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Déficit de SAF coloca emissões zero da aviação em risco, aponta Iata – M&E

Déficit de SAF coloca emissões zero da aviação em risco, aponta Iata – M&E

Estudo da Iata mostra desafios e oportunidades na corrida pelo combustível do futuro (Reprodução/Freepik)

A indústria da aviação estabeleceu uma meta ambiciosa e essencial: atingir emissões líquidas zero de CO₂ até 2050. O compromisso não é apenas ambiental, mas estratégico, impactando diretamente o futuro do turismo global, especialmente o setor corporativo e de alto valor. Um estudo da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), em parceria com a Worley Consulting, revela que a aviação possui matéria-prima suficiente para produzir combustível de aviação sustentável (SAF), mas o maior desafio está no ritmo de implementação tecnológica e na criação de um ecossistema robusto de políticas e investimentos.

Segundo o estudo, para atingir a meta de net-zero, serão necessários 500 milhões de toneladas de SAF por ano até 2050. No entanto, projeções atuais indicam que a produção global alcançará cerca de 400 milhões de toneladas, criando um déficit de 100 milhões de toneladas. Esse gap representa um desafio estratégico: pode afetar custos, viabilidade de rotas de longa distância e a credibilidade de programas de viagens sustentáveis.

O SAF é um combustível “drop-in”, totalmente compatível com aeronaves e infraestrutura existente, capaz de reduzir entre 70% e 80% das emissões de CO₂ ao longo de seu ciclo de vida em comparação com combustíveis fósseis. A produção em escala, porém, enfrenta gargalos tecnológicos.

O desafio do SAF: tecnologia e produção em escala

Hoje, a maioria das instalações comerciais usa a tecnologia HEFA, que transforma óleos e gorduras residuais em SAF. Para suprir a demanda total, será necessário combinar bio-SAF, proveniente de biomassa, resíduos agrícolas, florestais e urbanos, e e-SAF ou PtL, produzido sinteticamente a partir de CO₂ capturado e hidrogênio verde.

A produção global de SAF passará por uma transformação radical até 2050. Hoje, HEFA domina 95% do mercado, mas até meados do século, o bio-SAF representará 57% da oferta, enquanto o e-SAF crescerá para mais de 40%, dependendo fortemente de energia renovável, infraestrutura de captura de carbono e políticas de incentivo. Geograficamente, os principais polos de produção serão América do Norte, Brasil, Europa, Índia e China.

Outro ponto crítico é o custo de produção. O HEFA, mais maduro, é a rota mais barata, mas limitada pela escassez de matérias-primas. O e-SAF, essencial para alcançar volumes maiores, custa de 4 a 5 vezes mais que o HEFA, exigindo inovação tecnológica e incentivos governamentais para se tornar competitivo.

Ação coordenada: política, investimento e infraestrutura

Para fechar a lacuna de 100 milhões de toneladas e garantir que a aviação se torne realmente sustentável, o setor precisa de ações coordenadas. São pilares essenciais: políticas governamentais estáveis que reduzam riscos de investimento, parcerias industriais e financiamento para construção de plantas pioneiras, e expansão de infraestrutura energética para suportar a produção de e-SAF em escala global.

Segundo Willie Walsh, diretor-geral da Iata, há matéria-prima suficiente, mas é preciso acelerar o crescimento da indústria de SAF e começar imediatamente. Marie Owens Thomsen, vice-presidente de Sustentabilidade da IATA, reforça que governos, produtores de energia, investidores e o setor aéreo precisam trabalhar juntos para reduzir riscos e acelerar a adoção.

Para o setor de turismo, engajar-se nessa transformação não é apenas uma questão de responsabilidade ambiental, mas uma estratégia para garantir relevância e resiliência em um mundo net-zero, onde voos sustentáveis deixarão de ser diferencial para se tornar padrão.



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