A CVC Corp vive um dos momentos mais delicados de sua recente reestruturação interna. Após mais de 100 desligamentos que impactaram diferentes áreas e marcas do grupo nesta sexta-feira (15), o CEO Fabio Mader fala pela primeira vez sobre as mudanças que vêm redesenhando a operação da companhia.
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Em entrevista ao M&E, o executivo detalhou os motivos por trás da redução de estrutura, os impactos no modelo operacional e os próximos passos da estratégia adotada pela empresa para atravessar 2026 com maior equilíbrio financeiro e eficiência operacional. Mader afirmou que as mudanças fazem parte de um plano já estruturado de eficiência, acelerado pelos impactos do cenário geopolítico e econômico global sobre o turismo.
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As movimentações atingiram empresas como Trend e Rextur e envolveram nomes históricos do setor, gerando forte repercussão no mercado de turismo.
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Segundo o executivo, a decisão já vinha sendo desenhada internamente antes mesmo da divulgação dos resultados do primeiro trimestre e do agravamento das tensões internacionais, mas acabou antecipada pelo ambiente de pressão vivido pelo setor.
“O contexto geopolítico e econômico afeta diretamente a indústria do turismo. Isso gerou aumento de preços, cancelamentos e uma série de impactos no setor como um todo. A CVC não está ilesa a esse cenário”, afirmou Mader.
O CEO explicou que a companhia estruturou um plano de trabalho baseado em três pilares estratégicos: pessoas, receita e gestão matricial de despesas. O primeiro movimento, executado nesta sexta-feira, foi justamente a reorganização de equipes e lideranças.
“Olhamos para dentro da companhia entendendo onde estavam nossas maiores gerências e estruturas de custo. A pergunta foi: como podemos ser mais eficientes? Tornando a companhia mais leve, mais enxuta e mais rápida”, disse.
De acordo com Mader, o objetivo central da reestruturação é adequar a operação ao novo momento da empresa e acelerar a tomada de decisão. “Privilegiamos a liderança e empoderamos mais os gestores. Precisamos cumprir nossos objetivos de custo sem perder capacidade de execução”, afirmou.
Além da reorganização de pessoas, o plano inclui iniciativas voltadas para crescimento de receita, revisão de investimentos em marketing e aprofundamento da gestão matricial de despesas, modelo que a companhia já havia iniciado no ano passado e que agora será ampliado.
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“É o segundo ano deste trabalho. Neste ano repetimos o projeto em um formato mais evoluído. O plano foi concluído há cerca de dez dias e agora começamos sua execução prática dentro da companhia”, explicou.
Mader também reforçou que a nova configuração organizacional não é provisória. “A estrutura que apresentamos hoje não é temporária. Essa é a nova estrutura da CVC”, declarou.
Como fica a nova estrutura da CVC Corp?
As mudanças envolvem redistribuição de áreas, novas linhas de reporte e reorganização de estruturas estratégicas dentro da companhia.
Na frente de Finanças, Jurídico, Estratégia e RM, a área de Prevenção a Fraudes passa a integrar a estrutura de Jurídico e Governança. Já Planejamento e Projetos ganha nova liderança, enquanto Facilities e Compras passam a operar separadamente.
Na vice-presidência de Digital e Tecnologia, Bob Rossato passa a liderar os times reunindo as áreas de Digital e Tecnologia em uma única estrutura.
Já na área de Produtos, a estrutura de Atividades é desmembrada. Renzo Mello passa a acumular o Marítimo, enquanto Claiton Armelin assume também SVAs. Ao lado de Renata Cenni, ambos passam a responder diretamente ao CEO Fábio Mader.
Em Vendas, as mudanças atingem diferentes unidades de negócios. Renata Bueno assume a diretoria da Experimento, enquanto Noah Britto passa a liderar a Trend como diretora da unidade e Hugo Lagares assume a CVC Multimarcas. Já Bruno Sá passa a responder também pela área de Parcerias, enquanto Paula Miolaro assume interinamente o Marketing B2C2B.
Na estrutura de Clientes e Operações, Fabio Belém passa a se reportar diretamente ao CEO Fábio Mader, enquanto o CSC migra para a VP de Finanças.
