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Cad a mo que estava aqui?: a ‘iluso da mo de borracha’ revela como o crebro entende o corpo

Cad a mo que estava aqui?: a ‘iluso da mo de borracha’ revela como o crebro entende o corpo

Levante a mo em frente ao rosto. evidente que o que est sua frente, com cinco dedos, a sua mo, e o espao vazio ao lado no. Mas essa capacidade de reconhecer o prprio corpo mais complexa do que parece primeira vista e pode ser enganada por um truque surpreendentemente simples: a iluso da mo de borracha (IMB), mas antes preciso entender primeiro o que a propriocepo, a capacidade do sistema nervoso de reconhecer a localizao espacial, posio, orientao e movimentos do corpo (articulaes e msculos) sem usar a viso.

Cad

Frequentemente chamada de “sexto sentido”, ela atua como um GPS interno que permite ao crebro entender onde esto os membros e ajustar a fora e o equilbrio automaticamente.

A IMB um experimento clssico da neurocincia que demonstra a plasticidade do crebro e como ele constri a nossa noo de “corpo” combinando informaes visuais, tteis e de posio (propriocepo).

Como a Iluso da Mo de Borracha Funciona?

O experimento baseia-se em enganar o crebro atravs da estimulao multissensorial, onde a mo real do participante escondida atrs de uma divisria ou caixa. Uma mo de borracha realista colocada na frente do participante, no mesmo local onde estaria a sua mo real.

Um pesquisador acaricia a mo de borracha visvel e a mo real oculta simultaneamente com pincis, mantendo a mesma velocidade e ritmo.

O resultado que aps um ou dois minutos de estimulao sncrona, a maioria das pessoas comea a sentir que a mo de borracha , na verdade, sua prpria mo. Se houver um atraso de mais de 1 segundo entre os toques, a iluso geralmente no acontece.

Para comprovar, basta o pesquisador dar uma martelada na mo de borracha, quando o participante costuma reagir com medo ou puxar sua mo real, demonstrando que a incorporou ao seu corpo.

Como ela engana o crebro?

O crebro enganado pela conflito entre viso e propriocepo. O crebro recebe informaes tteis (o pincel na mo real) e visuais (o pincel na mo de borracha. Quando essas informaes so sncronas, o crebro tenta reconcili-las.

Como a viso um sentido dominante, o crebro “aceita” a imagem da mo de borracha sendo tocada e prioriza essa informao sobre a localizao proprioceptiva da mo real.

O crebro remapeia temporariamente sua representao corporal para adotar o objeto estranho, um exemplo de neuroplasticidade: a capacidade do crebro de se adaptar a novas experincias.

Como foi descoberta?

A iluso foi concebida por Matthew Botvinick e Jonathan Cohen em 1998, na Universidade de Princeton. Eles queriam investigar como o crebro integra informaes sensoriais (tato e viso) para criar uma “sensao de propriedade” sobre as partes do corpo.

A iluso da mo de borracha frequentemente usada para estudar como o crebro gerencia o “esquema corporal” e como o tratamento de membros fantasmas funciona.

Ambas as iluses lidam com a sensao de propriedade (se o membro pertence ou no a voc) e a propriocepo (a noo de onde o membro est).

A tcnica usada na reabilitao de amputados, onde pacientes usam prteses (como a mo de borracha) e, com estmulos visuais, o crebro passa a incorporar a prtese, reduzindo dores e a sensao do “membro-fantasma”. Voc pode ver como o espelho ajuda a tratar o membro fantasma neste vdeo.

O crebro humano uma caixinha e surpresas e bugs. Ele pode “rejeitar” psicolgica e funcionalmente prteses de membros amputados, mesmo que o corpo fsico no rejeite o material da prtese (que biocompatvel).

Essa rejeio uma falta de adaptao, onde o crebro no incorpora o dispositivo como parte do prprio corpo. Pesquisas indicam que, mesmo aps longo uso, o crebro pode no ativar sua plasticidade para incorporar membros binicos.

O crebro mantm o “mapa” do membro perdido por anos, e novas sensaes da prtese nunca coincidem com esse mapa mental.

A pessoa amputada continua sentindo a presena do membro perdido (formigamento, coceira ou dor intensa). Se a prtese no fornece o feedback sensorial correto para “calmante” dessa rea cerebral, o crebro rejeita o membro artificial como um substituto vlido.

Existe uma “imagem corporal” mental. Se o crebro no consegue atualizar essa imagem para incluir a prtese (no a reconhece como parte de si), ele a trata como um objeto externo, dificultando o uso.

Embora implantes ortopdicos sejam inertes, complicaes como infeces ou, mais raramente, alergias aos componentes podem ocorrer, o que popularmente chamado de rejeio, embora geralmente seja uma infeco.

Em suma, o crebro mantm o mapa do membro amputado praticamente intacto, mesmo anos aps a cirurgia, sentindo inclusive uma sensao de coceira nele, devido a propriocepo. Quando uma prtese usada, ela tenta se conectar a esse mapa, mas se no houver correspondncia sensorial perfeita, ocorre a falha na adaptao.

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