O autor de novelas Benedito Ruy Barbosa morreu na manhã desta terça-feira (7), aos 95 anos, em São Paulo. A morte foi confirmada ao GLOBO pela assessoria do HCor, hospital onde estava internado. Em boletim, a instituição informou que o dramaturgo morreu em decorrência de complicações de insuficiência renal crônica (IRC). Com sua partida, a televisão brasileira perde um dos principais responsáveis por transformar a dramaturgia nacional e consolidar as novelas ambientadas no interior do país.
A novela que inaugurou as 18h
Antes de se tornar um dos maiores autores da história da televisão com sucessos como “Pantanal”, “Renascer” e “O Rei do Gado”, Benedito já havia entrado para a história da TV brasileira ao escrever “Meu Pedacinho de Chão”. Exibida entre 16 de agosto de 1971 e 6 de maio de 1972, em 185 capítulos, a produção foi a primeira novela da faixa das 18h da TV Globo — horário que se consolidaria como um dos mais tradicionais da emissora. A obra foi coproduzida e exibida simultaneamente pela Globo e pela TV Cultura, escrita por Benedito em parceria com Teixeira Filho e dirigida por Dionísio Azevedo. Anos depois, em 1977, voltou ao ar pela TVE Brasil.
Ambientada na fictícia vila de Santa Fé, a trama acompanha a chegada da professora Juliana, que passa a lecionar para as crianças da comunidade e enfrenta o poder do coronel Epaminondas, líder autoritário que controla a região. Ao longo da história, Juliana encontra apoio no peão Zelão, que se apaixona por ela e tenta protegê-la das investidas de Fernando, filho do coronel. Paralelamente, as aventuras das crianças Pituca, Serelepe e Tuim apresentam um olhar mais leve sobre o cotidiano da pequena comunidade, em contraste com os conflitos vividos pelos adultos.
Embora ainda no início da carreira, Benedito já apresentava em “Meu Pedacinho de Chão” elementos que marcariam toda a sua obra: o protagonismo do homem do campo, os dramas familiares, a força das pequenas comunidades, o coronelismo e as desigualdades sociais no interior do Brasil. Era o início de um estilo que transformaria as paisagens rurais em personagens e faria do Brasil profundo o centro de algumas das novelas mais importantes da televisão.
Quase duas décadas depois, o autor voltaria a mudar os rumos da dramaturgia nacional. Em 1990, escreveu “Pantanal” para a extinta Rede Manchete e protagonizou um dos episódios mais emblemáticos da história da televisão ao superar a audiência da TV Globo no horário nobre. A novela revolucionou a linguagem das produções televisivas ao explorar locações naturais e colocar a natureza como elemento central da narrativa, consolidando Benedito Ruy Barbosa como o principal nome das novelas regionalistas brasileiras.
Além de “Meu Pedacinho de Chão”, o dramaturgo assinou clássicos como “Cabocla”, “Sinhá Moça”, “Renascer”, “O Rei do Gado”, “Terra Nostra”, “Esperança” e “Velho Chico”. Sua obra ajudou a redefinir a identidade da novela brasileira e influenciou gerações de autores, deixando um legado que permanece vivo na memória do público e na história da televisão.
