Fã declarado das novelas brasileiras, Chay Suede encara cada novo trabalho no gênero como uma oportunidade de aprendizado e inspiração.
Na pele do protagonista Pedro em “Quem Ama Cuida”, o ator revela que um dos fatores decisivos para aceitar o convite foi a chance de reencontrar nos estúdios com Letícia Colin, que vive a mocinha Adriana, com quem já dividiu cenas marcantes em produções anteriores.
“As novelas brasileiras são uma grande fonte de inspiração para mim, tanto do ponto de vista estético quanto narrativo. Eu estava louco para reencontrar a Letícia em cena e ter uma convivência maior, como tivemos principalmente em ‘Segundo Sol’, quando interpretamos um casal de anti-heróis”, elogia.
Na história das nove, Pedro é um advogado que se vê lutando contra um sistema judicial implacável. Sua determinação em ajudar Adriana desde o início revela um lado sensível e compassivo. Fica devastado ao saber que ela se casará com seu padrinho Arthur (Antônio Fagundes).
Ainda assim, a apoia quando, ela precisa de ajuda jurídica durante o julgamento. Ao longo do tempo, sua relação com Adriana se estreita e eles se apaixonam. Durante a prisão, Adriana se vê obrigada a se afastar de Pedro por condições alheias à sua vontade.
Além disso, Pedro vive em crise com o pai Ademir (Dan Stulbach), também advogado, por não concordar com a forma escassa de escrúpulos com que o pai trabalha. “Isso bate de frente com o que o Pedro acredita: honestidade, clareza e propósito. E o pai era visto como herói, exemplo, porto seguro”, aponta.
Pedro vive uma série de conflitos pessoais ao longo do enredo das nove. O que mais chamou sua atenção nessa jornada?
O que me interessa é justamente o quanto esse conflito mexe na identidade dele. O Pedro construiu muitos dos próprios sonhos olhando para o pai. Ele imaginou ser advogado como ele, ser homem como ele, seguir os mesmos caminhos. Quando essa imagem começa a se desfazer, ele não perde apenas um ídolo, perde também algumas certezas sobre si mesmo.
Como assim?
O pai dele era visto como herói, exemplo, porto seguro. Isso bate de frente com tudo o que o Pedro acredita: honestidade, clareza e propósito. Quando ele passa a enxergar esse homem de perto, surgem contradições que ele não esperava encontrar. É um choque muito grande.
A novela começa quando essa relação já está desgastada. Como vocês construíram a história que veio antes desse descompasso?
Eu e o Dan pensamos muito nisso. A gente não quis partir dos conflitos. Preferimos construir primeiro o amor, a admiração e a vida inteira que eles compartilharam. A novela começa em um momento crítico, mas acredito que o público vai perceber que existe uma história profunda entre eles.
De que forma vocês trabalharam para que esse conflito se aproximasse do público?
O fato de nenhum dos dois querer estar afastado. Existe um desejo genuíno de se reencontrarem, de serem uma família. O problema é que as circunstâncias não permitem que isso aconteça da forma que eles gostariam. Isso gera uma tensão muito verdadeira.
O que fez seus olhos brilharem quando recebeu o convite para “Quem Ama Cuida”?
Foram os encontros. A possibilidade de trabalhar novamente com a Letícia Colin, de conhecer profissionalmente o Walcyr (Carrasco) e a Cláudia (Souto), e de fazer uma novela da Amora (Mautner). O desejo de compartilhar esse projeto com essas pessoas pesou muito na minha decisão.
Você tem engatado uma série de trabalhos de destaque no horário nobre nos últimos anos. Esse ritmo intenso é uma busca ou simplesmente os convites foram aparecendo?
Acho que um pouco de tudo. Sou muito fã do gênero e assisto às novelas brasileiras. Fazer novela tem sido um privilégio muito grande com personagens diferentes.
Mas você tem planos para desacelerar em algum momento?
Sim. Quero ficar mais com meus filhos. A Laura (Neiva, esposa) está me apoiando nesse momento, mas pretendo dar uma pausa para ficar com eles. Não é uma rotina fácil. Tem de ficar muito em estúdio, mas tento tirar o máximo de folgas possíveis.
“Quem Ama Cuida”, Globo, de segunda a sábado, às 21h30.
Ídolo antigo
A parceria com Dan Stulbach é um dos pontos que mais empolgam Chay Suede em “Quem Ama Cuida”. O ator conta que recebeu com entusiasmo a notícia de que dividiria cenas com o veterano e revela que, pouco antes do início dos trabalhos, havia reassistido a “Mulheres Apaixonadas”, novela na qual Dan foi revelado para o público de tevê.
“Foi uma alegria imensa saber que estaria ao lado do Dan. Eu tenho essa minha saga de reassistir às novelas, né? Tinha acabado de ver ‘Mulheres Apaixonadas’”, conta.
Chay destaca a capacidade de Dan de construir personagens cheios de nuances, profundidade e complexidade, características que considera raras e próprias dos grandes atores. “O trabalho dele é uma coisa chocante. São muitas camadas”, aponta.
Das antigas
Muito antes de estar entre os protagonistas das produções da Globo, Chay Suede já cultivava uma relação próxima com as novelas brasileiras. O ator tem o costume de revisitar tramas clássicas em casa, ao lado da esposa, Laura Neiva.
“Realmente sou muito fã desse gênero, das nossas novelas brasileiras. Assisto e reassisto a novelas antigas. É um exercício maravilhoso”, afirma.
Para Chay, revisitar grandes histórias é uma forma constante de aprendizado. Ele vê nas novelas uma rica fonte de referências estéticas e narrativas, algo que alimenta seu processo criativo e fortalece sua conexão com o formato.
Por isso, considera especial a oportunidade de hoje fazer parte desse universo que sempre admirou como espectador. “Mergulhar nesse mundo há alguns anos tem sido um privilégio”, ressalta.
Instantâneas
# O nome “Suede” foi inspirado no filme “Johnny Suede” (1991), estrelado por Brad Pitt.
# Chay ganhou fama nacional ao estrelar a versão brasileira da novela “Rebelde”, da Record.
# Em 2013, o ator se tornou VJ da MTV e apresentou seu programa “Hora do Chay”.
# Neste ano, Chay fez sua estreia nos palcos com o espetáculo “Peça Infantil – A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Roobertchay”.
