Documento reúne as conclusões da investigação e aponta falhas identificadas na aeronave antes do voo entre Cascavel e Guarulhos (Divulgação/Secretaria de Segurança de São Paulo)

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)recebeu nesta quinta-feira (23) o relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre o acidente envolvendo uma aeronave da Voepass, ocorrido em agosto de 2024, durante o trajeto entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP).

O documento reúne as conclusões da investigação conduzida pelo Cenipa e apresenta informações sobre fatores que contribuíram para o acidente, além de recomendações voltadas à prevenção de novas ocorrências na aviação.

Relatório do Cenipa aponta falhas identificadas antes do voo

De acordo com o relatório, a aeronave não poderia ter decolado no horário previsto caso houvesse previsão de chuva, devido a uma falha no sistema do limpador de para-brisa.

Durante a apresentação do relatório final, o tenente-coronel Paulo Fróes, investigador responsável pelo caso no Cenipa, informou que, antes do voo entre Cascavel e Guarulhos, a aeronave possuía 10 itens com falhas, entre eles um problema no sistema do limpador de para-brisa.

“A aeronave não poderia ter previsão de decolagem se houvesse previsão de chuva uma hora antes e uma hora depois após a previsão da decolagem. Isso também valia para o horário estimado de pouso para a decolação de destino ou na localidade da alternativa. Não poderia ter sido despachado a aeronave nesse horário em virtude da falha no limpador de para-brisa”, explicou o tenente-coronel.

A investigação também identificou falhas no sistema de degelo das asas da aeronave na véspera do acidente, durante dois voos.Em uma das operações, que partiu de Guarulhos com destino a Ribeirão Preto, foi constatado um problema no equipamento responsável por remover o gelo acumulado nas asas. No entanto, a ocorrência não foi registrada pela tripulação no diário de bordo.

“A tripulação deveria ter relatado no diário de bordo essa falha para que a manutenção, após o pouso, pudesse verificar o que estava acontecendo com o sistema. O que a comissão verificou é que após o pouso em Ribeirão Preto, na noite anterior, essa falha não foi registrada no diário de bordo da aeronave”, informou Fróes.