Graas a sua me, Agripina, a Jovem, Nero tornou-se imperador romano com apenas 16 anos para ento se tornar um dos lderes mais brutais e excntricos da histria. Diz-se que ele matou sua me, seu meio-irmo e suas esposas, perseguiu cristos e dilapidou uma fortuna em um enorme palcio. Ao mesmo tempo, organizava jogos e corridas de bigas e se apresentava no palco, intitulando-se artista. Quando ascendeu ao poder em 54 d.C., o Imprio Romano era vasto e estendia-se da Espanha, a oeste, Gr-Bretanha, ao norte, e Sria, a leste. |

Michael Sheen como Nero na srie “Nero da Roma Antiga: Ascenso e Queda de um Imprio“.
Os primeiros cinco anos do reinado de Nero foram descritos como uma “era de ouro” para o povo romano. Ele concedeu mais poder ao Senado, manteve o exrcito de Roma ao seu lado e conquistou a popularidade do povo comum ao promover jogos e eventos espetaculares. Mas esse sucesso inicial foi ofuscado pela violncia e crueldade estarrecedoras que caracterizaram grande parte de seu perodo no poder.
Nero s se tornou imperador porque sua me, Agripina, a Jovem, ambiciosa por poder, o manobrou para assumir o cargo. Ela se casou com seu tio, o imperador Cludio, e depois arranjou o casamento de Nero com a filha dele, consolidando-o na famlia como o sucessor natural do imperador, apesar dele j ter um filho.
Dizem que Agripina envenenou Cludio com um prato de cogumelos, mas no h como saber se isso verdade.
Cinco anos aps o incio de seu reinado, Nero mandou matar sua me. Quando chegou ao poder, Agripina era uma das conselheiras mais prximas de Nero e seu rosto chegou a figurar ao lado do dele em moedas romanas. Mas ele a mandou matar mais tarde, talvez por desejar mais poder e liberdade.
A primeira tentativa de Nero contra a vida de sua me fracassou. Ele a convidou para uma festa beira-mar e, em seguida, a enviou para casa em um navio projetado para se desintegrar, com o objetivo de mat-la, mas ela sobreviveu. Ento, em vez disso, ele a acusou de traio e enviou pessoas para assassin-la.
Nero provavelmente no iniciou o incndio em Roma. Em 64 d.C., grande parte de Roma foi consumida por um enorme incndio. Corria o boato de que Nero havia iniciado o fogo, e relatos posteriores afirmam que ele tocava violino enquanto a cidade ardia em chamas.
Isso no pode ser verdade, j que violinos no existiam na poca romana, embora Nero gostasse de tocar lira. Os historiadores tambm no acreditam que ele seja o responsvel pelo incndio, pois este destruiu seu palcio. Ele fez grandes melhorias na cidade posteriormente.
A verdadeira questo a seguinte: para ter tocado lira, ctara ou mesmo um piano de cauda enquanto tudo ao seu redor ardia em chamas, Nero teria que estar de fato em Roma naquele momento. Segundo o historiador romano Tcito, Nero estava, na verdade, em sua vila em ncio quando o incndio comeou.
Mas ele usou os cristos como bode expiatrio. Para se eximir da culpa pelo incndio, Nero acusou os cristos de o terem provocado. Naquela poca, eles eram um grupo pequeno, marginalizado e impopular em Roma.
Diz-se que ele aplicava punies terrivelmente horrveis por incndio criminoso incluindo crucificar cristos, deixar que animais selvagens os atacassem e atear fogo neles e que se deleitava com a crueldade, convidando pessoas para assistir.
Aps o grande incndio, Nero construiu um enorme palcio que abrangia duas colinas, a Domus Aurea (Casa Dourada). Dizia-se que possua uma sala dourada com mesas giratrias e perfumes que eram canalizados atravs das paredes. A construo consumiu enormes quantidades de recursos e nunca foi concluda.
As pessoas consideravam o palcio extravagante demais para uma cidade que ainda se recuperava dos efeitos do incndio, embora supostamente ele fosse ser aberto populao de Roma para a prtica de esportes e a realizao de eventos.
Quando Nero se cansou de sua primeira esposa, Otvia, ele a exilou e enviou assassinos atrs dela. No palco, ele usava uma mscara da ex que assassinara, sugerindo que estava atormentado pela culpa e pelo luto pela morte dela.
