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O filme mais caro da história da Netflix acabou virando decepção — mas talvez de forma injusta

O filme mais caro da história da Netflix acabou virando decepção — mas talvez de forma injusta

Chega um momento na vida em que, se tínhamos alguma ilusão quanto a sermos capazes de dar cabo dos problemas do mundo, essa quimera de onipotência é soterrada pela inescapável verdade que nos lança ao rosto que arrumar nosso próprio quarto já é exaustivo o suficiente. A despeito do que possamos querer, o tempo, senhor da razão e tudo quanto há de inexplicável no mundo, avança sem trégua, não para nunca, não admite ser desapontado e, caprichoso, tem suas próprias vontades e seus planos para o homem. Assim, tentar prever até onde pode chegar a inteligência artificial e todas as falsas urgências de que a imbuímos torna-se um desafio hercúleo e uma riquíssima fonte de enredos para o cinema. Tanto que não é nenhum absurdo vislumbrarmos humanoides que assumem perfeitamente funções que antes eram só nossas e acabam por trazer desgraça para o seio de lares outrora felizes, premissa de “The Electric State”, mais uma das distopias dos irmãos Anthony e Joe Russo, banhada em tecnologia de ponta e cheia das mais surpreendentes reviravoltas.

Demandas, aparatos e carências

À medida que inventa demandas e cria novas necessidades, o homem precisou também elaborar novos jeitos de resolver os problemas a que ele mesmo dava azo. Foram surgindo objetos, mecanismos, programas, dispositivos antes completamente alheios ao dia a dia do cidadão comum. Esses aparatos, capazes de expandir a realidade, possibilitar ao indivíduo experiências que sequer imaginava, numa espécie de prolongamento de sua consciência, adquiriram o status de meros eletrodomésticos, tão banais se tornaram. A partir de então, tudo o que a velha musa cantava tinha de cessar, para que novos anseios fossem alimentados, novas carências supridas, e nos entulhássemos de outras parafernálias.

Vínculos, irmãos e cérebros eletrônicos

O roteiro de Stephen McFeely, Christopher Markus e Simon Stålenhag não vê problema em mencionar a ubiquidade dos cérebros eletrônicos, personificados por Ethan Skate, o vilão do sempre mesmerizante Stanley Tucci, sem abrir mão de frisar o valor do homem e suas coisas maravilhosas e terríveis. Seres humanos precisam de vínculos. E vínculos só podem ser feitos com abraços, beijos, um ou outro tapa, coisas que robôs apenas emulam. Tudo isso fica claro no momento em que começa a desenrolar a trama central, sobre dois irmãos dos anos 1990 que reencontram-se após a morte dele, o caçula, o que obriga a mais velha a tomar a decisão mais dura de sua vida tão carnal. Michelle e Christopher, os protagonistas de Millie Bobby Brown e Woody Norman, trafegam bem por esse emaranhado de sentimentos, e o público vai com eles. Sonhando bem acordado.

Filme:
The Electric State

Diretor:

Anthony Russo e Joe Russo

Ano:
2025

Gênero:
Ação/Aventura/Épico/Ficção Científica

Avaliação:

8/10
1
1




★★★★★★★★★★



Fonte

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