mulheres urinavam em sacos de trigo e cevada. Se o trigo germinasse, acreditava-se que seria uma menina; se a cevada crescesse, acreditava-se que seria um menino.
Na Grcia e Roma antigas, s gestantes eram prescritas dietas leves, massagens com leo e caminhadas. Elas eram alertadas para evitar solavancos violentos, tosse e ervas fortes, como alho ou alho-por, que os mdicos da poca acreditavam poder ameaar a gravidez.O parto ocorria em casa, com a presena de parteiras.
Devido ausncia de obstetrcia moderna e cesarianas, as taxas de mortalidade materna e infantil eram historicamente elevadas.
As taxas de sobrevivncia de mes e bebs na antiguidade eram drasticamente menores do que as atuais. Estima-se que o parto era uma das principais causas de morte entre mulheres em idade frtil.
Cerca de 30% a 50% dos bebs morriam antes de completar o primeiro ano de vida e quase metade de todas as crianas nascidas no chegava aos 10 anos.
Estima-se que 1 a cada 50 a 100 partos resultava na morte da me. Uma mulher que engravidasse vrias vezes tinha entre 10% e 20% de chance de morrer no parto ao longo de sua vida frtil.
A falta de saneamento e de lavagem de mos propagava a febre puerperal. No existiam mtodos eficazes para conter sangramentos intensos ps-parto.
Sem a opo de uma cesrea segura, o beb ficava preso, levando morte de ambos e mes mal alimentadas geravam bebs fracos e tinham menos resistncia a doenas.
As experincias de figuras histricas com o parto ilustram perfeitamente o perigo universal da maternidade antes da medicina moderna, afetando desde plebeias at rainhas e imperatrizes. Mesmo com os melhores mdicos da poca, a riqueza no garantia imunidade contra infeces e complicaes biolgicas.
Por exemplo, Jlia, a filha de Jlio Csar, foi casada com o general Pompeu para selar uma aliana poltica crucial em Roma. No ano 54 a.C., ela morreu devido a complicaes no parto de seu primeiro filho. O beb sobreviveu por apenas alguns dias.
A morte de Jlia quebrou o nico lao familiar que unia Csar e Pompeu, acelerando a rivalidade que culminou na Grande Guerra Civil Romana.
Jane Seymou, a terceira esposa do rei Henrique VIII e a nica que conseguiu lhe dar o to desejado herdeiro homem vivel, o futuro rei Eduardo VI.
Embora o parto em 1537 tenha ocorrido bem inicialmente, Jane comeou a definhar poucos dias depois. Ela faleceu de febre puerperal (uma infeco bacteriana generalizada provocada pela falta de assepsia) apenas 12 dias aps o nascimento do filho.
A Primeira imperatriz do Brasil e esposa de Dom Pedro I, Leopoldina passou por sucessivas gestaes em um curto perodo, o que debilitou gravemente sua sade fsica e mental.
Em dezembro de 1826, aps sofrer um aborto espontneo decorrente de complicaes de sade e forte estresse emocional, a imperatriz desenvolveu uma infeco grave e febre severa, vindo a falecer aos 29 anos de idade.
Governando o Reino Unido no sculo XIX, Vitria odiava a gravidez, a qual chamava de “o lado sombrio da vida“, e teve nove filhos.
Em 1853, no parto de seu oitavo filho (prncipe Leopoldo), Vitria exigiu o uso de clorofrmio para aliviar as dores. O uso da substncia pela rainha quebrou o tabu religioso e mdico da poca, que ditava que as mulheres deveriam parir com dor, popularizando a anestesia obsttrica no mundo ocidental.
A reao da Igreja ao alvio da dor no parto no sculo XIX, especificamente quando mdicos comearam a usar o ter e o clorofrmio, FOI marcada por um misto de forte oposio teolgica inicial e uma rpida aceitao prtica logo aps o aval da Rainha Vitria.
Muitas vezes a histria resumida como uma guerra total entre a religio e a cincia, mas o cenrio real envolveu debates bblicos intensos e mdicos astutos que usaram a prpria Bblia para vencer a discusso.
O Dr. James Simpson, obstetra pioneiro da anestesia, no recuou diante dos ataques da Igreja. Sendo um homem profundamente religioso, ele publicou panfletos defendendo a prtica usando argumentos teolgicos inteligentes:
James apontou para Gnesis 2:21, argumentando que Deus foi o primeiro anestesista da histria. Para criar Eva a partir da costela de Ado, a Bblia diz que Deus “fez cair um sono pesado sobre o homem“.
Se o prprio Deus anestesiou Ado para evitar que ele sofresse, a medicina humana tinha o aval divino para fazer o mesmo com a mulher durante o parto.
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