Nero casou-se ento com Popeia, uma nobre por quem se apaixonara, mas mais tarde a matou a pontaps em um acesso de fria, enquanto ela estava grvida. Diz-se que, depois disso, sempre que interpretava uma herona trgica no palco, Nero usava uma mscara de Popeia, sugerindo que era atormentado pela culpa e pelo luto pela morte dela.
Ele tirou um ano de folga para fazer uma turn pela Grcia como ator. Nero adorava tudo o que era teatral. Ele tocava lira, cantava, escrevia poesia e atuava no palco.
Esses interesses teriam sido considerados pelo Senado como totalmente inadequados, degradantes e vergonhosos, para um lder romano. Mesmo assim, Nero passou um ano em turn pelos teatros gregos e participando de competies. Ele tambm praticava esportes e diz-se que era capaz de conduzir uma biga puxada por dez cavalos.
At mesmo sua morte foi dramtica. Aos 30 anos, a oposio a Nero havia ganhado fora. Com o apoio do exrcito, o Senado o declarou “inimigo pblico (damnatio memoriae), o que significava que ele podia ser despido e espancado at a morte se fosse encontrado.
Roma, 9 de junho do ano 68, o imprio mais poderoso do mundo est mergulhado no caos. Aos 30 anos, o imperador Nero Cludio Csar Augusto Germnico est cercado por inimigos, abandonado pelo Senado e trado pela guarda pretoriana liderada pelo general Galba.
Em desespero, o imperador foge para uma vila nos arredores de Roma. Ali, cercado por poucos fiis, hesita diante do destino. Mas quando os soldados se aproximam para prend-lo, ele forou seu secretrio, Epafrodito, a ajud-lo a cravar uma adaga em sua prpria garganta. Diz-se que, antes de morrer, exclamou:
– “Qualis artifex pereo.”
No podemos ter certeza do que Nero quis dizer exatamente com isso, j que a frase pode ser traduzida de vrias maneiras. Poderia ser lida como: “Que artista eu sou na minha morte“, “Que grande artista morre comigo” ou “Estou morrendo como um arteso“. Seja como for, essas palavras finais condizem com seu carter dramtico.
A relao de Roma com o imperador Nero (5468 d.C.) foi complexa e dividida: ele foi odiado pela elite senatorial, mas surpreendentemente popular entre o povo e nas provncias orientais, gerando at mesmo lendas sobre seu retorno aps a morte.
Embora seu reinado tenha tido momentos de estabilidade, ele considerado o fim da dinastia Jlio-Claudiana, iniciada por Augusto, precipitando uma crise que levou ao catico “Ano dos Quatro Imperadores” (68-69 d.C.).
Sua morte por suicdio mergulhou o imprio em uma guerra civil, com quatro imperadores lutando pelo poder em um nico ano, demonstrando a fragilidade que ele deixou.
Muitos romanos sentiram saudade de sua generosidade. Nero promovia grandes espetculos, construiu infraestruturas e, aps o grande incndio, abriu seus palcios para abrigar os desabrigados.
Imediatamente aps sua morte, surgiram lendas de que ele no tinha morrido, e vrios impostores surgiram no Oriente, indicando saudade ou resistncia ao novo regime.
Sua morte foi o fim no apenas de um homem, mas de uma era. Com ele termina a linhagem iniciada por Jlio Csar e Augusto. Sem herdeiros legtimos, o trono disputado por generais de todo o imprio. Comea o perodo sangrento conhecido como o ano dos quatro imperadores, onde Galba, Oto, Vitlio e Vespasiano se revezam no poder em meio a golpes e batalhas.
A morte de Nero divide historiadores at hoje. Alguns o chamam de tirano, responsvel pelo incndio de Roma e pela perseguio brutal aos cristos. Outros o vem como patrono das artes, amante do teatro, da msica e da poesia.
O certo que naquele 9 de junho, Roma assistiu ao fim de uma dinastia e ao prenncio de uma nova era, de um imprio governado por deuses para um trono ensanguentado pela ambio. H 1958 anos, o artista e imperador Nero encontrava seu fim e Roma jamais seria a mesma.
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