Emerson Belan e Fabio Mader, da CVC Corp

Em meio à repercussão dos desligamentos realizados nesta sexta-feira (15) e aos rumores recentes envolvendo uma possível venda da CVC Corp para a Decolar/Despegar, o CEO Fabio Mader negou qualquer negociação em andamento e afirmou que a atual reestruturação da companhia não possui relação com movimentos de mercado ou potenciais operações societárias.

“Quando a gente soltou o comunicado ao mercado dizendo que não recebeu nenhuma proposta, é porque realmente não recebemos nenhuma proposta. Absolutamente nada do que estamos fazendo tem relação com Decolar ou qualquer outro movimento de venda da companhia”, afirmou Mader, em entrevista ao M&E.

As especulações ganharam força após reportagens apontarem que a Despegar.com, controladora da Decolar e pertencente ao grupo Prosus, estaria avaliando uma eventual oferta pública de aquisição (OPA) da CVC Corp para consolidar sua posição no turismo latino-americano. A companhia brasileira negou oficialmente qualquer tratativa.

Segundo Mader, além de não existir negociação, a própria condição de empresa listada em Bolsa impediria qualquer omissão por parte da administração.

“A CVC é uma empresa de capital aberto. Se existisse qualquer proposta formal, obrigatoriamente teríamos que comunicar o mercado imediatamente. Existe responsabilidade dos executivos sobre isso”, declarou.

O CEO afirmou que o foco da companhia neste momento está na adaptação ao novo cenário econômico e geopolítico global, que vem pressionando custos, tarifas aéreas e comportamento de consumo no turismo.

“O call de resultados também não foi a causa das decisões. Ele é consequência de um contexto macroeconômico e geopolítico que impacta toda a indústria. Nosso desafio é preparar a empresa para esse novo cenário”, disse.

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Mader destacou que o desejo do consumidor por viagens segue aquecido, mas com mudanças relevantes no perfil da demanda. “As pessoas continuam viajando, mas estão mudando rotas e encurtando distâncias. Destinos de ticket mais alto acabam sofrendo mais impacto”, explicou.

Segundo ele, a reestruturação anunciada nesta sexta-feira busca justamente tornar a companhia mais eficiente, rápida e preparada para enfrentar este ambiente de pressão sobre custos.

“O que nós controlamos é o ambiente interno da empresa. Por isso revisitamos todas as linhas da companhia olhando oportunidades financeiras e de eficiência. Estamos transformando necessidade em oportunidade”, afirmou.

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Questionado sobre o papel da tecnologia e da inteligência artificial nas mudanças, Mader afirmou que os desligamentos não foram motivados diretamente pela IA, embora a companhia esteja acelerando projetos na área.

“Ainda não tem relação direta com inteligência artificial. O foco neste momento foi reorganizar liderança e estrutura. Mas a IA vai evoluir dentro da companhia ao longo do ano”, disse.

Segundo o executivo, a plataforma interna CVC Flow já está em funcionamento e começa agora uma fase de expansão operacional. “Estamos preparando a liderança para escalar essas iniciativas dentro da empresa”, afirmou.

Durante a conversa, Emerson Belan também buscou tranquilizar o mercado diante das especulações e da repercussão das mudanças internas.

“A CVC Corp continua forte. As marcas continuam fortes. As mudanças estruturais foram necessárias pelo momento geopolítico que estamos vivendo para que a empresa saia ainda mais forte daqui para frente”, afirmou.

Belan reforçou que o movimento faz parte da responsabilidade da companhia com agentes de viagens, franqueados e clientes. “Precisamos manter respeito e credibilidade com o mercado em um setor que já foi muito impactado nos últimos anos”, completou.

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Já Renata Gianotto, que também participou da entrevista, resumiu o posicionamento da empresa sobre o processo: “Fizemos o que precisávamos fazer”.