Reguladores da Europa determinaram inspeções urgentes em dezesseis Airbus A380 após a identificação de falhas estruturais
A agência europeia de aviação civil (EASA) emitiu na última segunda-feira (22), uma diretriz de aeronavegabilidade de emergência determinando inspeções estruturais urgentes em dezesseis Airbus A380.
A medida foi adotada após a identificação de trincas em longarinas centrais das asas (mid spars), componentes estruturais localizados no interior da caixa da asa. Segundo a autoridade europeia, a condição pode afetar a integridade estrutural da aeronave caso não seja corrigida.
A diretriz entra em vigor nesta quarta-feira (24). O documento exige verificações específicas em componentes internos da estrutura das asas e estabelece diferentes níveis de urgência para os aviões afetados.
Aeronaves atingidas
A determinação da EASA abrange quinze aeronaves da Emirates, que voa com o modelo diariamente para São Paulo (GRU), e uma da Qantas.
De acordo com a autoridade reguladora, cinco aeronaves da Emirates foram imediatamente retiradas de operação e deverão passar pelas inspeções antes de voltarem a transportar passageiros. A EASA autorizou apenas voos de traslado sem ocupantes para que os aviões possam ser deslocados até centros de manutenção.
As outras onze aeronaves poderão continuar operando temporariamente, mas deverão ser inspecionadas dentro dos próximos 25 ciclos de voo.
Situação do avião da Qantas
A Qantas disse que sua única aeronave afetada (VH-OQI) já se encontra em manutenção pesada em Dresden, na Alemanha.
Segundo a companhia aérea australiana, as inspeções exigidas pela EASA serão incorporadas ao programa de manutenção em andamento e não deverão provocar impactos na programação de voos nem nas operações atuais da empresa.
Foco nas longarinas centrais das asas
A nova diretriz concentra-se nas chamadas mid spars, vigas estruturais centrais que atravessam a caixa interna das asas e desempenham papel fundamental na distribuição de cargas aerodinâmicas e estruturais ao longo da aeronave.
A EASA disse que a decisão foi tomada após a análise de dados provenientes de inspeções anteriores, que indicaram a presença de fissuras em determinados componentes da estrutura. O órgão ressaltou que o problema identificado não representa uma ameaça imediata para a frota do A380 e não resultou na paralisação generalizada do modelo.
Histórico
O Airbus A380 já foi alvo de outras campanhas de inspeção relacionadas às asas ao longo de sua vida operacional.
Em 2012, a EASA determinou verificações em toda a frota após a descoberta de microtrincas em suportes estruturais conhecidos como rib feet, responsáveis pela ligação entre a estrutura interna da asa e seu revestimento externo.
Posteriormente, em 2019, os reguladores voltaram a direcionar atenção para fissuras identificadas nas longarinas traseiras externas. O tema ganhou relevância adicional após a pandemia, quando diversas aeronaves retornaram ao serviço depois de longos períodos armazenadas.
A atual diretiva difere das anteriores por concentrar-se especificamente nas longarinas centrais da caixa da asa, e não em suportes estruturais ou componentes externos.
Programa adicional de inspeção
A Airbus desenvolveu um programa complementar de inspeção detalhada voltado às longarinas centrais afetadas. A fabricante orientou os operadores a reportarem os resultados das verificações em até sete dias após sua realização.
Conforme os requisitos da diretiva, qualquer aeronave que apresente discrepâncias estruturais deverá ser reparada antes de retornar ao serviço comercial.
A EASA concluiu dizendo que novas medidas regulatórias poderão ser adotadas dependendo dos resultados obtidos durante esta primeira rodada de inspeções envolvendo as dezesseis aeronaves afetadas.
