Eventos como Shakira e The Weeknd puxam alta e reforçam recordes no turismo (Divulgação/Shakira)

O turismo brasileiro começou 2026 em ritmo acelerado. Impulsionado por uma combinação de eventos internacionais, câmbio favorável e maior fluxo de visitantes, o país já soma mais de R$ 16 bilhões em gastos de turistas estrangeiros apenas no primeiro trimestre do ano. O número representa um avanço de 12% em relação ao mesmo período de 2025 e reforça um cenário de crescimento consistente.

No centro desse movimento estão os grandes shows. Apresentações como a de Shakira, marcada para a praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e os shows de The Weeknd, no MorumBIS, em São Paulo, ajudam a explicar por que o turismo internacional vive um dos seus melhores momentos recentes.

Shows que movimentam cidades inteiras

No caso do Rio, a expectativa gira em torno de um impacto de cerca de R$ 800 milhões apenas com a apresentação de Shakira. A conta inclui hospedagem, alimentação, transporte e consumo no comércio. Não é pouca coisa. A cidade se prepara para receber mais de 2 milhões de pessoas em um evento gratuito, algo que exige uma operação de grande porte e mobiliza milhares de trabalhadores.

Ao mesmo tempo, em São Paulo, os dois shows de The Weeknd devem reunir mais de 100 mil fãs em apresentações pagas. Mesmo com um perfil diferente, o impacto econômico também é relevante, especialmente na hotelaria e no setor de serviços.

Esse tipo de evento tem um efeito direto no turismo porque cria um motivo concreto para viajar. Muita gente cruza fronteiras só para assistir ao show e acaba prolongando a estadia, explorando o destino e gastando mais.

Comparações mostram avanço do setor

Quando se olha para trás, dá para entender melhor o tamanho desse crescimento. Em 2024, o show de Madonna em Copacabana movimentou cerca de R$ 469 milhões. Já em 2025, Lady Gaga elevou esse número para R$ 592 milhões.

Agora, a estimativa com Shakira já ultrapassa essas marcas com folga. Isso mostra que o Brasil vem ganhando força como palco de grandes eventos globais e, ao mesmo tempo, ampliando sua capacidade de transformar esses eventos em receita.

Recorde de turistas estrangeiros

O aumento nos gastos acompanha o crescimento no número de visitantes internacionais. Só em março, o Brasil registrou a chegada de 1,05 milhão de turistas estrangeiros, o maior volume já registrado para o mês.

No acumulado do trimestre, foram 3,742 milhões de visitantes vindos de fora, ligeiramente acima do número do ano passado, que já era considerado alto. O detalhe é que, além de mais turistas, há também um aumento no gasto médio por visitante.

Isso indica uma mudança importante no perfil do turismo. O Brasil não está apenas recebendo mais gente, mas também conseguindo capturar mais valor dessas viagens.

Efeito na economia real

E esse crescimento não fica restrito aos números. Ele aparece no dia a dia das cidades. Hotéis com ocupação elevada, restaurantes cheios, motoristas de aplicativo trabalhando mais e comércio aquecido.

Eventos desse porte também geram empregos temporários e movimentam cadeias inteiras, da montagem de estruturas até serviços de segurança e produção.

O próprio ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, destacou esse impacto ao afirmar que o país vem se consolidando como referência na realização de grandes eventos. Segundo ele, esse tipo de iniciativa beneficia desde grandes empresas até pequenos empreendedores.

Brasil em alta no mapa global

O momento atual também ajuda a reposicionar o Brasil no cenário internacional. Destinos tradicionais continuam fortes, mas o país passa a ser visto com mais frequência como um lugar onde grandes experiências acontecem.

Isso tem efeito direto na decisão de viagem. Eventos funcionam como vitrine e ampliam a visibilidade do destino para novos públicos, especialmente na América do Sul, que já responde por uma fatia importante dos visitantes.

O que vem pela frente

A tendência é que esse movimento continue ao longo do ano. Com novos eventos no calendário e o aumento da conectividade aérea, o Brasil deve manter o ritmo de crescimento tanto em chegadas quanto em receitas.

O desafio agora é transformar esse pico em algo mais constante. Ou seja, aproveitar o impacto dos grandes shows para fortalecer o turismo de forma mais ampla, estimulando viagens em outros períodos e regiões. Se isso acontecer, o país não apenas seguirá quebrando recordes, mas também construindo uma base mais sólida para o setor nos próximos anos.