Acidente em 4 de julho de 2001 foi causado por erros da tripulação durante a aproximação para pouso
Há exatos 25 anos, em 4 de julho de 2001, um Tupolev Tu-154M da Vladivostokavia caiu durante a aproximação para o aeroporto de Irkutsk, na Rússia, após perder o controle da em uma curva com velocidade abaixo da recomendada e configuração inadequada para o procedimento de pouso.
A investigação concluiu que ações incorretas dos pilotos levaram ao aumento excessivo do ângulo de ataque, ao estol, à entrada em parafuso chato e ao impacto da aeronave contra o solo.
O voo 352 operava a rota entre Ecaterimburgo e Vladivostok, com escala programada em Irkutsk. A decolagem ocorreu às 19h47 (horário local), e a aeronave atingiu o nível de cruzeiro de 10.100 metros.
4 July 2001. Vladivostok Air Flight 352, Tupolev Tu-154M RA-85845 crashed while attempting to land in Irkutsk, Russia. All 136 passengers and 9 flight crew members aboard perished, making it the third deadliest aircraft crash over Russian territory to date. pic.twitter.com/gYAU4Pm4sr
— Ronnie Eisele (@EiseleRon10374) July 3, 2026
Cerca de três horas após a partida, às 01h50, foi iniciada a descida para Irkutsk. A aproximação ficou sob responsabilidade de um dos pilotos.
Às 02h05, a tripulação informou estar a 2.100 metros de altitude com a pista à vista. Nesse momento, a aeronave voava a aproximadamente 540 km/h.
Configuração durante a aproximação
Segundo a investigação, a aproximação apresentou desvios em relação aos parâmetros operacionais recomendados.
O trem de pouso foi comandado para a posição baixada quando a velocidade ainda estava próxima de 420 km/h. O limite operacional para esse procedimento era de 400 km/h. Após o acionamento do trem de pouso, a velocidade reduziu para cerca de 395 km/h, com os motores em marcha lenta.
Durante uma curva à esquerda com inclinação entre 20° e 23°, a velocidade continuou diminuindo até aproximadamente 365 km/h, abaixo da velocidade recomendada de 370 km/h para aquela fase do voo. O aumento de potência ocorreu de forma gradual e foi insuficiente para manter simultaneamente a altitude de 850 metros e a velocidade adequada.
Atuação do piloto automático
Às 02h07min46s, ainda na curva, a redução da velocidade levou o piloto automático a comandar maior deflexão dos profundores para manter a altitude.
Como consequência, o ângulo de ataque aumentou para aproximadamente 16,5°, acionando o alerta sonoro de alto ângulo de ataque.
Ao tentar corrigir a situação, o piloto desconectou o piloto automático, mas aplicou comandos que aumentaram a inclinação lateral da aeronave de cerca de 30° para aproximadamente 48° à esquerda.
Pouco depois, a aeronave ingressou em uma camada de nuvens durante o período noturno, eliminando as referências visuais externas disponíveis até então.
Perda de controle
Diante da deterioração da situação, o outro piloto assumiu os comandos. Conforme o relatório da investigação, os movimentos alternados nos controles de voo aumentaram a instabilidade da aeronave.
Ao perceber uma razão de descida de aproximadamente vinte metros por segundo, um dos pilotos puxou o manche. A manobra elevou rapidamente o nariz da aeronave, aumentando ainda mais o ângulo de ataque.
Sem potência suficiente para sustentar o voo naquela condição, a aeronave entrou em estol, seguido de um parafuso chato. A tripulação não conseguiu recuperar o controle antes do impacto.
Após cerca de 22 segundos em rotação, o avião atingiu o solo sobre a fuselagem, se desintegrou e foi consumido por um incêndio.
Causa do acidente
A investigação atribuiu o acidente a uma sequência de ações incorretas da tripulação durante a aproximação.
Entre os fatores apontados estão:
- manutenção da altitude durante curva com velocidade inferior à recomendada;
- atuação do piloto automático elevando o ângulo de ataque para compensar a perda de velocidade;
- comandos de controle que ampliaram a inclinação lateral da aeronave;
- atraso no aumento da potência dos motores;
- comando de cabrar em condição de elevado ângulo de ataque, levando ao estol;
- ações do comandante consideradas incompatíveis com os procedimentos previstos para recuperação da aeronave.
De acordo com o relatório, a combinação desses fatores provocou a perda de sustentação das asas, seguida da perda de controlabilidade e do acidente durante a aproximação para Irkutsk.
